(pt) anarkismo.net: A Petrobrás sob o controle dos especuladores e a greve dos caminhoneiros by BrunoL

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Segunda-Feira, 4 de Junho de 2018 - 06:17:45 CEST


A paralisação e greve dos caminhoneiros deixou a nação estática. Iniciada na segunda dia 
21 de maio, atravessou quatro dias até que na noite de 5ª, 24 de maio, o governo Temer 
teria "negociado" com "representantes" dos caminhoneiros. Vivemos o avesso do avesso. Quem 
assinou o "acordo" de 5ª à noite foi considerado pelo governo ilegítimo como sendo os 
"trabalhadores do transporte rodoviário". ---- 27 de maio de 2018, Bruno Lima Rocha ---- A 
paralisação e greve dos caminhoneiros deixou a nação estática. Iniciada na segunda dia 21 
de maio, atravessou quatro dias até que na noite de 5ª, 24 de maio, o governo Temer teria 
"negociado" com "representantes" dos caminhoneiros. Vivemos o avesso do avesso. Quem 
assinou o "acordo" de 5ª à noite foi considerado pelo governo ilegítimo como sendo os 
"trabalhadores do transporte rodoviário". Logo na sexta dia 25 de maio, a paralisação 
continuava, até porque no meio da reunião de 24 de maio, o presidente da Associação 
Brasileira de Caminhoneiros (ABCAM) se retirou. Evidentemente que as reivindicações mais 
óbvias não estavam sendo atendidas. Sem a previsibilidade mínima, não há como seguir 
rodando "ganhando" bruto R$ 1,20 o quilômetro. Quanto à redução definitiva do valor dos 
derivados de petróleo, diesel, gasolina e querosene, nada feito porque além dos 10% a 
menos no preço da refinaria, a diretoria da Petrobrás não se compromete com mais nada. 
Trata-se de outro capítulo da crise, a dependência do modal rodoviário e a subordinação da 
Petrobrás às determinações dos especuladores paralisaram o Brasil.
Vale observar, novamente, o fenômeno. Os dados coletados foram vários, e nos dias durante 
a greve e paralisação, a trama do transporte foi verificada. A terceira semana de maio de 
2018 viu-se diante de um fato. O país roda a diesel e os preços praticados pela Petrobrás 
levaram algumas categorias de transportadores ao desespero. Segundo o Departamento 
Nacional de Trânsito (DENATRAN), rodam no país 2,7 milhões de caminhoneiros. Deste total, 
os chamados caminhoneiros autônomos são proprietários de cerca de 70% da frota e os 
demais, 30%, pertencem a empresas de logística e outros setores. De acordo com o Cadastro 
Geral de Emprego (CAGED) trabalham nas transportadoras 360 mil motoristas de carga, 
enquanto os autônomos são 1,8. Tal condição aproxima a maioria dos caminhoneiros de 
algumas reivindicações das empresas do setor, mas essa é uma aproximação. Os interesses 
não são os mesmos e menos ainda as representações.
Vale repetir. O governo ilegítimo tratou de "negociação" quem estava fazendo locaute e 
depois compôs com as emissoras de TV e conglomerados de mídia a "grande narrativa". Houve 
locaute e segue havendo! A alegação é do núcleo duro de MT. E quem seriam os operadores 
máximos do locaute? Justo os autônomos, que trabalham por conta ou como locatários de 
donos de caminhões. O discurso de "minoria radical" não colou nada bem e a revolta se 
somou com a necessidade da luta. O apoio popular para a causa, não baixou, de jeito algum. 
Os dias seguintes foram intensos: sexta dia 25, sábado 26, domingo 27 de maio; e a pressão 
continuou. É necessário reafirmar. Em Brasília, as duas entidades presentes na reunião do 
dia 24 de maio, no Palácio do Planalto, onde teriam chegado a algum tipo de acordo, não 
representavam a maioria dos caminhoneiros autônomos. É como se o "representante não 
representasse". O mesmo pode-se afirmar quanto à Petrobrás. Sua diretoria indicada após o 
golpe parlamentar que levou Michel Temer ao Poder Executivo não representa nem os 
interesses do país e, menos ainda, tem o respaldo dos trabalhadores do setor.
