(pt) ORGANIZAÇÕES SINDICALISTAS REVOLUCIONÁRIAS DO BRASIL [FOB] ---- OS CAMINHONEIROS DERAM O PRIMEIRO PASSO, AGORA É GREVE GERAL CONTRA O AJUSTE

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Sábado, 2 de Junho de 2018 - 06:44:43 CEST


A oscilação diária do preço de combustíveis unificou donos de transportadoras e 
caminhoneiros autônomos, mobilizando uma greve nacional dos caminhoneiros que se 
desenvolve em proporções inéditas. Após uma semana de greve seus efeitos são sentidos em 
todo o país, paralisando vários serviços. As empresas do setor de transporte, ao que tudo 
indica em desvantagem na disputa intraburguesa, tentaram cooptar o movimento e tirar 
vantagens dele. Porém os caminhoneiros autônomos, além de não reconhecerem os acordos de 
cúpula com o governo, seguiram se mobilizando com barricadas em crescente unificação, 
condenando os caminhoneiros que furam a greve e os bloqueios em detrimento da luta e dos 
esforços coletivos. O movimento ganhou uma dimensão que fugiu do controle das empresas e 
das entidades pelegas e agora assume um perfil de classe mais definido. Os prejuízos que 
os capitalistas já somam e os estragos no nefasto governo Temer/MDB são uma realidade que 
os caminhoneiros construíram através do uso de métodos históricos de luta como a greve, as 
barricadas, o bloqueio da circulação de mercadorias, os agrupamentos descentralizados e 
articulados. Mas a vitória dessa categoria depende ainda da sua capacidade de resistência 
e da solidariedade dos demais trabalhadores.

Seguir o exemplo da luta dos caminhoneiros

        A insatisfação geral com os preços dos combustíveis está unificando a classe 
trabalhadora e indica um apoio relativamente massivo à pauta dos caminhoneiros. Essa 
unificação, contudo, padece de uma dupla ilusão: a de que os preços dos combustíveis são a 
base e origem dos problemas e das condições de trabalho dos caminhoneiros; e a de que uma 
vitória do movimento dos caminhoneiros irá conduzir à redução dos combustíveis e, por 
conseguinte, a uma queda geral dos preços. A política de preços dos combustíveis na 
verdade compõe um conjunto de políticas neoliberais e entreguistas, de drástica 
desregulação econômica por parte do Estado em detrimento das condições de trabalho e de 
vida, que avançam a passos rápidos no governo Temer. Por isso o apoio à greve dos 
caminhoneiros deve ganhar as ruas. Só com os protestos populares em todo o país 
conseguiremos evitar que os caminhoneiros sejam multados e sofram com a repressão das 
medidas de Temer. É através da mobilização que conseguiremos barrar os ataques aos nossos 
direitos e o aumento da precarização das condições de vida.

           Nesse movimento os caminhoneiros por si alcançarão no máximo seus objetivos 
específicos. Os trabalhadores querem e precisam alcançar outras vitórias também. Fazer a 
Petrobrás e demais empresas públicas funcionarem para o povo, derrubar as reformas 
trabalhista e da previdência, acabar com a política de entrega do país, conquistar aumento 
real do salário, entre outras pautas só será possível se partirmos para a ação. Nenhum 
governo e nenhum patrão são capazes de conter um povo que se levanta. É isso o que os 
caminhoneiros estão mostrando. Devemos seguir seu exemplo e ir à luta, tendo a clareza de 
que o poder está somente nas mãos dos trabalhadores.

Toda ilusão em salvadores da pátria deve ser abandonada

           Os trabalhadores se solidarizam com a luta dos caminhoneiros porque sentem e 
entendem a necessidade de lutar pelas suas condições de vida. Não se trata simplesmente de 
levantar a bandeira a favor ou contra determinado político ou partido, mas de garantir 
minimamente a sobrevivência diante de um cenário de perdas. Temos que aprender 
corretamente a não confiar nas corjas eleitoreiras e sindicalistas pelegas. Mas a rejeição 
a uma quadrilha de ladrões não pode ter como alternativa o aprisionamento de toda a 
sociedade: O povo trabalhador precisa rejeitar também a ilusão de entregar o poder na mão 
dos militares. A solução para os problemas da classe trabalhadora virá somente através dos 
próprios trabalhadores organizados e unidos solidariamente.

Greve Geral Já!

           A esquerda burocrática e legalista (partidária e sindicalista) se debate 
perante um movimento de trabalhadores com uma dinâmica descentralizada e um perfil 
heterogêneo. Apressadamente tentou taxar a greve de locaute, como se fosse exclusivamente 
um movimento manipulado pelos donos das transportadoras. Ela só aposta em movimentos que 
conduzirão à estabilidade da democracia burguesa e à liberdade de seu hábil conciliador de 
classe. Se aderir ao movimento, irá tentar pautá-lo pela "defesa da democracia", o que tem 
se mostrado como um escudo ao governo MDB. A direita também tenta pautar o movimento, 
tanto através do conservadorismo militar intervencionista quanto da pulverização das 
pautas através das mídias burguesas.

            Não podemos nos deixar levar por estes campos, que só estão interessados em 
desviar a luta dos trabalhadores para seus próprios interesses. A pauta que deve ser 
seguida é aquela que combate a política criminosa que tem roubado os direitos das 
trabalhadoras e dos trabalhadores e produzido a piora das condições de vida. A GREVE GERAL 
combativa é o meio de avançar nesse sentido. E o momento de fazê-la é agora. Sem 
aparelhamento das centrais sindicais. Sem apelar para o vago combate à corrupção. Sem 
temer a repressão. Sem conciliação com governos e patrões. Sem militarização. Todos às 
ruas parando toda a produção e circulação, pondo de joelhos os ladrões e exploradores do povo.

NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER

NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!

https://lutafob.wordpress.com/2018/05/28/os-caminhoneiros-deram-o-primeiro-passo-agora-e-greve-geral-contra-o-ajuste/


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