(pt) liga rj - Eleições2018: eles mentem, eles não nos representam há 518 anos

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Sexta-Feira, 15 de Junho de 2018 - 06:57:43 CEST


Está se aproximando a "festa da democracia", o momento onde parte da população adulta no 
Brasil é obrigada a festejar o seu direito de escolher quem vai , ou quais irão lhe 
governar, criar e impor leis, criar e cobrar impostos sobre gasolina, gás de cozinha, 
frete de caminhão, alimentos, medicamentos, serviços médicos, transporte. ---- Neste ano 
de 2018 o medo é o grande cabo eleitoral de todos os partidos: do centro, da extrema 
direita, da extrema esquerda. Sim, todos usam do expediente do medo para conduzir as 
pessoas para este ou aquele candidato. Mas nem só de medo se alimentam os políticos, o 
estado e o capitalismo. As paixões também motivam o voto: conquistar o poder popular, 
conquistar o poder econômico, conquistar o poder político embalam delírios com suas 
miragens a cada dois anos no Brasil. As promessas despencam como chuvas de verão sobre 
cada um de nós.

O governo e o poder econômico e militar formalmente e na prática, com detalhes específicos 
locais, de sua história e culturas no Brasil, impôs a população os seguintes governos 
respectivamente: colônia, império, monarquia, república, ditaduras. Nos cinco regimes 
houveram  poucos momentos de democracia liberal e muitos momentos  de ditadura e 
autoritarismo. Em todos os casos de regimes e governos a população, ou mais precisamente o 
povo composto de escravos e escravas, trabalhadoras e trabalhadores pouco ou nada 
definiram os destinos do país, de sua cidade, de seu bairro e mesmo de sua vida.

Sobre o voto no Brasil recordemos que:

1555 - VOTO CENSITÁRIO:  na Colônia até quase o fim do Império, só podiam votar (e ser 
votados) nobres, burocratas, militares, comerciantes ricos, senhores de engenho e homens 
de posses, mesmo analfabetos.

1881 - LEI SARAIVA: em janeiro de 1881, um decreto do primeiro-ministro do Império José 
Antônio Saraiva estabeleceu eleições diretas para câmaras e assembléias. Províncias foram 
divididas em distritos e eleitores com renda mínima anual de 200 mil-réis foram 
cadastrados. Em 1882, excluídos os analfabetos, pois era preciso assinar um documento.

1891 - VOTO DE CABRESTO:  No presidencialismo, a Constituição de 1891 ratificou as 
votações diretas, mas o General Deodoro da Fonseca foi eleito presidente pela Assembléia. 
Em 1904, a Lei Rosa e Silva estabeleceu que, além da cédula que ia para a urna, outra 
seria preenchida, datada e rubricada por fiscal eleitoral - intimidação que duraria toda a 
Primeira República.

1932 - VOTO FEMININO: Estabeleceu-se voto secreto e obrigatório para "cidadão maior de 21 
anos, sem distinção de sexo" em 1932. Assim, mulheres podiam votar. Em 1934, a idade 
mínima para votar passou a ser de 18 anos.

1950 - SEM MAIORIA: Em 1945, Getúlio Vargas fora deposto após o Estado Novo e o militar 
Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente. Em 1946, a Constituição não exigia a maioria 
absoluta dos votos para representantes do Executivo. Assim, menos da metade dos eleitores 
levaram três presidentes ao poder: Getúlio em 1950, Juscelino Kubtischek em 1955 e Jânio 
Quadros em 1960.

1963 - REFERENDO:  Renúncia de Jânio Quadros em 1961, o Congresso da posse a João Goulart 
impondo o parlamentarismo. Em janeiro de 1963, o eleitor brasileiro participa de seu 
primeiro referendo, que teve como resultado a rejeição do sistema parlamentarista. Última 
votação popular antes da ditadura que se instalou com o golpe de 1964.

