(pt) [Espanha] Andaluzia: Após as eleições da Andaluzia, contra a desmobilização e o fascismo, organização e luta. (ca) By A.N.A.

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Domingo, 16 de Dezembro de 2018 - 07:01:51 CET


As recentes eleições na Andaluzia foram um confronto brutal com a realidade para aqueles 
que depositaram grande parte de suas esperanças nos resultados eleitorais. Para aqueles 
que confiavam no continuísmo, mais ou menos modulado pela[coligação de esquerda]"Adelante 
Andaluzia"[Podemos mais Esquerda Unida], do regime que o PSOE[socialistas]tem mantido por 
décadas em nossa terra e aqueles que o percebiam, como em Madrid, como um mal menor. ---- 
É evidente que a abstenção foi o caminho escolhido por muitos trabalhadores andaluzes para 
mostrar a sua rejeição, seu cansaço e desconfiança para aqueles que reclamando-se de 
esquerda mantiveram a nossa terra em prostração, falta de alternativas, pobreza, e 
exclusão social, com níveis crescentes de precariedade enquanto faz o governo o oposto do 
que foi prometido, repetidas vezes, a partir de um estilo de governo marcado há muito 
tempo pela arrogância e corrupção.

Mas estas eleições também foram um sinal de alerta sobre como o discurso da extrema 
direita populista foi se infiltrando no tecido social, abrangendo os efeitos brutais de 
anos de insegurança, desemprego, emigração, da absoluta falta de segurança e perspectivas 
vitais para muitos de nós que pertencem às classes populares da Andaluzia. Já sabemos que 
quando desde a esquerda no governo não há respostas para o desespero e a falta de 
expectativas da classe trabalhadora, a extrema direita, em qualquer de suas versões, está 
sempre à espera de sua vez.

Anos de reformas trabalhistas, declínio social, desemprego de longa duração, a 
precariedade vital, emigração, serviços sociais em declínio, deserto industrial, 
austeridade, o clientelismo e a corrupção, impulsionado mais ou menos por partidos que, 
afirmando-se diferentes, acabam praticando políticas muito semelhantes no fundamental, o 
que afeta a vida cotidiana da classe trabalhadora, que geraram o clima social do 
individualismo e desconfiança nas soluções coletivas, apatia, desesperança e bodes 
expiatórios, bem como o nacionalismo identitário, de um tipo ou outro, que evidenciam os 
resultados eleitorais do último domingo (02/12).

Porque nestas eleições, a abstenção e o voto para a extrema direita coincidem com uma 
forte desmobilização da classe trabalhadora, cujas causas podemos buscar na dureza da 
crise, o desemprego ou a insegurança, mas também no compromisso eleitoral excessivo e o 
acesso a parcelas muito limitadas de poder, ao sabor sempre dos meios de comunicação, como 
horizonte exclusivo para canalizar as aspirações que emergiram das praças, passeatas, 
greves gerais e manifestações contra as reformas trabalhistas, cortes de direitos e 
pensões, ou contra o patriarcado.

Mas desde o anarcossindicalismo defendemos que não há atalhos, e precisamos de um 
contrapoder popular nos locais de trabalho e bairros, como anticorpos contra o fascismo, 
com antecipação de outros valores, como a melhor ferramenta para permitir a transformação 
social radical que precisamos, essas eleições devem nos servir como uma chamada de 
atenção, como uma chamada à reflexão, não só para a ação, sobre a urgência da construção 
desde os sindicatos, dos ateneus, das assembleias de vizinhos e populares, dos centros 
sociais e ocupações rurais uma alternativa real e cotidiana com os milhões de 
trabalhadores e trabalhadoras que não votaram, mas que também não se organizam em um 
sindicato, nem saíram às ruas para defender seus direitos. Uma alternativa desde a 
solidariedade e da luta, também para aqueles que podem ser tentados a buscar nos bodes 
expiatórios, que lhes acenam desde a classe política e das oligarquias, a solução para 
seus problemas.

É hora de colocar as necessidades básicas da classe trabalhadora em primeiro plano, o Pão, 
o Trabalho, o Teto e a Dignidade, que gritamos coletivamente por ruas e estradas; tempo 
para construir ferramentas eficazes para a luta, desde baixo e buscando alianças; hora de 
se situar na primeira fila na defesa dos direitos e conquistas que certamente o governo da 
Junta, independentemente de sua composição, vai tentar minar, com o aprofundamento das 
políticas neoliberais que já estávamos sofrendo e que sempre escondem atrás de seus 
slogans eleitorais vazios, agravando ainda mais a situação de desemprego e precariedade.

O regime surgido da transição se desfaz e evidencia, o que deve ser para aqueles que o têm 
desafiado desde a sua criação, não sem preocupação e incerteza, uma oportunidade de fazer 
progressos para uma sociedade alternativa, mais justa e solidária.

Se não o fizermos, se não construirmos alternativas reais, também seremos responsáveis 
pela deriva fascista que se adivinha e que bebe do desespero e do ódio para os mais fracos 
como a principal válvula de escape. Portanto, temos que fazer realidade nosso chamado para 
se organizar e lutar.

Comitê Regional CNT Andaluzia

Fonte: 
http://cnt.es/noticias/andaluc%C3%ADa-tras-las-elecciones-andaluzas-contra-la-desmovilizaci%C3%B3n-y-el-fascismo-organizaci%C3%B3

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana


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