(pt) [Itália] Contra Trump, Putin, Assad e o jihadismo. Pelo comunismo libertário e a auto-organização By A.N.A. (ca, en, it)

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Sábado, 21 de Julho de 2018 - 08:12:15 CEST


Estabeleçamos a hipótese de ver diante de nós cinco assassinos, ladrões, vigaristas, 
mentirosos, sádicos e outras coisas, junto de nosso melhor amigo, cuja correção moral 
estamos razoavelmente confiantes e que, mesmo se tivesse um cadáver no armário, seria sem 
dúvida pouco ante os outros cinco senhores citados, entre o que, como se diria em Roma, o 
mais limpo tem sarna. Os seis em questão estão trancados em uma sala e se engalfinharam em 
uma luta mortal, com alianças efêmeras de geometria variável, enquanto no momento presente 
nosso amigo está na mira de todos. Em uma situação semelhante, a questão de quem ajudar 
deveria ser retórica. Porém... ---- Vamos sair da metáfora e entrar no mundo real do 
confronto entre potências que se desdobrou na Síria e nas zonas fronteiriças; aqui os 
intérpretes do drama são os seguintes:

1. Os Estados Unidos da América, a principal nação capitalista do mundo, além de maior 
potência imperialista mundial, que suporta nas suas costas o genocídio e um impressionante 
número de ações e invasões militares - diretas ou indiretas, óbvias ou ocultas - contra os 
povos de quase todo o planeta.

2. A Federação Russa, nação capitalista que, após um período de declínio, está rapidamente 
recuperando o status de segunda nação imperialista no mundo e que, também, tem um 
currículo criminal muito respeitável.

3. A República da Turquia, país capitalista, o dançarino menor, membro oficial da aliança 
militar dominada pelos Estados Unidos da América, e distinguida já há algum tempo por uma 
política de repressão da oposição interna e das minorias étnicas, enquanto recentemente 
decidiu se destacar por seu apoio, nada velado, às tropas jihadistas - o Daesh (Estado 
Islâmico) em primeiro lugar - com uma boa dose de caprichos imperialistas, mesmo em tom menor.

4. A República Árabe da Síria, outro país capitalista menor, que também realiza uma 
política de repressão da oposição e das minorias étnicas nacionais, além de ter uma 
estrutura institucional ditatorial, e é um aliado tradicional na região da Federação Russa.

5. Os vários grupos jihadistas, organizações de mercenários degoladores atrás da melhor 
oferta, caracterizados todos, especialmente o Daesh, pelo desejo de criar uma nação 
capitalista no mundo árabe, todos eles com milhares de crueldades em suas costas.

6. Os vários grupos étnicos, grupos políticos e indivíduos que se reuniram em torno da 
proposta política do Confederalismo Democrático¹, que querem superar tanto a realidade da 
organização política estatal e hierárquica como as formas econômicas capitalistas, e que 
conseguiram parcialmente tornar essas ideias uma realidade em algumas zonas do nordeste da 
Síria. Eles estão sob fogo ou deixados de lado por todos os sujeitos mencionados acima, 
com o risco concreto de que o que é neste momento o experimento social mais próximo dos 
sonhos de todo mundo que tem um coração que bate à esquerda, seja destruído.

Nem aqui, na realidade efetiva, deve haver dúvida sobre onde se alinhar para todos aqueles 
que - grupos ou indivíduos - se declaram anticapitalistas. No entanto, as coisas vão por 
outro lado, pelo menos para alguns. No semanário anarquista italiano Umanità Nova temos 
documentado como se iniciou uma campanha de difamação para com o Confederalismo 
Democrático e seus aliados nas Brigadas Internacionais, que foi baseado e é baseado no 
fato de que em algumas operações militares contra o Daesh, a YPG e as formações aliadas 
teriam atacado paralelamente com as forças dos EUA. Hoje, no entanto, o destino do que - 
repetimos - é o experimento social mais próximo neste momento das esperanças nascidas com 
o movimento operário e socialista, parece que em certas áreas autodenominadas 
anti-imperialistas, ficam em segundo plano e podem ser consideradas completamente 
sacrificáveis ante os interesses da Federação Russa e da República Árabe da Síria.

Se algumas décadas atrás essas realidades foram chamadas de "socialistas" e, portanto, 
poderiam ter, se não aceito, pelo menos entendido a lógica do que é expresso acima, hoje, 
quando esses Estados abraçaram a lógica do capitalismo, a coisa assume personagens 
grotescos: grupos políticos que agitam bandeiras vermelhas e fazem constantes proclamações 
anticapitalistas são reduzidos, na prática concreta, a se tornarem apologistas e 
apoiadores de um grupo de países capitalistas contra outros. Para fechar com outra 
metáfora, hoje é como se assistíssemos à demonstração de militantes fervorosos pela 
legalidade burguesa, ao lado da máfia italiana contra as máfias russas, porque estas são 
atualmente consideradas como o verdadeiro "anti-Estado" e a italiana foi reabilitada como 
um exemplo de total respeito pela lei.

Enrico Voccia

Fonte: Tierra y Libertad, junho-julho de 2018 | nodo50.org/tierraylibertad

Tradução > Liberto

>> Nota:

[1]O Confederalismo Democrático é o modelo organizacional não-estatal, anti-capitalista, 
multi-étnico, ecológico e feminista que está sendo implementado na região de Rojava neste 
momento. Não é um projeto nacionalista e rejeita a democracia representativa em favor de 
uma democracia que é feita de fato pelas pessoas em suas comunidades. É esse projeto que 
as forças do YPG (Unidade de Proteção dos Povos) e o YPJ (Unidade de Proteção das 
Mulheres) defendem.

agência de notícias anarquistas-ana


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