(pt) Não queremos apenas a baixa do preço do combustível por 30 dias - queremos parar os ataques contra a classe trabalhadora por Pró-Organização Específica Anarquista (OEA)

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Quarta-Feira, 30 de Maio de 2018 - 08:01:31 CEST


Somente uma Greve Geral por tempo indeterminado, construída no seio das mobilizações por 
hora pontuais e fragmentadas, é que poderá impedir o ataque dos patrões, dos governos e de 
todos aqueles que querem destruir nossos direitos sociais, trabalhistas, previdenciários, 
nossos salários, empregos, condições dignas e justas de vida. ---- Há 6 dias, iniciou-se a 
greve dos caminhoneiros. Porém, na verdade, o mais certo é dizer que ela se inicia bem 
antes, ainda no contexto de desastroso pacote de Ajuste Fiscal de Dilma Rousseff em 2015: 
fruto do programa econômico de Joaquim Levy, o pacote de austeridade daquele contexto 
pautava a defesa dos monopólios estrangeiros e a aplicação à risca da doutrina dos 
banqueiros. O resultado não poderia ser outro: uma profunda crise de desemprego, corte nos 
investimentos públicos, retirada de direitos trabalhistas, alterações no Seguro 
Desemprego, no PIS/PASEP e nas pensões - os primeiros ensaios da reforma trabalhista, 
terceirização e reforma da previdência.

Naquele contexto, em 2015, os caminhoneiros se encontravam endividados (lembremos-nos da 
medida de redução do IPI para automóveis, que na realidade, foi um pacto do governo 
petista com a indústria automobilística que simplesmente expandiu a oferta e venda de 
caminhões) e consequentemente iriam amargar o encarecimento do óleo diesel (política de 
preços da Petrobrás alinhada com as exigências dos acionistas e refinarias estrangeiras 
que operam na dinâmica do dólar) e a queda dos fretes (principalmente os caminhoneiros 
autônomos (que tem caminhão próprio) e aqueles que possuem pequenas frotas). Esta greve, 
embora semelhante à anterior de 2015, é mais profunda, pelo fato da política de preços da 
Petrobrás ser hoje mais dura para os caminhoneiros, com relação a tributação e impostos em 
cima do combustível, que se torna insuportável para a grande parcela de caminhoneiros 
autônomos circularem (o movimento exige a redução para 2, 30 o litro, a atual média é de 
3,79 e com a desoneração oferecida pelo governo fica à 3,50).

A greve, enfrenta de forma direta o governo Temer. Na verdade, vai mais além: expõe o 
esquema criminoso que há entre acionistas, refinarias estrangeiras, a agiotagem dos 
proprietários de postos de combustíveis, a conivencia do governo que por sua vez não 
fiscaliza. Escancara para todos, os efeitos da nefasta política de preços do combustível, 
que só pode levar ao encarecimento e prejuízo no bolso do consumidor final, mas o 
principal, coloca em xeque a irresponsabilidade que representa o projeto dos abrutes, de 
privatização da Petrobrás. A greve, também enfrenta as empresas, uma vez que elas não 
querem reajustar o preço do frete, que faz com que os caminhoneiros parem de transportar 
as mercadorias. No fim das contas, toda a produção capitalista é afetada com os 300 mil 
caminhoneiros paralisados.

Entretanto, não é apenas a baixa do preço dos combustíveis que devemos exigir do governo 
canalha. Devemos exigir, ou melhor, fazer por nossas próprias mãos, a luta contra a Temer 
e seu governo, que tem única função de atender os interesses dos ricaços e destruir nossos 
salários, direitos e impor a piora generalizada nas condições de vida da população pobre. 
Os recentes golpes que nós sofremos na pele, como a Reforma Trabalhista, a Terceirização e 
o perigo da Reforma da Previdência - que logo dará suas caras novamente - além da 
desvalorização salarial, carestia de vida e crescente repressão (a esta altura, Temer 
autoriza o uso de força dos militares e decreta nova Intervenção Militar), nos tira muito 
mais que apenas a possibilidade de abastecer o carro.

Nós precisamos enxergar que o único caminho contra todo este "estado de coisas" é o 
caminho da luta de classes, uma luta que envolva sempre o conjunto amplo dos trabalhadores 
para defender o mínimo de seus direitos. Os caminhoneiros estão sacudindo o país, agitando 
a inércia política que paira nas ruas brasileiras. É hora de romper com as cercas que nos 
dividem, nos reconhecer como classe trabalhadora e pobre, e construir, sem cair na ilusão 
de classe que são as eleições e outras distrações, uma greve geral de tempo indeterminado. 
Os caminhoneiros não estão sozinhos nessa, outras categorias de trabalhadores estão 
aderindo: professores da SEMED em Manaus sinalizam estado de greve, em São Paulo se 
iniciam mobilizações também de professores, manifestações de metalúrgicos no ABC paulista, 
rodoviários se manifestam em Salvador, Petroleiros também apontam paralisações, algumas 
universidades públicas estão em greve ou em processos de ocupações, como é o caso da UnB, 
UFABC, UFMT, USFCAR, UFAC, USP, UNESP e UNICAMP. É momento de superar de vez a burocracia 
sindical instalada nos sindicatos e as diretorias alijadas à via da conciliação. 
Radicalizar a luta de classes brasileira é preciso.

Todo apoio à Greve dos caminhoneiros!

Contra a privatização da Petrobrás!

Contra a Intervenção Militar!

Fortalecer as mobilizações contra o ataque do governo!

https://anarquismoam.wordpress.com/2018/05/26/nao-queremos-apenas-a-baixa-do-preco-do-combustivel-por-30-dias-queremos-parar-os-ataques-contra-a-classe-trabalhadora/


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