(pt) FAI, tierra y libertad #361 - [Itália] Entre limites, responsabilidade, delegação e participação (ca, it) By A.N.A.

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Domingo, 14 de Outubro de 2018 - 06:58:17 CEST


Numa perspectiva libertária, a mudança social e a mudança individual devem ser 
acompanhadas sistematicamente. E a questão da delegação está no centro. Para viver um 
futuro possível hoje. ---- O anarquista Gustav Landauer escreveu: "O Estado não é algo que 
pode ser destruído com uma revolução; é uma condição, uma relação entre seres humanos, um 
modo de se comportar. Pode ser destruído contraindo outras relações, comportando-se de 
maneira diferente". ---- Esse alerta, que não exclui em absoluto a necessidade de uma 
revolta social radical, está diretamente relacionado a uma série de responsabilidades. 
Especialmente não fugir do dever, se nós realmente queremos mudar profundamente o que 
existe, assumir em nossas relações cotidianas uma posição diferente e mais coerente, para 
realizar os princípios e sonhos que cultivamos. Muitas revoluções na história tentaram 
fundar um novo mundo e depois se materializaram em sistemas opressivos tão malignos quanto 
aqueles que se propuseram a substituir.

Parece inquestionável para mim que, com uma perspectiva libertária, a mudança social e a 
mudança individual devem caminhar juntas sistematicamente. Portanto, o aviso de Landauer 
nos obriga a pensar de uma maneira diferente de estar com os outros, um processo mais 
complexo e dinâmico de mudança, para projetar um mundo diferente, vivendo aqui e agora, 
sem esperar virtudes catárticas que caracterizem a revolução como um acontecimento. Como 
Alexander Herzen afirmou: "Um fim infinitamente remoto não é de fato um fim, é um engano".

A responsabilidade é, sem dúvida, uma palavra-chave se essas premissas forem aceitas. Ser 
responsáveis, significa assumir todos os conteúdos que a palavra oferece, significa 
recuperar os diferentes significados que envolve responsabilidade: respondeo (empenho e 
promessa, garantia), rem-ponderare (capacidade de avaliar, ponderar), responsare 
(resistir, contrastar) recipere (responsabilidade sem culpa, gestão de risco social, 
atenção à vítima a quem está protegida). Todos esses significados levam, como pode ser 
visto, à intersubjetividade e reciprocidade. A ética da responsabilidade vai além do mero 
respeito (deixar ser o outro), é responder de (que tem um valor ativo). Em uma perspectiva 
libertária é uma transferência contínua, uma busca sem saldo final entre ética baseada na 
convicção (respeito pelos princípios) e a ética da responsabilidade (atentos às 
consequências).

Mas delegar é (às vezes) inevitável

Agir de forma responsável significa, portanto, como repetia Paul Goodman, "traçar o 
limite" não cruzar os níveis inaceitáveis de compromisso (saber dizer não, não concordo, 
desobedeço), mas também reconhecer um limite objetivo, insuperável aqui e agora (o que não 
significa para sempre); significa praticamente não se reconhecer naquele que assume o 
limite de maneira tradicionalista, mas também naqueles que o negam em nome da 
permissividade. Ambas as perspectivas colocam o limite no mesmo saco; eles não distinguem. 
No entanto, estes são dois tipos de limites qualitativamente muito diferentes: um que 
podemos definir como agressivo, o outro como defensivo. Os limites agressivos fixamos para 
os outros (com a desculpa ou motivação para protegê-los), são impostos e não pode ser 
justificada sob o pretexto de autodefesa, tem a ver com as relações de domínio e não o 
direito (justiça). Os limites defensivos são escolhidos, e os colocamos para nos defender, 
para nos proteger da usurpação de qualquer um (legítima defesa); eles não contradizem a 
igualdade de direitos. De fato, a proteção não deve levar a uma restrição de direitos, mas 
deve sugerir e propor meios complementares de prevenção. Responsabilidade, limite, 
palavras e conceitos importantes para quem quer mudar a si e ao mundo.

A principal e mais praticada fuga de responsabilidade vem do exercício sistemático da 
delegação. Delegar a própria responsabilidade significa acima de tudo confiar aos outros o 
direito que lhes cabe de decidir, isto é, abdicar de sua própria autonomia. Através de uma 
delegação sistemática, a sociedade acaba privando os indivíduos que a compõem de sua 
própria liberdade e acima de tudo de sua própria autonomia. A delegação é prejudicial e 
alienante porque sistematiza um processo de privação, abdicação, renúncia, fuga de 
responsabilidade. Ela é nutrida não apenas por mecanismos evidentes de dominação e poder 
(poder de fazer), mas também por costumes e hábitos que se tornam parte integrante da 
própria personalidade. A delegação nega o poder positivo e inalienável (poder de fazer) 
acima de tudo em uma dimensão e perspectiva libertárias.

