(pt) uniao anarquista UNIPA: Causa do Povo n° 78: Violência, encarceramento e extermínio: a guerra ao povo e as estratégias de resistência

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Quinta-Feira, 4 de Outubro de 2018 - 08:31:55 CEST


1. A face racista do extermínio do povo ---- A marcha fúnebre prossegue exterminando a 
população pobre e negra de todo o país. A guetificação, o encarceramento e o extermínio se 
aliam aos projetos de militarização da periferia e de aumento do Estado Penal 
Repressor.---- Esse processo foi capaz de se intensificar nos anos de governos do PT, com 
a implementação da Força Nacional de Segurança, militarização das periferias e mais uma 
série de medidas antipovo que, por exemplo, criminalizam e condenam Rafael Braga e os 23 
militantes políticos perseguidos por terem participado das manifestações populares de 2013 
e 2014 no Rio de Janeiro.---- O genocídio do povo negro e da juventude pobre é mais uma 
expressão do contexto de guerra que se abate sob as periferias, favelas e campo. Os 
índices de violência demarcam a superexploração e os processos de segregação do povo 
negro, manifestando-se através do terrorismo de Estado, execuções sumárias e chacinas.

No Estado do Ceará, os 7 primeiros meses do ano de 2018 registraram 7 chacinas e 2.380 
assassinatos. As principais chacinas, no Ceará e no Brasil, possuem dentre os elementos em 
comum, a execução pela polícia e facções organizadas.

De acordo com o Atlas da Violência (2018), 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada 
ano no país são pretas. Contrariando as supostas políticas públicas de representatividade 
propagandeadas pelo PT durante as campanhas eleitoreiras, em uma década, entre 2006 e 
2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%.

2. Mulheres do povo e as múltiplas violências

O cotidiano das mulheres da periferia é demarcado pelas diferentes formas de violência que 
se manifestam a partir do machismo estrutural e institucional. Assédios, estupros, 
humilhações e ameaças: seja na rua, emprego e mesmo em casa. O ajuste fiscal e as reformas 
neoliberais atingem de forma intensificada as mulheres do povo. A opressão patriarcal faz 
parte da opressão de classe.

Os sistemas de opressão, física, moral e sexual, vão também indicar que as mulheres negras 
e periféricas vivem um processo deliberado de extermínio. São essas mulheres que vivenciam 
triplas e quadruplas jornadas de trabalho, vivem a violência obstétrica, encampam a 
resistência contra despejos e desocupações na luta por moradia e choram o extermínio de 
seus filhos pelas "balas perdidas" da polícia.

Ainda segundo o Atlas da Violência (2018), o período entre 2006 e 2016 registrou a taxa de 
homicídios de mulheres negras como de 71% superior à de mulheres não negras. Como uma das 
expressões desse dado aliado ao aumento de um narcoestado, tivemos o assassinato de 
Marielle Franco no Rio.

O Atlas indica que em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no país, o que representa 
uma taxa de 4,5 assassinatos para cada 100 mil brasileiras. Em dez anos, observa-se um 
aumento de 6,4%. Nos seis primeiros meses de 2018, 229 mulheres foram assassinadas no 
Ceará. No Estado, houve também um aumento no número de mulheres mortas em chacinas. No 
primeiro semestre de 2017, as mulheres eram 10,7% do total de pessoas vítimas de chacina 
no Ceará; em 2018, elas representam 28,2% das vítimas desse tipo de crime.

O Estado é misógino, racista e Lgbtfóbico e a própria categorização de um crime como 
feminicídio ainda não é amplamente reconhecida pelo Estado penal brasileiro. Além disso, a 
cada 19 horas um LGBT é assassinado ou se suicida vítima da LGBTfobia, o que deixa o 
Brasil no topo mundial desse tipo de crime. De 2011 para 2016, houve crescimento de 90,2% 
nas notificações de estupro no país.

3. Forjar nossas estratégias de resistência

Os dados da violência no Brasil apontam que estamos em guerra: por melhores condições de 
trabalho, moradia, subsistência e contra o Estado e a Burguesia. Para os setores 
conservadores a saída para o aumento da violência urbana é a intervenção militar, que já 
existe nas periferias e favelas.

A esquerda institucional permanece na tentativa de enganar o povo e afirma que a 
representatividade de negros/as e mulheres no parlamento pode modificar o quadro de 
genocídio e extermínio dos pobres pelas vias eleitoreiras. Não pode.

Apenas a construção dos mecanismos de autonomia e autodefesa atrelados às perspectivas de 
desenvolvimento do sindicalismo revolucionário podem reorientar o ódio do povo para uma 
direção insurrecional que permita nossa libertação. Acabar com a guerra do povo contra 
povo, direcionar nossa energia contra os exploradores do povo: "paz entre nós, guerra aos 
senhores".

É preciso impulsionar lutas comunitárias travadas nos bairros, escolas, favelas e nas 
ruas. O fortalecimento do povo deve apontar os seus verdadeiros inimigos, resgatando sua 
combatividade e organização.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/09/11/violencia-encarceramento-e-exterminio-a-guerra-ao-povo-e-as-estrategias-de-resistencia/


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