(pt) anarkismo.net: O Estado policial de ajuste avança, deste vez, contra estudantes e trabalhadores universitários by Coordenação Anarquista Brasileira - CAB

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Quinta-Feira, 1 de Novembro de 2018 - 06:40:45 CET


Na última semana e com mais intensidade no dia de hoje, Polícia Federal, Justiça 
Eleitoral, Ministério Público Eleitoral e Tribunais Regionais Eleitorais fizeram uma 
ofensiva contra a liberdade de expressão de norte a sul pelas Universidades brasileiras. 
---- Pelo estado do Rio Grande do Sul foram pelo menos três intervenções buscando censurar 
atividades em defesa da democracia e contra o avanço do fascismo, representado pelo 
chamado #EleNão: na UNISINOS-São Leopoldo (17/10), na UFRGS (23/10) e na UFFS-Erechim 
(25/10). ---- No estado do Rio de Janeiro a retirada arbitrária de uma bandeira 
antifascista da UFF (Niterói-RJ) pelo TRE-RJ. Relatos também apontam invasões à sedes 
sindicais (SEPE-RJ) e outras universidades, como UERJ, UniRio (Rio de Janeiro) e UCP 
(Petrópolis-RJ).

No estado do Pará, na UEPA, no campus de Igarapé Açu, um professor teve sua aula encerrada 
por policiais pelo simples fato de estar falando sobre fake news. E ainda tivemos 
militantes sociais detidos por realizar panfletagens e colar cartazes no centro de Belém.

Hoje ficou evidente que se trata de ações orquestradas da mesma sanha repressiva das 
instituições do Estado na UFJS (MG) e na seção sindical do ANDES-SN em Campina Grande 
(PB). UEPB, UFMG, Unilab (Palmares), Unilab-Fortaleza, UNEB (Serrinha-BA), UFU 
(Uberlandia-MG), UFGD e UFG.

Estas ações orquestradas têm como único intuito o de cercear o debate que vem sendo 
construído pelos movimentos sociais com o objetivo de barrar o avanço conservador de 
tendência protofascista. Com a desculpa "legal" de "evitar atividade eleitoral irregular", 
estas ações corroboram com o projeto que quer destruir os poucos direitos conquistados que 
temos, na base da proibição da ação da classe trabalhadora. Demonstram que a justiça 
burguesa estará sempre ao lado dos poderosos e sempre toma partido, nas disputas internas 
e contra os espaços de trabalhadores e estudantes.

Estudantes e trabalhadores de Universidades, especialmente, são o alvo da vez do que temos 
denominado Estado Policial de Ajuste que se impõe na cena a golpes de toga, pela exceção 
do ativismo jurídico-policial carniceiro e punitivista. Trata-se do uso dos mecanismos 
legais de viés autoritário gerados no interior do chamado "Estado de Direito" ao longo de 
todos esses anos, em todos os governos de turno depois da Constituição Federal. Portanto, 
não é à toa que juristas se reúnam para apoiar explicitamente a Jair Bolsonaro, como a 
assinatura do documento e ato que ocorreu em São Paulo com a presença dos setores mais 
reacionários da casta togada.

O mesmo Estado que para o povo pobre e negro nunca garantiu direitos, avança na direção de 
intervir politicamente na reta final das eleições, diminuindo cada vez mais o espaço de 
atuação pública, demonstrando, como as eleições ocorrem sob um ambiente fraudado que não 
se esgota nas urnas.

A Coordenação Anarquista Brasileira se solidariza com as e os militantes atingidos por 
mais este golpe nos direitos e desde já alerta para a importância de nos mantermos atentos 
e firmes para muito além das eleições. É tempo de resistir, se solidarizar e organizar 
desde as bases para enfrentar o ajuste e a repressão que seguem se aprofundando. Sem 
nenhuma fé nas instituições burguesas e na democracia do capital.

Precisamos nos organizar para além da defesa da democracia burguesa e construir a partir 
dos espaços classistas e dos/as de baixo, processos de resistência permanentes contra 
esses ataques.

Lutar contra o fascismo e a retirada de direitos!

https://www.anarkismo.net/article/31182


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