(pt) O anarcossindicalismo segue vivinho, e lutando! por ligarj - por Antonio Pérez Collado

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Quinta-Feira, 3 de Maio de 2018 - 06:35:05 CEST


As recentes mobilizações sociais deixaram as elites políticas e sindicais da esquerda 
clássica fora de jogo e tão tocados que dificilmente poderiam continuar a ostentar a 
exclusividade como porta-vozes da classe trabalhadora que os meios de comunicação, tão 
pouco evoluídos como estas burocracias de partidos e sindicatos socialdemocratas, se 
obstinam em atribuir-lhes, mesmo quando ditos quadros clássicos profissionais não são os 
organizadores nem os protagonistas das novas e imaginativas lutas. Se existem atualmente 
algumas entidades com menos credibilidade e indiferença social que os partidos políticos, 
não há dúvida de que os sindicatos poderiam encabeçar as pesquisas sobre essas fobias e 
aversões das pessoas. ---- Se existem atualmente algumas entidades com menos credibilidade 
e indiferença social que os partidos políticos, não há dúvida de que os sindicatos 
poderiam encabeçar as pesquisas sobre essas fobias e aversões das pessoas. Certamente, 
grandes partidos e sindicatos fizeram muito para construir a atual perda de prestígio e 
perder apoio popular cada vez mais.

"A corrupção, as falsas promessas, os convênios para favorecer o capital, a ossificação 
das suas estruturas, etc. motivam que a classe trabalhadora, que antes considerou os 
partidos de esquerda e sindicatos como algo próprio e útil para defender seus direitos, 
foge como a peste de qualquer compromisso militante com o que poderiam ser as organizações 
naturais de pessoas exploradas e excluídas da partilha da riqueza que criam com o seu 
trabalho."

Infelizmente, o afastamento do antigo proletariado de tão inúteis companheiros de viagem 
para uma nova sociedade, mais justa e solidária, não promoveu a criação de novas formas de 
organização, mais combativas, horizontais e dinâmicas; nem há um crescimento espetacular 
de outras organizações que já mantiveram seus princípios e seus compromissos de luta. Pelo 
contrário, embora nunca se deva generalizar, é nestes setores sociais pobres e espoliados 
onde os partidos conservadores e as ideias mais reacionárias encontram aceitação e até 
mesmo entusiasmo. Se há um século era impensável que um trabalhador não estivesse imbuído 
de um compromisso de classe e disposto a juntar-se à luta de seus companheiros, nestes 
tempos de pensamento fraco e consumismo desenfreado, muitas vezes nos deparamos com 
trabalhadores - em muitos casos absolutamente precários e explorados muito além do 
legalmente - defendendo a empresa e criticando aqueles envolvidos nas poucas greves que 
são feitas; especialmente se houver piquetes que os impedem de exercer o seu teórico 
direito ao trabalho ou lhes forçam a se atrasar para seus trabalhos de lixo.

E se a greve não gozar de uma boa imprensa (vale a expressão), o que dizer dos sindicatos, 
que não gostam nem dos trabalhadores nem dos empregadores. Bem, estes últimos os veem como 
necessários, desde que se limitem a serem moderados e entender as necessidades da empresa. 
Os trabalhadores mais velhos mantêm as mensalidades do sindicato mais por rotina (se 
ligaram a certas siglas como se ligam a um time de futebol) ou se eles podem economizar a 
pensão e os mais jovens se veem obrigados a se organizar porque pelo sindicato de cada 
empresa é possível estender o contrato. Esta situação preocupa (ou deveria preocupar) as 
burocracias sindicais, pois quando desaparecidas do cenário laboral das gerações que 
viveram as greves prolongadas e as convenções rígidas das últimas três décadas do século 
passado, as pessoas que assumem a situação não têm experiência de lutas ou qualquer 
formação ideológica... exceto que para repetir o que os comentaristas de TV dizem que pode 
ser chamado de ideologia. Apesar de tudo, e apesar desses fatores negativos, o 
anarcossindicalismo é a única fórmula sindical que mantém a dignidade e até mesmo aumenta 
ligeiramente sua presença nas ruas, nas empresas e nos conflitos sociais.