A delegação é (algumas vezes) inevitável mesmo do ponto de vista libertário, mas essa 
função deve ser extinta com o fim do mandato específico em torno do qual foi pensado e 
realizado de tempos em tempos. Acima de tudo, deve ser completado sem ser capaz de gerar 
qualquer privilégio de posição e estar imediatamente dentro do horizonte exclusivo do 
mandato. Muitas vezes, em nossa sociedade, tanto a responsabilidade quanto o conceito de 
limite ou de delegação são instrumentalizados para fins de consolidação de domínio. 
Devemos, pelo contrário, nos reapropriar do significado mais autêntico e profundo desses 
conceitos, que nenhuma sociedade, especialmente se for de natureza libertária, pode ignorar.

Sim, como Aristóteles dizia...

Ser responsável, marcar os limites, delegar, não são conceitos antitéticos em uma visão 
anarquista; o são em uma perspectiva e em uma prática autoritária. Os três elementos que 
constituem uma posição libertária não podem ser separados, não devem ser separados, mas 
mantidos em um relacionamento próximo. O mesmo e importante trabalho de esclarecimento é 
feito em torno do conceito de participação. Nunca, como agora, somos frequentemente 
solicitados a participar de qualquer ângulo e aspecto da vida social.

Mas, o que isso significa? Em que devemos participar? Como e de que maneira? O que você 
entende, ou melhor, entende, por participação? Nós realmente sabemos o que este verbo 
significa? Participar dessas opções que a sociedade nos pede, na verdade, pode significar 
interpretar parte de um roteiro escrito e dirigido por outros, avaliando e aceitando um 
dado definido como fato e justificado como inevitável e não modificável. A participação 
hoje é, acima de tudo, um mecanismo cujo objetivo é trazer o maior número possível de 
pessoas para o seu terreno em benefício de uma empresa ou uma decisão tomada previamente. 
Mas se isso é verdade (obviamente não faltam exemplos), não se trata de renunciar a esse 
conceito, mas de reavaliá-lo em um sentido mais autêntico e original.

Denunciar uma forma ilusória de participação significa, coerentemente, esclarecer a 
natureza mais autêntica e positiva em uma perspectiva libertária. Se, como disse 
Aristóteles (e não só ele), que somos (também) animais políticos (habitantes da polis) e 
porque nos realizamos como humanos quanto nós discutimos com os outros sobre as condições 
de nossa vida juntos. Esta prática de divisão social não pode ser esgotada em um aspecto 
(por exemplo, o voto), mas deve ser uma realidade contínua e sistemática, sistematicamente 
praticada e praticável, de modo que se torne um hábito (ethos). Participar significa tomar 
parte, mas também contribuir e beneficiar. Tomar parte se difere de formar parte: a 
primeira é uma forma de participar que se escolhe e se limita ao objeto escolhido, o 
segundo é o resultado de opções e condições em que se chega mesmo a prescindir da própria 
vontade (por exemplo, fazer parte de uma família).

Participar também significa contribuir, um conceito não contido no precedente: eu posso 
participar de uma conferência sem participar ativamente (contribuindo). Esse aspecto 
demonstra uma dinâmica interativa, que permite ao colaborador integrar-se ativa e 
continuamente a uma história comum. Beneficiar significa ser capaz de usar e controlar 
bens comuns, ser parte ativa não apenas da criação, mas também do uso de recursos que 
foram criados juntos. Como pode ser visto, existem múltiplos significados atribuídos ao 
termo participar que em uma perspectiva libertária vão juntos e relacionados estreita e 
indissoluvelmente com outros conceitos expostos mais acima.

A postura anarquista em uma sociedade não-anarquista não pode, na minha opinião, 
prescindir de questionar-se sobre certas questões, e especialmente não pode evitar 
experimentar várias formas de relacionamento aqui e agora.

Essas práticas são as únicas possibilidades que temos de prefigurar um mundo diferente a 
partir de cada um de nós em relação com os outros.

Francesco Codello

Fonte: https://www.nodo50.org/tierraylibertad/361articulo2.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana


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