(pt) Carta às trabalhadoras, precarizadas, desempregadas no Brasil By A.N.A.

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Quinta-Feira, 3 de Maio de 2018 - 06:35:36 CEST


Trabalhadoras, na luta somos dignas. ---- A democracia Capitalista é o governo das elites 
do poder econômico associadas ao poder político-militar. ---- A liberdade na democracia 
capitalista é secundária e está fundada em algumas "miragens" sociopolíticas e 
"determinações" econômicas. A liberdade na democracia é para as elites e não para a gente 
trabalhadora. A lei da atual democracia é: não tem dinheiro, não vive. ---- Uma das 
"miragens" sociopolíticas correspondem a nos fazer acreditar que participando com o voto 
em eleições podemos escolher alguém que governará para o bem de todos naquele território 
que eles chamam de país. Estes homens e mulheres comuns nos quais parte de nós deposita 
confiança e respeito, prometem, e nunca cumprem: promover e realizar o bem-estar para 
todos. A segunda das "miragens" sociopolíticas corresponde a nos fazer acreditar que 
apenas e somente o Estado é o único que pode manter e organizar a sociedade. Pergunte a 
você mesma se isto se comprova na história e nos dias atuais.

Uma das determinações econômicas é que a inciativa individual aliada ao trabalho árduo te 
levará a uma vida de riqueza para ser gozada por você e os seus. A segunda das 
determinações é que a propriedade privada hereditária é um direito natural. Cabe 
perguntar, fazer exame de si ou de outrem para constatar quem enriqueceu sem explorar o 
trabalho de outros. Cabe ainda perguntar se sempre houve propriedade privada hereditária. 
Ou, ainda, como se conseguiu obter a propriedade privada?

A combinação de "miragens" sociopolíticas e "determinações" econômicas são embaladas como 
produto de consumo barato encontrado em prateleiras de TV's, Jornais, Revistas, Redes 
Sociais na Internet onde você é ao mesmo tempo a moeda e a mercadoria. Ao fim e ao cabo 
você não escolhe, é sim escolhida e comercializada.

Neste dia das pessoas trabalhadoras, nesse primeiro de maio é preciso perguntar a si mesma 
se você elegendo governantes ou se permitindo explorar por um patrão faz a sua vida melhor 
a cada dia, a cada mês, a cada ano? Por que temos de trabalhar tanto para pagar tantas 
contas? Por que os patrões, que nos exploram, vivem bem e nós mal temos o que comer?

Não são apenas os políticos e os patrões que nos enganam e roubam com a proteção dada 
pelos militares. Dentro da classe trabalhadora há traidores da classe que entraram nas 
nossas organizações de defesa e apoio dos trabalhadores: os sindicatos. E usam nossas 
organizações sindicais como um modo de vida. Eles se tornaram uma elite sindical e hoje 
também nos tratam como moeda e mercadoria.

Diretorias sindicais associadas a partidos de direita e de esquerda nos vendem a preço de 
banana para aqueles que pagarem mais. Aos empresários vendem a sua influência para impedir 
movimentos por melhores condições de trabalho, greves por melhores salários. Somos usados 
também para eleger governos, justificar políticas, investimentos, projetos de 
desenvolvimento, ações militares chamadas de "planos de segurança". Estes tais "planos de 
segurança" a nosso ver não passam de guerra cirúrgica para avançar em territórios 
indígenas, periferias, manter o latifúndio, controlar os que resistem e lutam contra a 
fome e a morte pela miséria social e econômica. Denunciamos: você deve saber ou conhecer 
uma amiga que tem dentro do seu sindicato um dos diretores que se candidatou a vereador, 
prefeito, deputado, governador, senador e prometeu defender a sua categoria e a sua 
classe. Perguntamos então: onde estão estes eleitos e o que fizeram por você, por sua 
categoria e por sua classe?

Acusamos a crescente repressão que os movimentos sindical e social vêm sofrendo. Dentre 
estas pessoas companheiras que trabalham e lutam por direitos e melhores condições de 
vida, os companheiros e companheiras anarquistas seguem sendo um dos alvos. Afirmamos 
nosso direito a organização social e política de forma anarquista. Denunciamos o avanço de 
ações investigativas, monitoramentos e prisões no território brasileiro. Chamamos a 
atenção para o assassinato de jornalistas, genocídio de indígenas e negros, nos campos e 
nas cidades.

Nosso primeiro de maio também será um grito pela liberdade de pensamento, expressão e 
organização. Neste primeiro de maio gritaremos pelo direito das trabalhadoras, das 
precarizadas, das desempregas pelo direito a organização, ao trabalho e a vida.

Nesse ano de 2018, no nosso primeiro de maio vamos dizer não as mentiras e seus mentirosos 
que nos iludem fazendo nossas vidas mais infelizes explorando nosso trabalho. Vamos nos 
encontrar e conversarmos sobre a nossa situação e maneiras de nos organizarmos e lutarmos 
para vencer a injustiças sociais e a desigualdade econômica que nos é imposta por governos 
de direita e de esquerda, vamos trabalhar por construir possibilidades de autogestão pondo 
fim a exploração capitalista que nos rouba as horas de nossa mão de obra, vamos nos 
estruturar para estabelecer uma organização social federada entre as trabalhadoras e a 
sociedade, nos bairros e nas fábricas, nas lojas e nas ruas, nos campos e cidades, nas 
periferias e nos centros das grandes cidades, entre produtores e consumidores, criadores e 
realizadores, sonhadores e realistas.

Determinação, união e luta pela igualdade econômica, pela justiça social com liberdade 
para todas.

Converse com seus colegas. Participe das suas assembleias. Exija da diretoria do seu 
sindicato: Fim do sindicato único. Pluralidade sindical: direito das trabalhadoras terem 
mais de um sindicato por categoria e/ou classe. Fim do imposto sindical: contribuição 
livre e espontânea da trabalhadora para a organização e luta sindical. Abertura e 
apresentação do balanço fiscal do seu sindicato em linguagem simples e direta. 
Discriminação item-a-item dos gastos realizados. Independência e autonomia em relação a 
partidos de direita e esquerda, em relação a governos, em relação a patrões e gestores. 
Criação de núcleos de base por local de trabalho com colegas eleitos pela base em processo 
autogestionário da categoria/classe. Investimento dos recursos do sindicato nos núcleos de 
base para fins de organização e fortalecimento das bases. Fim do assédio sexual e moral no 
local de trabalho. Contra o trabalho de gestantes e lactantes em locais insalubres. 
Igualdade de salário para mulheres em relação a homens. Redução da carga horária de 
trabalho para 30 horas semanais sem redução salarial. O trabalho é um direito social e 
deve cumprir função social.

Iniciativa Federalista Anarquista - Brasil - 01 de maio de 2018.

Juntas lutamos, juntas avançamos.

ligarj.wordpress.com


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