(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra[CAB]: Manifesto em defesa da Petrobrás 100% pública by CABN

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Domingo, 15 de Julho de 2018 - 13:32:10 CEST


Reproduzimos abaixo a nota produzida pela Associação de Pós-Graduandos da UFSC, a qual 
assinamos. A lista completa de assinaturas pode ser vista aqui, assim como as indicações 
para inclusão de assinaturas. ---- Vimos a público expressar preocupação com a forma como 
a Petrobrás vem servindo como meio de ataque à sociedade brasileira. ---- A greve dos 
caminhoneiros, a paralisação dos petroleiros e diversas outras manifestações da sociedade 
civil durante as últimas semanas demonstram um descontentamento em relação ao crescente 
custo de vida da classe trabalhadora. Não podemos compreender esse problema sem entender 
como a Petrobrás vem sendo gerida e o que significa utilizar esse patrimônio brasileiro em 
favor da população. ---- Muito do que tem sido feito na empresa - desde sua política 
abusiva de preços à venda de ativos - baseia-se na suposição de que a empresa está à beira 
da bancarrota. Entretanto, uma análise detida da situação da empresa revela que isto não é 
verdade. Através do balanço contábil da Petrobrás pode-se observar que a Geração 
Operacional de Caixa manteve-se bastante estável entre os anos 2012 e 2017, não ficando 
abaixo de US$ 25,90 bilhões, e superando o mesmo indicador, em alguns anos, de grandes 
petroleiras privadas como Chevron, EXXON e SHELL. A liquidez corrente e o saldo de caixa 
da empresa tampouco ficam atrás de outras grandes petroleiras do mercado internacional, 
inclusive superando-as algumas vezes na última década. Além disso, a muito comentada 
dívida atual da empresa é fruto de investimentos de longo prazo que começarão a mostrar 
resultados apenas daqui a alguns anos, sendo perfeitamente compatível com o que uma 
empresa deste porte - maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de muitos países - pode manter.

Os subsídios do Estado brasileiro para manter o valor do combustível em condições 
aceitáveis para o consumidor do mercado interno brasileiro de forma alguma enfraqueceu ou 
prejudicou a estrutura financeira da Petrobrás, e o alto valor atual dos combustíveis nada 
tem a ver com tal política. De fato, o aumento do valor é reflexo da direção neoliberal da 
empresa, cujo aumento das importações de derivados e da exportação do petróleo cru atende 
principalmente aos interesses de acionistas e multinacionais.

O Brasil tem a obrigação de fazer com que sua empresa, a Petrobrás, no mínimo mantenha os 
preços dos derivados no mercado interno compatíveis com a renda de seu povo. Os custos 
totais (break even) da Petrobrás estão muito abaixo da absurda pretensão de obter lucros 
às custas dos brasileiros vendendo um barril a US$ 75. Recentemente a Petrobrás 
estabeleceu critérios para adiantamentos trimestrais aos acionistas: aos abutres, tudo; ao 
povo brasileiro, a conta. Consideramos que o governo brasileiro age como sabotador da 
economia nacional ao aliar-se aos interesses das frações do capital financeiro e rentista, 
o que tem provocado uma imensa desindustrialização e reprimarização da economia, 
reafirmando o modelo agro-exportador como único possível em nossas terras. Nesse sentido, 
nos posicionamos contra a privatização das refinarias, dutos e terminais da Petrobrás, bem 
como apontamos a necessidade de interromper a atual política de preços da empresa 
submetido à variação diária do mercado internacional e a venda de seus ativos. Fazemos a 
defesa de que a capacidade operacional de suas refinarias seja aproveitada ao máximo, 
agregando valor ao petróleo internamente e mantendo controle interno do seu preço.

Sendo assim, provocada pelo evento realizado na Universidade Federal de Santa Catarina 
(UFSC) no dia 14 de maio de 2018, intitulado "Pesquisa e Pós-Graduação em tempos de 
retrocessos: como a ciência brasileira resiste?", a APG-UFSC lança este manifesto, 
desprovido de caráter partidário, em defesa da Petrobrás (bem como de outras empresas 
públicas estratégicas) e de todas as riquezas que pertencem ao povo e devem ser usadas em 
seu benefício. Convidamos todas as forças populares da sociedade brasileira, associações, 
federações, sindicatos, universidades e portais de jornalismo alternativo a assinarem esta 
carta.

Florianópolis, 5 de julho de 2018

https://www.cabn.libertar.org/manifesto-em-defesa-da-petrobras-100-publica/


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