É claro que estamos falando de nosso país, porque no resto da Europa os sindicatos 
sociais-democratas e cristãos não caíram tão baixo e ainda defendem alguns direitos e o 
anarcossindicalismo, por enquanto, só tem uma presença simbólica. Claramente muito 
diferentes condições são dadas para os países industrializados europeus, em particular o 
caso espanhol: o sindicalismo reinante nas últimas décadas perdeu suas referências e até 
mesmo a sua ética e o anarcossindicalismo, sem ter o peso que tinha na primeira metade do 
século XX a CNT, é agora uma alternativa possível e viável que muitos trabalhadores se 
agarram, fugindo escaldados do sindicalismo majoritário, promovido pelo Estado, as 
patronais e seus meios de comunicação. Neste momento para o anarcossindicalismo está 
passando um dos últimos trens disponíveis, então seria uma pena se ele fosse perdido como 
tantos outros anteriores.

As circunstâncias descritas acima permitem alguma esperança razoável para o sindicalismo 
libertário. Mas por muito propício que pareça ser o cenário atual, se os sindicatos 
herdeiros da CNT histórica não souberem como gerir esse valioso legado e adaptar seus 
meios e táticas às novas realidades e a algumas formas de participação e atuação que, no 
fundo serão semelhantes, mas não são as de 1910 ou 1931, uma oportunidade de ouro terá 
sido desperdiçada para fornecer às classes populares do século 21 uma ferramenta própria, 
modernizada e eficaz para a transformação global da sociedade.

"No caso concreto da CGT essa adaptação aos tempos e às necessidades do terceiro milênio 
passarão por abrir as estruturas (que já foram modificadas consideravelmente desde a cisão 
ocorrida no V Congresso) para novas maneiras de vinculação ao mundo do trabalho 
(temporário, teletrabalho, falsos autônomos, ETT, subcontratação, trabalho a tempo 
parcial, etc.) e para promover a autonomia e a capacidade das assembleias de cada 
indústria ou setor produtivo, reservando ao sindicato o papel de conselheiro e motor de luta".

A central sindical que aspira a ganhar o respeito e a confiança das pessoas deve ter 
alguns métodos e alguns alvos absolutamente opostos as grandes burocracias das quais as 
poucas pessoas conscientes e combativas que ainda perdura no movimento (leve movimento, 
que se diga) sindical.

Esta mudança de forma e pano de fundo no protesto social europeu foi plenamente 
demonstrada (embora tenha sido incubada desde Maio de 68 e as mobilizações contra a 
globalização capitalista) com nossos 15M. Desde aquela explosão de assembleias e 
autogestão, nada foi como antes; nem partidos nem os sindicatos clássicos foram capazes de 
encaixar as críticas... e foi assim que as coisas transpareceram.

Desde então, as experiências de democracia direta e fuga do rebanho indefeso não cessaram; 
marés, plataformas, assembleias. Os coletivos trabalhistas mais explorados e os bairros 
mais pobres e esquecidos conseguiram se organizar e enfrentar os exploradores e 
instituições de todos os tipos. Demonstraram aos partidos e sindicatos o que nos tinha 
entediados com suas chamadas para a ordem e moderação, que se luta se pode ganhar, e mesmo 
que nos derrotem na maioria das vezes, vale a pena tentar.

A greve feminista do 8M e os protestos maciços contra cortes de aposentadorias são dois 
exemplos claros e próximos do que dizemos. Em ambos os casos, as chamadas não saíram da 
UGT e da CC.OO[sindicatos majoritários], embora não tenham sido privados de tentar 
capitalizá-las em proveito próprio, uma vez que eles viram que não podiam evitá-las com 
suas ações e mobilizações paralelas e apenas simbólicas - e também ante tais mobilizações 
o anarcossindicalismo (CGT e CNT) soube cumprir a sua responsabilidade social; convocou, 
participou e deixou seu papel de liderança para os grupos organizadores.

E é como se costuma dizer na casa "somos mais que um sindicato". Somos porque não nos 
limitamos à estrutura da fábrica nem nos contentamos com apenas melhorias econômicas: 
queremos um mundo mais justo e acreditamos que é possível. Essa é a vigência e a utopia do 
anarcossindicalismo de 2018 e dos tempos vindouros.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/el-anarcosindicalismo-sigue-vivito-y-peleando

Tradução > Liberto

https://ligarj.wordpress.com/2018/04/26/o-anarcossindicalismo-segue-vivinho-e-lutando/


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