(pt) uniao anarquista UNIPA: CAUSA DO POVO #76 - Todo Poder aos Sovietes! Do autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores a sua destruição!

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Quarta-Feira, 24 de Janeiro de 2018 - 09:35:10 CET


Em Outubro de 2017 se comemoram 100 anos da Revolução Russa. Talvez um dos processos 
históricos mais importantes já vivenciados pela humanidade, a Revolução Russa é um dos 
maiores exemplos de luta e vitória da classe trabalhadora mundial. É um exemplo de como os 
governados e governadas, exploradas e explorados e oprimidos e oprimidas passaram a 
dirigir suas vidas num verdadeiro ímpeto democrático de formação de autogoverno, já 
ensaiado em 1905, a partir de influências do anarquismo. ---- Em 1917,o Império Russo se 
encontrava em total decadência com a miséria dos trabalhadores, a fome dos camponeses e o 
extermínio dos soldados envolvidos na I Guerra Mundial, quando em fevereiro de 1917, um 
governo de coalização socialdemocrata assumiu as rédeas do país, mantendo a intenção de 
formação de uma governo provisório tipo democrático-burguês, posição também defendida 
pelos Mencheviques e Bolcheviques.

Na Rússia pré-revolucionária a composição do movimento de massas se dava da seguinte 
maneira. Existiam duas grandes organizações partidárias, o Partido Operário 
Social-Democrata(filia do a II Internacional) e o Partido Socialista Revolucionário. Os 
grupos anarcocomunistas eram representados por inúmeros pequenos grupos locais. Todos os 
grupos eram subdivididos em correntes de direita e esquerda (melhor exemplificada pela 
histórica divisão entre bolcheviques e mencheviques), mas os SR e anarquistas também.

Podemos dizer que o processo revolucionário russo se desenrolou em torno de duas questões 
fundamentais: a posição frente a derrubada da monarquia e a posição ante a Primeira Guerra 
Mundial imperialista.

Na dinâmica da revolução russa podemos encontrar a experiência de aplicação da teoria da 
revolução permanente ou etapista e do industrialismo do marxismo. E como ela foi 
sucessivamente mostrando suas contradições e permitindo a integração sistêmica do 
marxismo. Isso fica explícito pelo desenrolar da própria luta revolucionaria. O setor 
marxista que conseguiu se tornar dirigente da revolução foi exatamente o setor que rompeu 
com a Internacional Social Democrata em razão da sua posição diante da Guerra.

A Revolução Russa também nos ensina como as trabalhadoras e trabalhadores e camponesas e 
camponesas arrastaram as forças políticas para revolução e seu avanço em direção ao 
socialismo, se transformando em "vanguardas" da revolução enquanto as direções partidárias 
insistiam na política de transição e na assembleia constituinte. A greve de tecelãs, a 
insurreição, a tomada de terra nos campos e a reconstituição dos Sovietes é o exemplo disso.

Depois de formado o governo provisório, em fevereiro de 1917 as duas alas da 
social-democracia russa, Mencheviques e Bolcheviques, começavam a confluir para o apoio a 
uma revolução democrática-burguesa. Só quando Lênin retorna a Rússia defendendo uma outra 
linha programática, praticamente revisionando a linha política marxista, é que essa 
confluência começa a ser rompida. Seria necessário passar das tarefas democráticas 
(derrubada da monarquia) as tarefas socialistas. Em consonância com a pressão dos 
operários, soldados e camponeses passa a defender a supressão do Exército, da Polícia e da 
Burocracia, a formação de um "Estado Tipo-Comuna". Defende a organização dos sovietes de 
operários e camponeses e o combate ao governo provisório, posição que sofreu ataque interno.

Mesmo rompendo com a política da II Internacional e aceitando a luta clandestina e negando 
a redução parlamentarista e nacionalista, não rompe com a perspectiva de uma revolução por 
etapas, com a instauração de um Estado de transição do capitalismo ao comunismo.

Em outubro de 1917, as trabalhadoras e trabalhadores definem fazer uma insurreição, que 
são primeiramente negadas pela direção Bolchevique, tendo a linha de Lenin e Trotky, de 
apoio a insurreição vencido depois da negação (duas vezes) da direção partidária.

A revolução de outubro foi então o assalto aos céus tendo camponeses e operários derrubado 
o Estado Burguês e formado inicialmente um autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores 
com base na livre federação, sob liderança do partido Bolchevique e dos Socialistas 
Revolucionários.

Com a reação da nobreza, dos senhores de terra e da burguesia teve início uma guerra civil 
que se alastrou por todo território russo e pelos países do entorno. Durante a guerra 
civil temos a instauração de uma comunismo de guerra, tendo em vista também o cerco 
internacional. Também se iniciou o processo de constituição de uma autoridade central a 
partir de Moscou, e portanto, um processo de reação e ultracentralização do poder. Já em 
dezembro de 1917 é formada a polícia política Tcheka que será responsável pela perseguição 
de anarquistas e revolucionários contrário a centralização de poder.

Entre Julho e setembro de 1917 os anarco-comunistas da região de Goulai-Polé, Na Ucrânia, 
se mobilizaram organizando Uniões Operárias e Camponesas e rompem com os organismos de 
poder do governo provisório. São organizados Comitês agrários com os camponeses que se 
vinculam aos Sovietes de Deputados Camponeses, Operários, Soldados e Cossacos.

A formação do exército negro (makhnovtchina) pelos camponeses de Gulai Polé com a 
liderança destacada de Nestor Makhno demarca também a contraposição do anarco-comunismo 
internacional representado na Rússia pelo individualismo literário de Tolstoi e pelo 
educacionismo de Kropotkin.

O exército insurrecional submetido ao sovietes de Gulai Polé teve importância destacada 
nas batalhas ocorridas em território ucraniano. Combatendo contra os exércitos do 
imperialismo e se aliando ao Partido Bolchevique, os camponeses ucranianos deram provas 
reais da capacidade de organização e efetividade da teoria anarquista.

Após derrotar o Exército Insurrecional derrotar os exércitos inimigos, o Exército 
Vermelho, sob liderança de Trotsky, ordena o ataque ao Exército liderado por Nestor 
Makhno, obrigado a se exilar, onde se tornará um dos principais teóricos do anarquismo, 
lançando no exílio junto com camaradas combatentes a revista Dielo Truda (Causa Operária). 
Esse documento será responsável por estabelecer os debates acerca da Plataforma 
Organizacional dos Comunistas Libertários.

Conforme afirma Makhno, "O mês de Outubro de 1917 é uma grande etapa histórica da 
Revolução russa. Esta etapa consiste na tomada de consciência dos trabalhadores - das 
cidades e do campo - dos seus direitos de controlar as suas próprias vidas e o seu 
patrimônio social e econômico: o cultivo da terra, as habitações, as fábricas, as minas de 
carvão, os transportes e, enfim, a instrução, que servia outrora para destituir os nossos 
antepassados de todos esses bens."

100 anos depois, devemos utilizar a Revolução Russa e a atuação da Makhnovtchina como 
exemplo para a organização do povo trabalhador e como aspiração para a libertação da 
classe trabalhadora. Seus caminhos e descaminhos devem ser mapa para guiar os 
revolucionários do século XXI, guardando os acertos e solucionando os erros.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2018/01/19/todo-poder-aos-sovietes-do-autogoverno-das-trabalhadoras-e-trabalhadores-a-sua-destruicao/


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