(pt) quebrando muros: LUTAR E VENCER O FASCISMO FORA DAS URNAS!

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Sábado, 6 de Outubro de 2018 - 08:30:24 CEST


Nesse último sábado, dia 29 de setembro, as mulheres de todo o país organizaram um ato de 
rua contra a figura grotesca do candidato Jair Bolsonaro, que reproduz muitos dos 
comportamentos que repudiamos, como o machismo, o racismo, a transfobia, o nacionalismo e 
o incentivo à violência policial e civil como forma de segurança pública. ---- Em 
Curitiba, mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas e ocuparam a Rua XV de Novembro em toda 
sua extensão, bradando em resistência a esses valores que matam diariamente as nossas 
mulheres (principalmente as trans), o povo preto e o povo pobre. Nós, militantes do 
Coletivo Quebrando Muros, construímos esse ato de rua lado a lado com as pessoas que, como 
nós, não aceitam que um sujeito que defende linhas políticas tão absurdas chegue ao cargo 
de presidência. Mas se gritamos "ele não"... Então, quem?

Todo ano eleitoral ouvimos as mesmas promessas vazias de renovação da política, indignação 
com a situação atual, que a mudança deve vir por meio das urnas, e que o voto nos garante 
nossas demandas. Contudo, por mais que troquemos os engravatados ao longo dos anos, não há 
uma transformação real na maneira como estruturamos nossa sociedade e como o trabalho dos 
de baixo resulta em enriquecer os de cima.

Nas eleições, são empresas privadas que financiam as campanhas dos candidatos, e, na 
prática de governo, vemos que os interesses representados pelos sujeitos que foram eleitos 
não são os do povo que elegeu: um conjunto restrito de grandes empresários, banqueiros, 
latifundiários e poderosos que garantem, com o financiamento das campanhas eleitorais, que 
suas vontades sejam defendidas, seus privilégios perpetuados e seus lucros expandidos.

Nós, os de baixo, precisamos dos serviços públicos de saúde, educação e transporte que são 
desvalorizados e sucateados; convivemos com o alto desemprego e vemos as condições 
desumanas de trabalho; vemos os alimentos e produtos com preços cada vez mais elevados 
enquanto nosso salário permanece o mesmo ou até chega a encurtar... Enquanto isso, os de 
cima, que foram eleitos para "nos representar", não demonstram ter as mesmas prioridades 
que nós.

NOSSAS URGÊNCIAS NÃO CABEM NAS URNAS!

Uma vez eleitos, as pautas que defendem colaboram com a privatização das instituições 
públicas e priorizam pagar a dívida pública para instituições financeiras mundiais. Além 
disso, corroboram com a desapropriação de indígenas, quilombolas e povos do campo de suas 
terras, favorecendo latifundiários para fortalecer o agronegócio. Nossas mulheres são 
assoladas por indíces alarmantes de violência doméstica, abuso sexual, aborto clandestino 
e femicídio, ainda mais preocupante quando se tratando de mulheres pretas, periféricas e 
transsexuais.

  Nota-se que os governantes servem à manutenção da estrutura de opressão e dominação dos 
de baixo, e é contra tudo isso que devemos nos organizar para construir a luta popular! E 
mesmo os governos ditos de esquerda, como o PT no Brasil, perpetuaram o mesmo fazer 
político reprodutor da lógica liberal, sucateando a educação e saúde públicas. Isso 
propiciou o desmonte do SUS, das escolas e universidades brasileiras, que sofrem com a 
terceirização, ameaças de privatização e os cortes históricos que se intensificaram.

  Incentivos ao avanço da iniciativa privada na educação, como PROUNI e FIES, enriqueceram 
grandes empresários e endividou milhares de jovens, escolhendo subsidiar educação privada 
em vez de ampliar a educação pública de forma qualitativa. Os planos de saúde privados se 
multiplicam, sofremos as consequências da EC do Teto de Gastos, reforma do ensino médio, 
dos cortes das bolsas, da privatização dos hospitais universitários e terceirização 
irrestrita.

Assim como não acreditamos que ir às urnas vá nos dar uma vida digna, também não podemos 
nos limitar a anular o voto. Pois, para nós, é a organização do povo em movimentos sociais 
combativos e autônomos, inserindo a participação e a ação direta em nosso cotidiano, sem 
nos limitarmos a contribuir a partir da democracia representativa - pois não acreditamos 
que ela tenha a capacidade de garantir todas as nossas demandas. Nossas conquistas 
históricas de direitos, como a jornada de 8h de trabalho, a universidade pública e 
gratuita, dentre outras, são frutos de mobilizações populares, greves, atos de rua, 
ocupações... Ou seja, de ação direta!

De acordo com a nossa perspectiva, é a luta cotidiana, que deve carregar consigo 
princípios antiracistas, antimachistas, antifascistas e anticapitalistas, que tem o 
potencial de barrar o avanço do pensamento fascista e a perpetuação das injustiças sociais 
que se consolidam por meio de políticas públicas que corroboram para o genocídio da 
população preta e pobre no nosso país. Independentemente de qual candidato venha a ser 
vitorioso nessas eleições, historicamente observamos que a manutenção dos valores do 
machismo, racismo, LGBTfobia e capacitismo fizeram parte da forma como os governos se 
estruturam ao longo do tempo. Isso evidencia como o Estado se apropria desses valores 
homicidas para manter intacta sua estrutura de dominação e exploração, e, dessa forma, 
sustentar o sistema capitalista mesmo com suas inúmeras e escancaradas contradições. E é 
por isso que devemos pautar a luta contra todas as formas de opressão desde hoje, para que 
no seio das lutas sociais a gente cultive novas estruturas, que sejam pautadas na equidade 
de direito à voz, de direito à vida digna.

E é por isso que convidamos a todas e todos para que se juntem a nós na construção do 
mundo que queremos, com as nossas próprias mãos!

NOSSA LUTA É LADO A LADO COM OS DE BAIXO,

E NÃO VOTANDO NOS DE CIMA!

LUTAR E VENCER O FASCISMO NAS RUAS!
NOSSAS URGÊNCIAS NÃO CABEM NAS URNAS!
A VIDA SÓ MUDA COM RESISTÊNCIA E LUTA!

https://quebrandomuros.wordpress.com/2018/10/01/lutar-e-vencer-o-fascismo-fora-das-urnas/


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