(pt) [Colômbia Bogotá, 30 de abril de 2018] O medo da primavera By A.N.A.

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Domingo, 13 de Maio de 2018 - 17:20:02 CEST


Na noite de 27 de abril do presente ano, quando uma das nossas flores estava na companhia 
de sua parceira, um par de sujeitos lhes ameaçaram. A ameaça, acompanhada com armas de 
fogo, consagra a "limpeza social" que estas pessoas estavam realizando. A flor e sua 
parceira, visivelmente atentando contra a norma heterossexual, foram então objeto de dita 
limpeza, disposta a eliminar qualquer desvio dos bons costumes tradicionais que sustentam 
o patriarcado. Perante este cenário e sentindo a ameaça, a opção mais sensata foi sair do 
lugar e buscar refúgio noutra parte, perdendo assim a possibilidade de ser e estar com 
quem e onde se quer. ---- Este ato macabro é sintomático de um momento conjuntural que se 
está vivendo na Colômbia. A onda reacionária que atravessou o continente tem repercussões 
legais na perseguição daquelas que tentam desestabilizar a ordem patriarcal e capitalista. 
Os discursos de ódio, vassalos do fantasma da ideologia de gênero legitimaram a ideia de 
que está bem "recuperar as ruas", de que está bem "eliminar os doentes", de que está bem 
"matar os diferentes". Assim como sistematicamente se eliminam os líderes e as lideranças 
comunitárias, agora nas cidades começou a limpeza dos que incomodam, dos que provocam, dos 
que criticam, e até, dos que amam.

Entre 2013 e 2018 registraram-se mais de 440 assassinatos de pessoas com sexualidades não 
hegemônicas na Colômbia. Sem contar com os casos que não entram nestas estatísticas, isto 
demonstra a força que conseguiram os discursos homofóbicos neste país. Paradoxalmente, 
este período coincide com mais garantias institucionais como o matrimônio e a adoção que 
algumas organizações LGBT têm vindo impulsionando em alguns partidos políticos. Isto 
evidencia, que embora as garantias legais tenha um valor intrínseco na possibilidade de 
acesso a determinadas instituições, estes "triunfos" são vazios se não estão ligados a um 
movimento forte, de base, que questione e transforme o machismo imperante em grande parte 
da sociedade.

Nestes processos educativos de base, desde a raiz, que as flores trabalham para 
transformar essa alienação que sofrem os corpos todos os dias. Acreditamos que através 
destas ferramentas políticas é possível enfrentar a violência machista que se vive no 
coração das pessoas, incluindo nos nossos próprios corações. Embora tememos por nossa 
segurança, recusamo-nos a ser ameaçadas por estas vias táticas, que foram usadas pelos 
machos desde muito tempo para calar quem se atreve a viver de maneira diferente e lutar 
por mundos novos.

Não nos vão arrancar deste jardim, que passo a passo, e pouco a pouco construímos. 
Convidamos a todas as pessoas que partilhem os nossos sonhos que se unam conosco, pois só 
juntando as forças e rebeldias podemos construir espaços seguros e dignos para todos.

Temos a segurança que a dita união solidária germinará selvas que trarão uma primavera com 
aroma a revolução.

Coletiva Libertária Severas Flores

Fonte: http://severasflores.grupovialibre.org/2018/04/30/el-miedo-a-la-primavera/

Tradução > Rosa e Canela


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