(pt) [Grécia] Falemos sobre o fascismo moderno, parte VI By A.N.A.

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Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2018 - 07:05:10 CET


A seguir, a sexta parte de uma série de artigos temáticos sobre a diacronia do fascismo no 
território do Estado grego. O artigo original, intitulado "Falemos sobre o fascismo 
moderno" e subtitulado "atualizando nossa análise e organizando a guerra contra suas 
raízes e não apenas contra os fascistas declarados", foi publicado no site da coletividade 
anarquista Volos Manifesto. Todas as partes podem ser lidas aqui. ---- Nacionalismo 
"patriotismo" esquerdista na época dos memorandos ---- "Voltemos a 2012, durante a 
celebração de um evento sobre o "auge do fascismo", muitos desses que participaram do 
evento ficaram surpresos com esse fenômeno. Nesse caso, foi comentado, entre outras 
coisas, que a Esquerda não pode deixar a nação nas mãos dos fascistas e da extrema-direta, 
e que a nação é outro ponto de luta, no qual os esquerdistas devem intervir e conferir um 
significado diferente ou popular. O mencionado acima reflete uma concepção política que 
prevalece em algumas partes da Esquerda, totalmente incorporadas ao Estado de várias 
maneiras por muitas décadas. É uma concepção patriótica e nacionalista, uma de cujas 
procedências são as suas conexões históricas com as instituições burguesas. De outra forma 
a nação poderia ser concebida, se não como algo que deveria ser reivindicado pelos 
fascistas e pelos extremistas de direita?".

"Ódio de Classe", provo.gr, 9 de fevereiro de 2015, "Patriotismo Esquerdista: Tragédia ou 
Farsa?"

O estado de emergência estabelecido com a assinatura do primeiro memorando em 2010 foi 
aprofundado ao nível da legalização social com o uso político da dívida externa como 
ferramenta. O partido Syriza usando uma retórica de esquerda quando era oposição, 
questionou originalmente o caráter objetivo da dívida externa do Estado como uma dívida 
"nacional", ou seja, como uma dívida de toda a sociedade grega. Apesar de ter usado 
algumas ferramentas metodológicas de análise de classe, nunca entrou no processo de 
confronto total com o bloco de poder burguês da época (Pasok, Nova Democracia, Laos), mas 
com uma habilidade semelhante de tipo sindical, baixou ao nível de uma narrativa do tipo 
"libertação nacional", através de um "pluralismo interno" planejado no nível comunicativo, 
com o objetivo de expandir seu público eleitoral o mais rápido possível. A bipolaridade 
política que se estreou com a transição estava caindo aos pedaços e a "oportunidade" (para 
tomar o Poder) foi prenunciada pelos membros do novo partido poderoso e ascendente da 
socialdemocracia moderna, que foi apoiado no nível comunicativo a fim de substituir no 
teatro parlamentar ao partido Pasok que naquela época estava se desintegrando.

O nacionalismo-"patriotismo" esquerdista da era dos memorandos, como foi concebido e 
capitalizado ao nível político principalmente pela coalizão entre o partido esquerdista 
Syriza e o partido nacionalista Gregos Independentes (Anel), formaram uma nova narrativa 
"nacional", a favor do consenso com respeito aos seus objetivos "nacionais". Se foi 
edificando uma nova narrativa "nacional" que aspirava a jogar o papel de um novo, mas não 
declarado, "contrato nacional e social", ou seja, de um contrato que possui 
características estruturais em comum com o "contrato nacional e social" do Pasok de 
algumas décadas. Já a narrativa "nacional" predominante inclui (embora isso não seja 
declarado de forma clara) a aceitação às forças de submissão das funções financeiras da 
"nação"-Estado Grega ao controle europeu dos "parceiros", buscando a expulsão do Fundo 
Monetário Internacional "maldoso e nutrido de Estados Unidos". Esta submissão ao controle 
econômico dos "parceiros europeus", objetivados no nível comunicativo, que sob certas 
condições de concessões econômicas (privatizações das estruturas estatais dos setores de 
transporte público, energia e recursos naturais, subestimação radical do trabalho, cortes 
nas pensões e despesas sociais, etc.), após contínuas "negociações sinceras" com "credores 
internacionais" (que também são nossos "parceiros" na construção em curso do treinamento 
interestatal europeia), levará a um futuro desenvolvimento e independência "nacional" e 
econômica, isto é, ao cancelamento de boa parte da dívida externa do Estado, à assinatura 
de memorandos e à apresentação do Estado grego a "proteção" financeira internacional.

