(pt) uniao anarquista UNIPA: Causa do Povo Nº 77 - Educação no Brasil: Traços de um projeto pedagógico para a periferia do capitalismo

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Terça-Feira, 15 de Maio de 2018 - 07:07:38 CEST


Leia a edição completa AQUI https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2018/05/c77.pdf 
---- A estrutura e organização do modelo de educação formal se estabelece de modo 
contraditório:conduz à falsa ideia de que o acesso à determinadas etapas do ensino 
sistematizado deve se estabelecer através de esforços individuais, e é fundamental para o 
desenvolvimento econômico particular e coletivo, ao mesmo tempo em que dificulta o acesso 
e a permanência do povo à estrutura educacional reconhecida como válida. ---- Assim, é 
necessário frisar três elementos: sempre que estudantes do povo conseguem atravessar e 
concluir todas as etapas da Educação Básica e do Ensino Superior, estes o fizeram à duras 
penas, caracterizando um processo de resistência que deve ser reconhecido, mas não 
romantizado e associado à meritocracia.

O outro elemento a ser reforçado, é o de que todos os saberes que não são centralizados 
por parâmetros nacionais e internacionais são invalidados ou considerados inferiores. Por 
fim, o que deve ser direcionado para os setores que compõem a periferia, deve ser um 
modelo educacional gestado por bases empresariais, tecnicistas, meritocráticas e 
punitivas. Com base nisso, a gestão de Michel Temer, desde o processo que foi 
caracterizado como golpe institucional vem aprofundando alguns aspectos do projeto de 
precarização da educação pública já presentes em governos anteriores.

A Reforma do Ensino Médio, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) o novo projeto de 
Residência Docente e fim do PIBID, são apenas alguns exemplos que apontam a condução da 
nossa Política Educacional. A Reforma do Ensino Médio fincada em bases empresariais, 
aumenta a carga horária para essa etapa da Educação Básica com foco em uma formação 
tecnicista que atenda às demandas do mercado.

A aprovação da BNCC é orientada pelos Organismos Internacionais e baseada nas noções de 
"competências", como foco do ensino. Uma vez que centraliza os conteúdos que devem ser 
reproduzidos, padroniza modelos de avaliação meritocráticos e direciona ainda menos 
importância aos saberes específicos e tradicionais.

A Residência Docente, posto como projeto de modernização do PIBID, indica que a prática 
docente nas escolas públicas realizada por estudantes de cursos de formação de 
professores, não serão necessariamente mediados pela garantia de bolsas remuneradas. Esses 
elementos articulados à constante precarização do trabalho docente e sucateamento das 
instituições públicas, indicam que temos que lutar para a garantia qualitativa do acesso 
ao ensino público e gratuito para o povo, mas também organizar formas de reprodução e 
validação de saberes autônomos e insurgentes.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/05/10/educacao-no-brasil-tracos-de-um-projeto-pedagogico-para-a-periferia-do-capitalismo/


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