Não resta sombra de dúvida. A primeira reação de Pedro Parente já merecia a demissão 
sumária e imediata dele e de toda sua diretoria. Depois, em rede nacional, outra pérola do 
entreguismo a favor dos especuladores.
"Nosso objetivo é gerar valor para os acionistas no médio e no longo prazo", afirmou o 
presidente da Petrobrás, Pedro Parente, ao vivo, no Jornal Nacional, de 24 de maio.
Parente opera contra os interesses do país. Correu o país o texto da Associação de 
Engenheiros da Petrobrás (AEPET) e é necessária a sua repetição: A partir de outubro de 
2016, passou a praticar preços mais altos para os combustíveis, viabilizando a importação 
de derivado. Com isso, a Petrobras perdeu mercado e a capacidade ociosa das refinarias 
saltou para 25%. Com menos refino, explodiram as exportações de óleo cru e as importações 
de derivados. O maior beneficiado foram os Estados Unidos: enquanto as importações de 
diesel se multiplicaram por 1,8 desde 2015, a importação de diesel dos EUA dos EUA 
aumentou 3,6 vezes. Passou de 41% em 2015 para 80% do total de importados pelo Brasil, ao 
mesmo tempo em que a Petrobras abria mão da refinaria de Pasadena. Os grandes ganhadores 
foram os "traders" internacionais, dentre as quais o maior é a Trafigura, a gigante que 
montou o maior esquema de corrupção da história de Angola, estava envolvido até o pescoço 
com os escândalos da Petrobrás e foi surpreendentemente liberada pelos procuradores da 
Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro.
Cabe perguntar, porque a Federação Única dos Petroleiros (a FUP) e mesmo os setores 
dissidentes à esquerda desta entidade, não coordenaram esforços para lançar uma campanha 
em defesa da Petrobrás, da composição nacional de preços e não subordinada aos 
especuladores transnacionais (os chamados traders). Seria o momento perfeito para tentar 
uma greve de trabalhadores do setor de óleo e gás, visando à retomada do controle nacional 
sobre o setor mais importante do país.
A falta de alianças políticas no nível social é proporcional ao abandono do trabalho na 
base da sociedade complexa que se formou no período do boom econômico, fomentado tanto 
pelo auge das commodities como pela dominação do capitalismo pós-fordista no regime de 
extração de mais valia coletiva e acumulação flexível. A identificação imediata dos 
caminhoneiros autônomos é com motoristas de vans - como os transportadores escolares - 
motoboys, taxistas e até condutores de aplicativos. A sociedade brasileira tem uma 
complexidade nas relações econômico-produtivas e o sindicalismo verticalizado sozinho já 
não dá conta da organização do mundo do trabalho.
Mesmo com todas estas dificuldades somadas à confusão e o oportunismo ideológico da 
tentativa de captura pela extrema direita da justa luta dos caminhoneiros autônomos, o 
momento é de mais crise para o governo ilegítimo, aproximando o debate de necessidade de 
projeto de país e defesa incondicional dos interesses da maioria do povo brasileiro. A 
legitimidade dos grupos de mídia também se fragiliza nesta semana de paralisação de 
caminhoneiros, pois a partir de 6ª dia 25 de maio, começaram a fazer o infame esforço de 
criminalizar a luta e acusar de locaute justamente quem trabalha por conta.
É o momento ideal para popularizar o tema da defesa da Petrobrás pública e a serviço da 
soberania popular. Razões para esta luta não faltam, embora sejamos bombardeados, 24 horas 
por dia, com mentiras em relação ao Petróleo e o Pré-Sal.
Bruno Lima Rocha é vice-coordenador do Grupo de Pesquisa Capital e Estado, pós-doutorando 
em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor de relações 
internacionais e jornalismo (https://estrategiaeanaliseblog.com/ blimarocha  gmail.com / 
canal no Telegram t.me/estrategiaeanalise)

https://www.anarkismo.net/article/31012


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