(pt) Coordenação Anarquista Brasileira - CAB: 130 anos de José Oiticica

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Sexta-Feira, 27 de Julho de 2018 - 06:39:41 CEST


Há 136 anos atrás nascia José Oiticica, professor, poeta, militante e teórico anarquista 
brasileiro, personagem central do movimento anarquista do início do século passado e um 
dos grandes articuladores da Insurreição anarquista de 1918 que pretendia derrubar o 
governo central na capital do país. ---- Nascido em Minas Gerais, na cidade de Oliveira em 
1882, Oiticica logo se transferiu para o Rio de Janeiro, onde conhece no Colégio Paulo de 
Freitas, na Tijuca, o futuro escritor, Lima Barreto. Depois de uma rápida passagem por 
Santa Catarina retorna ao Rio de Janeiro, envolvido com a literatura e o jornalismo. Após 
uma série de desilusões com a religião, o direito, e a educação, ouve de um parente que 
suas ideias eram "anarquismo puro" e descobre-se ideologicamente como anarquista.
Professor do colégio Pedro II logo passa a se envolver com o movimento operário, com o 
sindicalismo revolucionário e o anarquismo no Rio de Janeiro. Passa a ganhar destaque na 
sua ação organizativa, tanto em nível sindical quanto em nível político-ideológico. Em 
1917 e 1918 teve uma atuação determinante na articulação política da greve geral e na 
insurreição anarquista de 1918. Foi preso por ação por ser um dos organizadores do comitê 
organizativo (secreto) que articulava parte das ações armadas que visavam instituir um 
soviete, um autogoverno no Rio de Janeiro.

Foi desterrado para Alagoas e volta ao Rio de Janeiro, onde contribui com a Federação dos 
Trabalhadores do Rio de Janeiro. Em 1919 participa da formação do Partido Comunista (não 
confundir com o Partido Comunista, marxista, fundado em 1922), que apesar do nome era uma 
organização anarquista que viria a se desarticular posteriormente.

Na década de 1920, Oiticica antecipou críticas valiosas que
anteciparam elementos de nossa corrente anarquista e que ainda hoje parecem muito atuais. 
Em "Críticas e Proposições Organizacionistas", publicado e 1923 critica a dispersão, a 
falta de programa político e a necessidade de uma organização atuando com disciplina e 
unidade entre os anarquistas. Critica de maneira dura, as posições individualistas de 
"não-compromisso" e o que ele mesmo chamava de "fanáticos das autonomias". Propôs muito 
cedo, um modelo de organização onde "todos os combatentes, se "entendem" mutuamente para 
combater, assumem "compromissos", sem os quais não pode haver unidade de ação." Era 
defensor da atuação dos/as anarquistas em dois níveis, um no nível político (organização 
anarquista) e outro, no nível de massas (sindical-popular).

Em 1924, depois da revolta tenentista em São Paulo é preso mais uma vez e passa sete 
meses, em diversas prisões. Volta a ser preso em 1937, pela polícia do Estado Novo e em 
1946 é um dos militantes mais atuantes, no trabalho de reorganização do anarquismo no 
Brasil. Funda a União Anarquista do Rio de Janeiro com outros/as camaradas e é
editor do jornal "Ação Direta". Os/as que lhe conheceram retrataram em depoimentos que era 
uma pessoa muito exigente em relação às tarefas realizadas e não cumpridas. Durante toda 
sua vida, produziu inúmeros artigos políticos, poesias, peças de teatro. Brilhante 
escritor era reconhecido por grande parte da sociedade brasileira, como um "intelectual 
das letras", ainda que seu esforço militante jamais tenha lhe permitido se afastar da luta 
de classes. Oiticica sempre será um exemplo e uma inspiração. Um militante que dedicou 
toda sua vida a luta social, ao anarquismo e ao sindicalismo revolucionário. Um referente 
na história de nossa ideologia. Alguém que até hoje nos inspira a seguir nas barricadas da 
luta de classes.

José Oiticica vive!

Mais sobre Oiticica:

https://www.anarkismo.net/article/12141

https://anarquismorj.wordpress.com/2012/07/22/130-anos-de-jose-oiticica/


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