(pt) uniaoanarquista UNIPA: Causa do Povo Nº 77 - Crise Social no Rio de Janeiro

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Sexta-Feira, 18 de Maio de 2018 - 09:06:27 CEST


A crise social no Rio de Janeiro não chama atenção. Somente parte de seus desdobramentos, 
principalmente o Roubo de Carga. Antes do início da austeridade, ainda no governo Dilma 
(PT) a miséria (extremamente pobres, aqueles com renda mensal inferior a 70 reais em 2011, 
o equivalente a 1,25 dólar por dia, critério usado à época pelo Banco Mundial) atingia 
1,3% da população fluminense em 2014, e passou a afetar 2,9% em 2016, um total de 480 mil 
trabalhadoras e trabalhadores que viviam na extrema miséria. Os trabalhadores na pobreza 
(viver com até 140 reais mensais, 2,50 dólares por dia) aumentou também. Atingia 5,5% da 
população em 2016, o maior índice em oito anos.

O desemprego tem aumentando em todo o país, com a manutenção dos altos índice de 
trabalhadoras e trabalhadores na informalidade, que deve aumentar com as mudanças na 
legislação trabalhista. Enquanto o índice de desemprego medido pelo IBGE deve girar em 
torno de 12%, no caso do Rio de Janeiro esse índice está em torno de 15%. Para as 
trabalhadoras mais pobres esse índice chega até 33%. O número de trabalhadoras com 
benefícios assistenciais, como Bolsa Família, tem caído no Estado. De 2014 para 2017 foram 
menos 50 mil.

A austeridade da política econômica do governo federal, combinada com a política econômica 
do governo estadual e os impactos corrupção e da lava jato na economia do Estado, como no 
setor naval, construção civil e petróleo-gas e o impacto da diminuição do preço do 
petróleo aumentou ainda mais a crise social no Estado. Trabalhadores da Educação estão a 
mais de dois anos recebendo atrasado e com o salário defasado. Sem contar a precariedade 
da condição de vida da maioria das trabalhadoras e trabalhadores do Estado, que vivem em 
péssimas condições de moradia.

A Violência: Extermínio e encarceramento em massa da juventude negra.
Soma-se ao quadro de crise social a violência cotidiana e o alto número de assassinatos, 
ainda que estes tenham diminuído nos últimos 20 anos. Mas o conflito entre forças 
policiais, facções criminosas e milícias já faz parte do cotidiano das trabalhadoras e 
trabalhadores da cidade. E esse conflito afeta principalmente a juventude negra das 
favelas e periferias que tem sido assassinada e encarcerada em massa.

As classes dominantes mantém o alto nível de exploração e de opressão para conter a 
população. Baixos salários, péssimas condições de moradia e trabalho. O comércio de drogas 
se torna mais um local de trabalho para uma grande parcela da juventude negra. O aumento 
do conflito entre facções e entre polícia e facções tem tornado diários os tiroteios por 
toda cidade e região metropolitana do rio. Principalmente dentro de um contexto de 
falência do projeto de UPP, como já havíamos abordado, e de reconfiguração do tráfico de 
drogas nacional e carioca.

A recente intervenção federal militar nada tem a ver com redução de índices criminais ou 
com melhoria de vida das trabalhadoras e trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro, 
principalmente das favelas. Esta intervenção se iniciou num cenário que combina muito mais 
uma jogada política do Governo Federal articulado por Michel Temer, seu assessor Moreira 
Franco, o atual ministro da Segurança Pública Raul Jungman, o Ministro da Justiças 
Torquato Neto e do chefe do Gabinete Segurança Institucional, Sergio Etchogoyen, este a 
voz militar que defende mais abertamente a ação das forças armadas. Essa jogada tem haver 
com o fracasso da reforma da previdência, necessidade de mudança da agenda política para 
as eleições, rearticulação do crime e roubo de cargas.

Dando apoio politico e solicitando cada vez mais intervenção, está a FIRJAN e 
FETRANSCARGA. Com a crise economica houve um aumento do roubo de carga. As duas federações 
tem desde 2016 pressionado o governo federal para uma maior atuação. Não por acaso foram 
as primeiras associações burguesas a defenderam a intervenção federal.

Segundo dados do ISP o estado do Rio de Janeiro sofreu um aumento do roubo de cargas: 
foram 10.599. Em relação ao ano de 2014, antes do inicio das políticas de austeridade esse 
casos dobraram. O rio concentra 43% das incidências de roubo de cargas nacional. Segundo a 
FIRJAN o custo desse tipo de crime em 2017 para o estado do Rio de Janeiro foi de R$ 607,1 
milhões, afetando também os ganhos do capital e sua circulação. Em 2017 o Sistema FIRJAN, 
em conjunto com mais de 100 entidades, liderou o Movimento Nacional Contra o Roubo de 
Cargas5 - carta do Rio de Janeiro exigindo maior atuação do governo federal, o que levou a 
intervenção por meio GLO, que segundo a FIRJAN e o ISP diminuíram os roubos de carga.

A intervenção federal no rio de janeiro nada tem a ver com com proteção da vida dos jovens 
negros, mas sim defesa do capital e das artimanhas políticas com vistas eleitorais. A 
repetição da intervenção militar nas favelas e periferias só muda em um aspecto em relação 
as intervenções passadas, seja do PSDB ou do PT, são agora mais centralizadas e aumentam o 
protagonismo dos militares e da ala mais abertamente defensora da proatividadse das forças 
armadas na chamada segurança pública. As negras e negros das favelas e periferias teremos 
mais repressão, violência, desaparecimentos, assassinatos e desrespeito.

Texto publicado no Causa do Povo, Edição Nº 77 - Abril/Maio de 2018
Leia a edição completa AQUI https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2018/05/c77.pdf

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/05/10/crise-social-no-rio-de-janeiro/


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