(pt) Federação Anarquista Gaucha - FAG/CAB: Nota de repudio ao ataque neonazista em Porto Alegre e as declarações cínicas do delegado Paulo César Jardim.

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Segunda-Feira, 15 de Outubro de 2018 - 06:21:08 CEST


Na ultima quarta-feira (10/10), indignados, acompanhamos pelos principais veículos de 
comunicação do Rio Grande do Sul e pelas redes sociais a denuncia de um grave caso de 
ataque neonazista contra uma mulher de 19 anos no Bairro Cidade Baixa em Porto Alegre. 
Segundo a denuncia registrada em delegacia o caso ocorreu na noite da última segunda 
-feira (08/10), quando a mulher que estava sozinha foi agredida brutalmente por 3 
indivíduos, do sexo masculino, que além de espancarem a vítima ainda tenebrosamente 
marcaram com objeto cortante uma suástica no corpo da mulher. O crime foi motivado por 
conta da vitima usar uma camisa com os dizeres ELE NÃO que remete a campanha de luta 
feminina e popular contra a candidatura da extrema direita de Jair Bolsonaro.

Esse fato ocorre no marco da ascensão da violência politica perpetrada pela extrema 
direita país afora. Nos primeiros dias do segundo turno das eleições presidenciais já são 
incontáveis as denuncias de agressões covardes a militantes e pessoas comuns que se opõem 
as posições racistas, homofobias e anti-povo da chapa da extrema direita Bolsonaro/Mourao. 
O mais trágico desses acontecimentos foi o caso de um conhecido mestre de capoeira 
assassinado covardemente a facadas por um eleitor da extrema direita na Bahia.

Não bastasse a brutalidade do ocorrido na segunda-feira em Porto Alegre ainda acompanhamos 
uma entrevista cretina do Delegado de Policia Civil Paulo César Jardim que em uma radio 
líder de audiência no RS fez declarações barbaras do tipo: "-Não e uma suástica, e o 
simbolo milenar religioso budista,...de amor , de paz e de harmonia.". "-Não foi um ataque 
nazista."

As inclinações desse senhor delegado não nos são novidades. Apesar de chocar a maioria da 
população, nós da FAG não nos surpreendemos com a sua baixeza, pois sabemos que Jardim tem 
lado. Como responsável por investigar crimes de ódio com motivações neonazistas no estado 
do Rio Grande do Sul ele tem sido no mínimo cúmplice da expansão de ideias nazifascistas, 
não atoa o RS tem um dos maiores índices do país de indivíduos e grupos que flertam, 
simpatizam e fazem apologia ao nazismo. Gracas aos serviços prestados por Jardim o 
neonazismo encontrou porteiras abertas pra se propagar na internet e nas ruas do RS nos 
últimos 10 anos.

Destacamos que tarefa de Jardim na Policia Civil do RS era pra ser a de investigar e 
combater crimes de ódio, formação de quadrilha e apologia ao nazifascismo no estado. Porem 
temos elementos suficientes pra afirmar que o trabalho do delegado favorece o outro lado, 
basta analisar que na ultima década este senhor gastou mais tempo perseguindo e tentando 
criminalizar a ideologia anarquista e a nossa organização, do que fazendo o papel que lhe 
garante o soldo. Infâmias como a Operação Érebo (dirigida por ele) que tentou em 2017, 
entre outras coisas, qualificar a FAG como organização terrorista, confirmam nossa posição.

Diante disso, afirmamos total repúdio ao ataque sofrido por esta companheira e a ela 
estendemos nossa mão. Assim como repudiamos veementemente a postura vil, covarde e cínica 
do Delegado Paulo César Jardim que comete esse escarnio diante das agressões. Ainda 
ressaltamos que diante do avanço conservador e a escalada da barbárie promovida pela 
extrema direita, só a luta direta e a autodefesa popular podem colocar um fim a casos como 
esse. Nenhuma ilusão com os aparelhos repressivos, com as autoridades e com as 
instituições desse sistema.

