(pt) Texto retirado do jornal NO BATENTE #8 - ELEIÇÃO É FARSA - AS MUDANÇAS QUE QUEREMOS NÃO VIRÃO DAS URNAS!

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Quinta-Feira, 11 de Outubro de 2018 - 08:14:29 CEST


Se a democracia representativa pudesse de fato mudar a vida do povo, ela seria proibida. A 
experiência de luta dos de baixo (pessoas trabalhadoras, desempregadas, sem terra, sem 
teto, pobres no geral) demonstra que as vias institucionais são insuficientes para 
promover as  transformações que necessitamos. Por isso, ao invés de discutir as 
candidaturas da democracia burguesa, propomos o exercício da Democracia Direta e a 
construção do Poder Popular. As eleições não visam o protagonismo da classe oprimida, 
tampouco uma transformação profunda na sociedade, já que não promovem a organização do 
povo e sua participação efetiva nos processos de decisão. É um sistema que busca permitir 
e legalizar privilégios, além de conservar o monopólio econômico e político dos ricos. Os 
candidatos eleitos, mesmo que haja diferenças entre eles, acabam não representando os 
interesses da população, mas sim da classe dominante. Ou seja, é um sistema que visa 
manter a ordem estabelecida e suas estruturas de dominação, criando a falsa sensação de 
que podemos decidir. No entanto, antes mesmo de ir às urnas, o resultado das eleições já 
foi decidido.

Para impedir que nossa situação piore ainda mais, temos apenas um caminho: a luta. 
Independente de quem esteja ocupando as cadeiras do governo, a exploração, a desigualdade 
, o desemprego , a criminalização dos movimentos sociais, a repressão, a destruição do 
meio ambiente, continuam. As eleições passam e os problemas só aumentam.

Os patrões, banqueiros e latifundiários não estão do nosso lado. Não à conciliação de 
classes! Não podemos deixar nossas revoltas adormecerem! Acreditamos na necessidade de 
mudanças profundas na sociedade. Portanto, para enfrentar a direita, as oligarquias e o 
imperialismo, temos que romper com a ilusão da conciliação de classes, propagandeada pelo 
PT e partidos coligados. As medidas tomadas durante seus governos não ameaçaram em nada a 
estrutura capitalista e não levaram o povo à emancipação - como jamais poderiam fazer. Os 
governos do PT, pelo contrário, dividiram e burocratizaram o movimento sindical 
aparelhando o seu programa partidário à CUT e sindicatos filiados; realizaram concessões e 
privatizações como as das usinas e distribuidoras de energia; ordenaram a ocupação da 
Favela da Maré pelas forças militares; deram carta branca para a perseguição de militantes 
e movimentos populares através da Lei Antiterrorismo. Ademais, não houve avanço 
considerável no âmbito da reforma agrária, Terras Indígenas e Quilombolas por conta de 
acordos firmados com a base parlamentar ruralista. Os massacres ocorridos no campo, contra 
o povo negro e povos  indígenas continuaram. É verdade que com seus programas de 
assistência e aumento de acesso ao mercado de consumo foi possível, para muitas pessoas 
oprimidas, obterem mudanças nas condições de vida. Por outro lado, os serviços públicos 
foram precarizados. O povo pôde comprar mais, no entanto suas condições de vida em termos 
de direitos sociais como saúde, transporte público , educação , continuaram muito ruins.

Fazer política além do voto!

O sistema representativo priva as pessoas de decidirem o rumo da sociedade por elas 
mesmas, pois o poder é posto na mão de um político. Este candidato, uma vez que é eleito, 
tem que dançar conforme a música escolhida pelos grandes poderes econômicos, políticos e 
ideológicos do país e mundo. Nós anarquistas entendemos que enquanto existir Estado e 
capitalismo haverá uma sociedade baseada na dominação de grande parte da população em nome 
da concentração de poder (político e econômico) nas mãos de poucos. A revolução social que 
almejamos é uma transformação profunda nas estruturas sociais, derrubando este sistema 
econômico e político a partir da formação e exercício de outros modos de organização 
social sem dominação. A neutralidade do Estado é uma farsa! Sua estrutura é destinada a 
manter o povo sempre oprimido. Nosso poder está na organização popular! Enquanto uns votam 
com os de cima, nós escolhemos lutar com os de baixo! Nossa participação é nas associações 
de bairro, nos sindicatos, nas escolas e universidades, nos assentamentos, nos territórios 
indígenas e terras quilombolas, nas greves, paralisações e piquetes, nas ruas. Não 
aceitamos passivamente a conciliação de classes e não nos pautamos pela disputa eleitoral, 
pois sabemos que deve haver coerência entre os fins que queremos atingir e os meios para 
chegar lá. Na construção de um povo forte lutamos no dia-a-dia por meio da Democracia 
Direta nas assembleias, buscando através da ação direta do povo organizado - 
manifestações, ocupações, bloqueios e etc . - as melhorias que necessitamos. Pelo respeito 
aos povos indígenas e quilombolas e pela preservação e valorização da cultura dos povos 
tradicionais! Contra as privatizações, terceirizações e a precarização das relações de 
trabalho! Pela função social do solo urbano e a desapropriação de propriedades, 
latifúndios e terras improdutivas para atender às necessidades dos sem terra e sem teto!

Nossas necessidades não cabem em suas urnas!

Construir o Poder Popular!

Façamos nós por nossas próprias mãos!

https://anarquismopr.org/2018/10/05/eleicao-e-farsa-2/


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