(pt) 1º DE MAIO: um dia de Luta, um dia de origem Anarquista! por Pró-Organização Específica Anarquista (OEA)

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Sexta-Feira, 11 de Maio de 2018 - 08:35:13 CEST


Um breve lembrete histórico: ---- Em 1886, num Sábado de 1º de Maio nos Estados Unidos, 
mais de 340.000 trabalhadores/as iniciaram uma greve geral que simplesmente paralisou 
cerca de 12.000 fábricas e oficinas em todos os Estados Unidos. Estavam lutando pra 
conseguir as 8 horas de trabalho, dentre outros direitos. Em 03 de Maio, fora planejada 
uma reunião nas fábricas McCormick, e ali se deu graves confrontos com a polícia e guardas 
privados, que protegiam as fábricas e as mercadorias dos "demolidores" que faziam a greve. 
A polícia usou armas de fogo contra a multidão e causou a morte de quatro trabalhadores. 
---- No dia 04 de Maio, toda a cidade de Chicago estava em greve e uma gigantesca 
manifestação foi convocada para a Haymarket Square à noite. A manifestação, que era 
pacifica, pairava um clima de tensão e perigo. Ao final da manifestação, a polícia começa 
a agredir alguns trabalhadores, é quando uma bomba estoura no local onde estavam os 
policiais, que revidaram atirando. O resultado é uma dezena de feridos, alguns civis e 
policiais mortos, mais de cem manifestantes presos e muita repressão. Tudo isto 
desencadeia na imprensa burguesa uma histeria pedindo a prisão e condenação dos 
trabalhadores, o que leva o governo a aplicar a tal "Lei Marcial".

Para acalmar os ânimos da imprensa e satisfazer a sede por sangue da burguesia, a polícia 
realizou um verdadeiro "espetáculo" midiático: acusou de conspiração e prendeu oito 
anarquistas, dos quais apenas dois estavam presentes no momento da explosão. Mas do que 
importa a inocência dos pobres e miseráveis? Iniciou-se em 21 de Junho de 1886 um 
julgamento que terminou em 20 de Agosto com a sentença de morte dos acusados. Foram 
condenados: Oscar Neebe, Michael Schwab, Samuel Fielden, Louis Lingg, August Spies, George 
Engel, Adolf Fischer e Albert Parsons, todos Anarquistas. Um enorme movimento 
internacional de protesto se levanta contra a injusta prisão e condenação destes 
trabalhadores.

Com isto, as sentenças de morte de Michael Schwab, Oscar Neebe e Samuel Fielden são 
comutadas para prisão perpétua (sendo perdoada anos depois em 1893). De forma triste, 
Louis Lingg comete suicídio na prisão. August Spies, George Engel, Adolf Fischer e Albert 
Parsons, eles foram enforcados em 11 de Novembro de 1887, apesar da comoção e mobilização 
internacional. Em 1889, em memória destes eventos, proclamou-se dedicar o 1º de Maio como 
um dia Luta pelo mundo inteiro. No Amazonas, o antigo jornal "Lucta Social" de 1914, feito 
por anarquistas amazonenses e imigrantes, já noticiava as manifestações de 1º de Maio na 
cidade de Manaus, uma data sempre marcada por luta e bravura, jus a memória e sangue 
daqueles que ficaram conhecidos como os "Mártires de Chicago".

Desde então, estados, governos e regimes de toda ordem, vem tentando dissolver o 1º de 
Maio ao mero espetáculo, transformando-o numa mera data de festa/lazer, esvaziando seu 
caráter combativo contra o estado e o capitalismo. No melhor dos casos, o noticiam como um 
dia atípico de "indignação". Por outro lado, as tribunas (políticas e eleitoreiras) 
cúmplices de toda a dominação, também fazem sua parte, lançando slogans encantatórios e 
longas procissões, para nos palcos dos carros de som as burocracias sindicais brilharem. 
Nossa luta está para além da defesa de candidatos e governos que visam não à libertação da 
classe oprimida e dominada, mas tão somente, projetos de poder e interesses que são 
distantes dos nossos.

A violência do neoliberalismo é cada vez mais opressiva e no momento político que estamos, 
tem se intensificado todo tipo de agressão dos de cima, as elites econômicas e 
empresariais, judiciária e militar contra a nossa gente: é corte e retirada dos direitos 
sociais, destruição direta dos serviços públicos (principalmente os serviços mais 
essenciais para a população, agravados com a PEC 55), repressão e assassinato de lutadores 
e lutadoras sociais (alarmante em nossa região norte), carestia e aumento no custo de 
vida, militarização das cidades, do campo, da floresta e da vida. Aliás, está em curso a 
escalada de um Estado-policial (e para-policial) cada vez mais feroz, que a médio e longo 
prazo, visa estancar o menor traço de revolta popular que possa ocorrer, para garantir que 
os ricaços mantenham intactos seus lucros e os governos de plantão apliquem tranquilamente 
a agenda neoliberal contra nós.

Sofremos com as reformas da Terceirização, Trabalhista e Previdenciária (que está sendo 
articulada nos bastidores e logo após o teatro das urnas, voltará a estar na ordem do dia 
na agenda dos golpistas de plantão), estas últimas, nos tomam tudo àquilo que conquistamos 
com Luta na histórica Greve Geral de 1917: terceirização, precarização e piora nas 
condições de trabalho que leva ao aumento nos acidentes de trabalho, arrocho salarial, 
desvalorização e congelamento, aumento brutal nas horas de trabalho, calote nas férias e 
benefícios não pagos.

Temos dito e reforçado que a maneira mais coerente de enfrentar estes ataques, passa pelo 
empoderamento do povo e o fortalecimento da luta direta nas ruas, pois não há salvadores 
além de nós mesmos, senão o próprio povo, que cria e recria constantemente suas formas de 
se organizar e lutar. Fortalecer nossas ferramentas e espaços de luta, fortalecer nossos 
laços e romper com a fragmentação e isolamento do qual estamos mergulhados, fortalecer o 
envolvimento de diversos setores da população, das comunidades, das diversas categorias de 
trabalhadores, mirando sempre a luta popular mais ampla possível, unindo todos os 
oprimidos contra a precarização da vida.

O 1º de Maio, para nós, anarquistas e lutadores/as do povo, é ocasião saudar e defender 
nossa memória histórica, nossas lutas, tradições e experiências de classe. É a ocasião e 
levar ao mais alto, a bandeira do Socialismo Libertário, com o negro do Luto e o vermelho 
da Luta. E é só com Luta que poderemos garantir que nossos direitos sejam mantidos e 
nossas necessidades e exigências atendidas.

POR UM 1º DE MAIO CLASSISTA!

1º DE MAIO É LUTA! VIVA OS MÁRTIRES DE CHICAGO!

SOMENTE COM LUTA E UNIDADE ENTRE NÓS É QUE VENCEREMOS O GOLPISMO E O NEOLIBERALISMO!

https://anarquismoam.wordpress.com/2018/04/30/1o-de-maio-um-dia-de-luta-um-dia-de-origem-anarquista/


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