De acordo com esta narrativa "nacional" predominante, que está sendo propagada por todos 
os partidos políticos, os da coalizão governamental e os da oposição, os direitistas, os 
do centro, os esquerdistas e os extremistas de direita, bem como todos os meios de 
desinformação de massa, há um determinismo que existe há anos. Os desacordos secundários 
intrassistêmicos com esta narrativa "nacional" predominante é quando se completará este 
processo de independência econômica e "nacional" e o fim da submissão da "nação" ao estado 
de controle e "proteção" e que será o ritmo com o qual as "reformas" serão realizadas para 
que isso possa ser alcançado.

A narrativa é complementada com uma boa dose de doping paliativo e "patriótico" na "nação" 
dos gregos que não abaixam a cabeça, mas que estão orgulhosos e trabalhará duro (e, se 
necessário, sem cobrar...) e então o Estado grego se depure dessa vergonha "nacional" 
causada pelo desperdício desproporcional do passado... A narrativa nada classista de 
"todos nós gastamos o dinheiro" do ex-ministro Págalos, removeu a túnica nociva da 
desfaçatez impactante e colocou a camisa de seda branca (sem gravata) de "todos podemos 
juntos". Nesta narrativa rica e pobre, desempregados e empresários, chefes e trabalhadores 
lutam juntos pelo bem da "nação" e por uma nova Grécia, a de "competitividade".

Se essa narrativa lembra um pouco a nacional-socialista do entre guerras na Alemanha, essa 
semelhança está associada ao fato de que aqui o "inimigo interno" não está claramente 
definido (com uma descrição concreta de uma identidade política, religiosa, cultural, 
sexual e política, etc), ou com palavras (termos) que colocam alguém no centro das 
atenções, mas se deixam ser definidas furtivamente "por eliminação". É um sofrimento 
"nacional" sentido pelos gregos desempregados que emigraram para outros países, que 
centenas de milhares de pessoas deixaram a "pátria" para entrar em países, especialmente 
no centro da Europa, para sobreviver. Os milhares de imigrantes "fundamentalistas" que 
estão empilhados nos centros de detenção, que procuram a sobrevivência pelas mesmas razões 
que os emigrantes gregos e que arriscam suas vidas no Mar Egeu, sentem o medo "cultivado" 
e enfrentam as deportações que o Estado grego lhes reservou. Fronteiras abertas para os 
invasores, cercas metálicas altas para os sofredores deste mundo. Liberdade e atitude 
discreta em relação a assassinos fascistas, histeria e infinitas narrativas "terroristas" 
para os lutadores sociais e prisioneiros políticos, acusados sem evidências contra eles e 
presos com 18 meses de detenção repetida.

Dezenas de Organizações Não Governamentais estão gerenciando o dinheiro do Estado e os 
subsídios europeus, formando um "travesseiro" intermediário de responsabilidade política 
para o agrupamento desumano e deportações de imigrantes e refugiados e as condições de 
vida infelizes em lugares que não podem ser chamados de "centros de hospitalidade". Os 
notórios desfiles militares do "orgulho nacional" não foram abolidos. A crise de Imia foi 
removida da gaveta da história e retirou a poeira de cima com um flagrante truque 
comunicativo do ministro da Defesa Kammenos, e o perigo "do Oriente" vem justificar as 
novas despesas militares exorbitantes para a compra de armas militares, sob condições de 
uma suposta austeridade econômica e supostos cortes nas despesas...

O texto em grego:

https://manifesto-volos.espivblogs.net/2017/09/18/about-fascism/

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/hablemos-del-fascismo-moderno-parte-vi/

Tradução > Liberto


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