(pt) [Espanha] Eliminando a maçã podre nós não salvamos todo o cesto - grupo anarquista acellada By A.N.A. (ca, en, it)

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Segunda-Feira, 16 de Julho de 2018 - 08:54:52 CEST


ou porque a cadeia de alguns não é a liberdade de todas nós ---- A violência que vivemos 
todos os dias pode ser direta, mas também simbólica e estrutural. A violência 
institucional e seu comprometimento são evidentes em casos recentes, como o caso midiático 
de La Manada[o caso de estupro coletivo de uma jovem de 18 anos durante as festas de San 
Fermin, em Pamplona]. Apesar de denunciar o viés androcêntrico, e até mesmo misógino de 
muitos dos julgamentos, o feminismo não pede mais anos de prisão como uma solução para os 
nossos problemas, como prefigurado na maioria dos meios de comunicação, mas tenta colocar 
às claras como é escandaloso não considerar esses fatos como uma violação.
Não queremos reproduzir a dinâmica das estruturas hierárquicas de dominação com as quais 
nos submetem, gerando tantas desigualdades e, portanto, não acreditamos que o caminho 
judicial e penal seja a única alternativa para as mulheres. Além disso, no caso de 
mulheres migradas, ou com outros tipos de dificuldades ou situações, o acesso à justiça 
pode representar um problema em sua situação administrativa.

A construção de problemas sociais em uma chave delitiva impede que o Estado seja 
responsabilizado pelas consequências de suas políticas e facilita seu uso eleitoral para o 
combate à insegurança. O populismo punitivo é uma fórmula política e criminal conservadora 
que surgiu do neoliberalismo e seu aplauso vem em grande parte da percepção distorcida do 
funcionamento social do sistema prisional e sua relação imaginária com a segurança nas 
ruas, explorando as inseguranças da coletividade. Um exemplo disso é o recente uso de 
assassinatos de menores por meio de um discurso populista de defesa da prisão permanente 
revisável. Hoje, o estupro de mulheres entra na estratégia de marketing. Nos preocupa o 
fato de que tanta ênfase é colocada em soluções de punição em vez de propostas 
educacionais, bem como na obsessão punitiva do feminismo institucional.

"Adotar o encarceramento como estratégia é evitar pensar em outras formas de 
responsabilização", diz Angela Davis. Violência sexista, problemas sociais, são problemas 
coletivos e, como tal, devem ser tratados. Eliminando a ponta visível do iceberg em vez 
intervir abrangendo toda a estrutura que é o Patriarcado ignoramos que há todo um sistema 
social que mantém e gera, e inclusive se nutre dessas violências e dá por eliminado o 
problema. O heteropatriarcado funciona porque parece ser o estado natural das coisas e 
apontando certos indivíduos como "seres estranhos" ou "não-pessoas" que nos liberam 
enquanto sociedade de qualquer responsabilidade coletiva e turva a necessidade de revisão 
para cada pessoa socializada como um homem.

São soluções fáceis e rápidas para fenômenos complexos, que despolitizam os fatos e 
elimina do discurso o conceito de "opressão estrutural", pouco contribuindo para a 
transformação social em favor do controle social. Mª Luisa Maqueda critica este discurso 
paternalista afirmando que "A ‘colonização legal' priva-nos de controlar as nossas 
necessidades e a autonomia das nossas decisões".

Acreditamos em um feminismo para deixar de socializar como vítimas e pôr em prática o 
apoio mútuo entre iguais e a autodefesa. Sentimos falta de uma estrutura auto-organizada 
que responda à violência recebida, mas, ao mesmo tempo e sem querer, geramos outro 
atropelo: investimos grande parte do nosso tempo em não morrer. O que nós queremos é viver.

Valladolid, junho de 2018.

Grupo Anarquista Cencellada

Fonte: 
https://cencellada.noblogs.org/post/2018/06/27/eliminando-la-manzana-podrida-no-salvamos-todo-el-cesto/

Tradução > Liberto


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