1989 - ELEIÇÕES DIRETAS: reabertura "democracia liberal" com fim da ditadura e nova 
Constituição de 1988. Presidente, governadores e prefeitos de grandes cidades seriam 
eleitos em dois turnos. Jovens acima de 16 anos, analfabetos e maiores de 70 anos ganharam 
direito facultativo ao voto. Em 1989, após 29 anos de escolhas feitas pelo Congresso, 
houve eleição para presidente.

Realizando uma breve observação de governos e regimes, podemos afirmar que a população 
Brasileira no sentido mais amplo e geral começa a participar do sistema eleitoral no país 
em 1989. Antes disso vejamos um resumo matemático a partir de 1500: 3o7 anos de colônia; 
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves: 15 anos; Império do Brasil: 67 anos. 1ª 
República: 41 anos; Ditadura Getúlio Vargas: 15 anos; República populista: 19 anos; 
Ditadura Militar: 21 anos; República de regime liberal democrático, fim da ditadura, 
governo civil, nova constituição: 33 anos.

Numa conta rápida. Desconsiderando a interferência do poder das grandes corporações 
através do capital, desconsiderando a influência dos grandes meios de comunicação 
comercial na população. "Hipoteticamente" o cidadão, pois apenas o cidadão pode votar, só 
começa de fato a escolher um candidato para lhe governar a vida a partir de 1988. Não 
esqueçamos que "devemos ter muita fé" para acreditar que cada um dos eleitos está lá 
escolhido por cada eleitor e que este "sujeito" eleito não representa os interesses de seu 
partido, não representa os interesses de sua classe social, não representa os interesses 
de empreiteiras, indústrias, bancos nacionais e estrangeiros. Ocorre então a pergunta: por 
que você precisa de alguém pra te governar?

Devemos acreditar, por fé, por esperança que este "eleito" não entrou para a política para 
roubar e enriquecer, que esta pessoa "eleita" vai lutar por nós e fará nossa vida melhor a 
cada dia. Que este "eleito" sozinho, ou com seu partido, conseguirá vencer o sistema 
capitalista, a corrupção, o poder das igrejas, o poder das grandes corporações de mídia 
comercial durante seu mandato de 4 anos. Você acredita? Você votará? O que mudará no dia 
seguinte após as eleições?

Desde 1988 se sucedem "salvadores da pátria", "salvadores do povo" no Brasil. A sucessão 
de privatizações como solução dos problemas de corrupção e mal uso da verba pública não se 
confirmou: telefonia móvel, fixa e net são das mais caras no planeta, por exemplo. 
Partidos de centro, de direita e de esquerda já assumiram o poder e governaram. tanto com 
a direita como com a esquerda e o centro foram realizadas reformas trabalhistas contra o 
trabalhador, foram realizadas reformas na previdência social contra o trabalhador 
ampliando o tempo de contribuição e a idade para aposentadoria. Praticamente hoje pagamos 
para trabalhar e em alguns casos não é possível nem mesmo gozar a aposentadoria de tão 
velhos que nos aposentamos hoje em dia.

Não é suficiente as migalhas caídas da mesa dos políticos e dos empresários e banqueiros. 
A cada dois anos mentem e manipulam a tudo e a todos prometendo mudanças para manter tudo 
como sempre foi. Não há justiça e liberdade sociais no capitalismo.

Vivemos há pelo menos 518 anos dominados e explorados por elites nacionais e 
internacionais. As eleições e os regimes ditatoriais e constitucionais, coloniais e 
capitalistas não melhoraram nossas vidas, eles são o nosso problema, eles são a nossa 
aniquilação.

Existe vida, existe política além do voto. O Estado e o Capitalismo não estão do seu lado, 
o político e o empresário não fazem sua vida melhor. Não escolha quem te governa ou 
explora. Mate seu medo. Liberte-se.

Texto de colaborador: Cipriano Vila

https://ligarj.wordpress.com/2018/06/10/eleicoes2018-eles-mentem-eles-nao-nos-representam-ha-518-anos/


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