(pt) uniao anarquista UNIPA: Causa do Povo Nº 77 - O caminho se faz ao andar... Mas o destino não: a contribuição da UNIPA ao anarquismo e sindicalismo revolucionário no Brasil

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Sábado, 19 de Maio de 2018 - 09:58:44 CEST


Em 2003 a UNIPA se lançou como organização revolucionária. Naquele ano rompíamos com o 
processo de construção representado pela Coordenação Anarquista Latinoamericana/ CALA 
(liderada pela FAU) e com o Fórum do Anarquismo Organizado (FAO). Nessa ruptura 
apontávamos que o projeto da CALA/FAO estava fadado á marginalidade, teórica e de massas. 
Apontamos que o bakuninismo deveria ser adotado como teoria e programa revolucionários. 
Apontamos a necessidade de uma autocrítica histórica, reconhecendo a degeneração do 
"movimento anarquista" e sindicalista, sua crise e declínio. Apontamos que um tema era 
inescapável: a capitulação da CNT-FAI, a maior experiencia de rganização anarquista de 
massas, na guerra civil espanhola. Que essa autocrítica era também uma forma de construir 
uma linha de massas para os novos tempos.

Sofremos por isso diversos ataques. Fomos acusados de estar "inventando" o bakuninismo; de 
sermos sectários por fazer críticas ao santo "movimento anarquista"; fomos acusados 
sucessivamente sermos um grupo de intelectuais, depois de não sermos intelectuais, de não 
termos atuação de massas, depois de apenas atuar nos "sindicatos" e não nas "favelas", por 
fim fomos acusados de querer ser os anarquistas verdadeiros e por isso fomos acusados de 
não sermos anarquistas, mas sim "bolcheviques".

Queremos aqui recuperar os dez anos de história da contribuição anarquista as lutas dos 
oprimidos e dos trabalhadores do Brasil. Também a nossa contribuição teórica inovadora.

Sobre a teoria anarquista.
Em 2003, quando lançamos a palavra de ordem do bakuninismo, Bakunin estava ainda na 
marginalidade da pesquisa histórica. Pouca documentação existia disponível no Brasil. Mas 
a história fez com que nesse período a obra de Bakunin, e as pesquisas sobre o mesmo, 
fossem redescobertas. Assim, em vários países do mundo surgiram pesquisas que confirmavam 
as nossas principais teses. A principal delas era a contibuicao central da organização 
anarquista para o desenvolvimento do sindicalismo em todo mundo. Assim, longe de ser uma 
"novidade" histórica, a relação dialética entre organização anarquista e organização de 
massas era o ponto de partida da história do anarquismo. Isso possibilitou uma reescrita 
da história do anarquismo, mostrando que o mito do "movimento" anarquista como síntese de 
correntes (individualismo, comunismo e anarcosindicalismo) era uma invenção que deveria 
ser combatida. O bakuninismo foi reconhecido como fenômeno histórico e como teoria, ao 
contrário do que o "movimento anarquista" afirmava, tentando colocar Bakunin numa posição 
menor,e assumindo as acusações do marxismo de que o mesmo não tinha um pensamento 
revolucionário próprio.

Sobre o sindicalismo revolucionário.
A UNIPA deu uma grande contribuição também as lutas e organização os trabalhadores. Na 
prática, fomos o setor dentro da CONLUTAS que fez uma oposição de esquerda entre 2005- 
2010, denunciando a burocratização e política oportunista do PSTU. Montamos diversos 
blocos nos Congressos, denunciamos a integração no sindicalismo de Estado. Impulsionamos, 
em 2010 dentro do Congresso de liquidação da Conlutas a criação do Fórum de Oposições pela 
Base, que se tornaria em 2013, no I Enopes, uma proposta de organização sindicalista 
revolucionária. Fomos nós que levamos para o movimento sindical as palavras de ação direta 
e greve geral entre 2013 e 2014, a partir das greves de professores e profissionais da 
educação, e estas palavras de ordem ganharam a boca das massas a partir de 2015.

Dentro das lutas das categorias, promovemos a solidariedade de classes e conseguimos 
contra as direções sindicais fazer com que vários sindicatos tivessem de participar em 
alguma medida de lutas do período de 2013-2014, especialmente do "Não vai ter copa", e da 
solidariedade a resistência da Aldeia Maracanã, da Favela da Telerj e várias outras. Fomos 
nós que apontamos a necessidade de construir o sindicalismo revolucionário como 
alternativa de massas no Brasil, proposta abraçada por valorosos e sinceros companheiros 
de diferentes concepções políticas e ideológicas.

A história agora nos brinda com uma oportunidade. Cruzando essas duas contribuições, há 
agora em curso um processo de autocrítica internacional liderado por setores da CNT 
espanhola. Eles estão propondo uma ruptura com a linha revisionista que dominou a CNT 
entre 1986 e 2010 e apontam para a necessidade de questionar a capitulação histórica 
durante a guerra civil espanhola, e com isso apontam para a necessidade de reconstrução 
internacional do sindicalismo revolucionário. Esse processo apenas mostra a importância 
das decisões e orientações assumidas pela UNIPA. Hoje podemos com orgulho no Brasil ter 
uma contribuição teórica e prática para esse processo internacional.

Mas reconhecer isso não é uma forma de arrogância e autoelogio. E reconhecer que esses 
avanços foram resultados de um estado de espírito de entrega revolucionária á causa e de 
um método correto de organização. E é com o mesmo estado de espirito revolucionário e 
método de construção que nos lançamos ao próximo período. Com a certeza que o caminho se 
faz ao andar, mas que os objetivos e o destino são traçados coletivamente antes da caminhada.

Texto publicado no Causa do Povo, Edição Nº 77 - Abril/Maio de 2018
Leia a edição completa AQUI https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2018/05/c77.pdf

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/05/10/o-caminho-se-faz-ao-andar-mas-o-destino-nao-a-contribuicao-da-unipa-ao-anarquismo-e-sindicalismo-revolucionario-no-brasil/


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