(pt) [Espanha] Barcelona, Solidaridad Obrera # 370: O legado do Maio de 68 By A.N.A.

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Quinta-Feira, 7 de Junho de 2018 - 08:13:30 CEST


Passaram-se 50 anos desde o Maio francês de 68 e é previsível que muitos artigos sejam 
publicados para revisar que foi a "segunda revolução francesa", que suas reivindicações 
sejam revistas e que alguns dos protagonistas que foram levantados como líderes sejam 
mencionados. Nós não seremos diferentes. ---- Durante esses dias, Paris era o ponto em que 
outros movimentos sociais de diferentes partes do mundo dirigiam seus olhares. A educação 
universitária deixara de ser privilégio dos ricos e, na capital francesa, no final de 
março, o movimento estudantil, em firme posição de rejeição a qualquer tipo de autoridade 
e tabus morais, iniciou protestos que logo depois se estenderam para toda a classe 
trabalhadora. As exigências dos estudantes saíram das salas de aula, chegaram aos centros 
de trabalho e organizou-se uma greve geral em que 10 milhões de trabalhadores ocuparam os 
centros de produção. Foi uma luta contra o poder estabelecido, onde o discurso 
antimilitarista, no meio da Guerra do Vietnã, também esteve presente e conviveu com o 
feminista, o ecologista, o direito à liberdade sexual ou o respeito às minorias, entre 
outros, bases de algumas demandas que hoje são assumidas politicamente, mas onde cinco 
décadas depois ainda há um longo caminho a percorrer.

Certamente, acabou sendo sufocada, mas felizmente seus vapores ainda impregnam um certo 
espírito combativo francês, porque ocasionalmente é visto se transformando em um fardo 
diante das pretensões de seus sucessivos governos de implantar as receitas neoliberais.

O que aconteceu com seus protagonistas mais emblemáticos e as reivindicações?

O personagem mais midiático foi Daniel Cohn-Bendit, batizado de "Dany, o Vermelho" por sua 
ideologia - supostamente anarquista - e por sua cor de cabelo. Descendente de alemães, ele 
teve que deixar a França e não foi autorizado a retornar até os últimos 10 anos. Em 1994, 
ele foi apresentado pelo partido ambiental alemão às eleições europeias e ganhou um 
assento. De fato, ele presidiu aquele grupo parlamentar até 2014. Para argumentar sua 
aposta nas urnas, confessou que "deixara de acreditar na revolução" e que, em 1999, já se 
definira como "libertário liberal". Recentemente ele até fez campanha para o atual 
presidente francês, Emmanuel Macron.

Outro desses personagens era Alain Geismar, na época professor maoísta que era secretário 
do Sindicato Nacional do Ensino Superior. Depois de Maio de 68, fundou a Esquerda 
Proletária, uma organização que defendia a revolução espontânea. Em 1990 se tornou 
Inspetor Geral de Educação e dois anos depois foi nomeado assessor do prefeito de Paris. 
Geismar chegou a apoiar Strauss-Kahn, candidato socialista à presidência, embora quem 
terminou como presidenciável foi Ségolène Royal.

Para completar a troika, também devemos falar sobre Jacques Sauvageot, que levou muito 
menos tempo para saborear os méis políticos. Estudante da Sorbonne, fundou a Juventude 
Comunista Revolucionária e na época ele era vice-presidente da Union Nationale des 
Étudiants, um sindicato estudantil. Em duas ocasiões, em 1969 e 1974, chegou a concorrer 
às eleições presidenciais, mas, diante de seu fracasso, teve que concorrer às eleições 
europeias, ocupando um assento de 1999 a 2004 pela Liga Comunista Revolucionária.

O caso desses três personagens corrobora o risco conhecido de deixar líderes emergirem 
durante as mobilizações populares. Felizmente, permanece o legado positivo daqueles dias e 
dos milhares de franceses que os viveram. Longe de desistir, sua memória deve nos incitar 
a continuar lutando por suas aspirações, porque elas não foram plenamente alcançadas e 
desde então muitas outras surgiram, todas indispensáveis para continuar reivindicando uma 
revolução social.

Fonte: Solidaridad Obrera # 370, Barcelona, abril de 2018.

Tradução > Liberto


Mais informações acerca da lista A-infos-pt