E mais do que nunca afirmamos:
E se eu te falar que 2019 já começou sem que 2013 tenha chegado ao fim?
faguista / 18 horas atrás
Por Roger Berneri, militante da FAG

Processos históricos não se interropem ou se inauguram arbitrariamente, ou seja, nenhuma 
vitória é perpétua ela precisa ser atualizada cotidianamente através de narrativas e 
práticas que busquem hegemonizar a interpretação do mundo, silenciando e subjugando os 
vencidos, calando no fundo da alma de cada derrotado que seu lugar no mundo é um lugar de 
obediência servil aos vencedores, os vencidos quando se subjetivam através de práticas de 
resistência encontram a violência que se revindica legitima: a política sem véus dos 
vencedores de sempre.

Nossa organização caracteriza a etapa que estamos vivendo como uma Etapa de Resistência, e 
por rigor analítico buscamos especificar que, ainda que o Estado de Exceção seja a regra 
para os miseráveis do mundo, com o agravamento da conjuntura nos colocamos diante de um 
tipo especifico de Estado de Exceção, denominamos esse
Estado, como um Estado Policial de Ajuste, com isso afirmamos que o pacto de classe que 
permitiu alguns avanços pontuais durante os governos petistas foi rasgado pelos fiadores 
de seus governos e substituído por uma politica agressiva de retirada de direitos através 
da aplicação de uma agenda neoliberal exercida por um governo golpista de choque sob zelo 
ativo da Toga e da Farda. O circulo já restrito de direitos conquistados, que amparava 
parte dos vencidos, se reduz ainda mais.

Nesse cenário a politica sem véus do vencedor é atualizada também por pessoas que vivem ao 
nosso lado, que compartilham do mesmo cotidiano de privações e retiradas de direitos, pois 
quando subjetivadas pela narrativa do vencedor passam a incorporar praticas que estruturam 
sua própria condição de miséria, não são nossos inimigos, porém não substime se passar de 
uma atuação difusa para uma subjetividade agenciada pela narrativa de alguma organização 
proto-fascista.

No Estado Policial de Ajuste não há garantia alguma que as urnas sejam o ponto de corte 
para uma politica republicana de conciliação que conduza a um tempo já vivido 
anteriormente, pois em beneficio dos vencedores de sempre os juizes e militares não tiram 
a toga e a farda para dormir, são agora mais do que nunca os fiadores da democracia 
representativa e precisam garantir que a politica de ajuste seja aplicada, essa é a 
natureza do Estado Policial de Ajuste.

Diante disso, cuidado com os atalhos pois temos uma longa jornada pela frente, na qual o 
pior erro é acreditar em soluções simples para problemas complexos.

A utopia republicana de uma solução pelas urnas cobrará o seu preço, pois é uma resposta 
fraca incapaz de impor uma derrota ao Estado Policial de Ajuste que seguirá operando para 
impor a vontade dos vencedores de sempre.

2019 já começou: Tão breve termine as eleições para o executivo nacional, a Reforma da 
Previdência será colocada em votação, diante da maior renovação parlamentar das últimas 
décadas, de que maneira vocês acham que esses politicos profissionais que foram mandados 
pra casa vão votar? Os vencedores de sempre querem a Reforma da Previdência, essa é a 
condição de governabilidade no começo de 2019, caso Bolsonaro vença aprova-se a reforma 
antes de fechar o ano aliviando os primeiros meses do seu governo, caso Bolsonaro seja 
derrotado é possível que reforma fique em suspenso para atuar como bomba relógio nos 
primeiros meses do governo Haddad.

As disposições colocadas em curso em 2013 permanecem latentes, e suas limitações precisam 
ser superadas: o resgate dos métodos históricos de ação da classe trabalhadora, a ação 
direta nas ruas, a barricada, a ocupação e demais práticas que superam a burocracia 
sindical e partidária, precisam reencontrar a sua forma organizativa e seus método de 
tomada de decisão, salvar a democracia hoje é criar as condições para enfretarmos o Estado 
Policial de Ajuste, e só há uma maneira de salvar a democracia, fazer com que ela supere a 
representação parlamentar e passe a ser direta desde os espaços de base para assim 
criarmos um Povo Forte capaz de impor resistência organizada aos vencedores de sempre, 
isso não está logo ali no segundo turno porém não pode esperar até amanhã para ser 
colocado em prática.
Fascistas, racistas, misóginos, vocês não passarão!

Federação Anarquista Gaucha - FAG/CAB
11/10/2018

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2018/10/11/nota-de-repudio-ao-ataque-neonazista-em-porto-alegre-e-as-declaracoes-cinicas-do-delegado-paulo-cesar-jardim/


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