(pt) colectiv libertario evora: FRANK MINTZ SOBRE OS COLETES AMARELOS (ca, en, it)

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Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018 - 05:04:27 CET


Maio/junho de 1968 - novembro/dezembro de 2018 ---- Frank Mintz, um anarco-sindicalista 
francês, expressa a sua solidariedade para com a luta dos coletes amarelos ---- Estamos a 
viver em França um movimento social de um novo tipo que está a sacudir os cimentos do 
neoliberalismo e da democracia burguesa: os coletes amarelos. --- Viu-se como Maio e Junho 
de 1968 começaram por uma repressão policial impensável de estudantes e manifestantes 
durante a noite de 10 de Maio de 1968 no Quatier Latin de Paris. ---- Agora, desde 17 de 
Novembro, através de convocatórias colocadas por gente desconhecida na internet, 
generalizou-se o protesto de milhares de utilizadores de automóveis afectados pelo aumento 
do preço do gasóleo. Aparentemente uns 200.000.
Vivem em capitais, em cidades pequenas e médias, em zonas rurais e todos têm que percorrer 
diariamente dezenas de quilómetros uma vez que os locais de trabalho estão longe, tal como 
as zonas comerciais e os centros médicos; faltam também comboios de proximidade, há poucas 
linhas de autocarros. Vão rareando os hospitais e as clínicas, as escolas, o comércio em 
concelhos com populações reduzidas.

A isto juntam-se os problemas dos salários mínimos insuficientes, das reformas exíguas, da 
diminuição dos subsídios aos deficientes, dos impostos que estão a aumentar para toda a 
população ao contrário do imposto sobre as grandes fortunas que foi suprimido pelo actual 
presidente e das ajudas estatais às grandes empresas concedidas pelo mesmo presidente.

E também se questiona o atraso nas medidas anunciadas pelo actual presidente para 
erradicar a extrema pobreza dos SDF (Sem Domicilio Fixo, ou seja, não só os mendigos, mas 
também alguns assalariados que dormem em carros); a quase nula política de luta contra a 
contaminação, o nuclear.

Que classes sociais, níveis etários, géneros? Pois bem, todos, empregados e desempregados, 
pequenos comerciantes e reformados, velhos, jovens, homens, mulheres, etc..

Inimaginável antes de 17 de Novembro de 2018 há agora o repúdio generalizado por parte dos 
coletes amarelos de qualquer espécie de classe política seja de direita, centro ou de 
esquerda e dos grupúsculos de activistas de uns e de outros.

«Não nos representam!», «Há 40 anos que não prestam!», «Não queremos representantes que 
não possamos controlar!»

Obviamente que os coletes amarelos exigem a demissão do presidente da República, mas vão 
mais além:«Deve-se reformar a Constituição!»

Mais especificamente a fonte de inspiração ideológica dos coletes amarelos são os cadernos 
de propostas («Cahiers de doléances») de 1789 antes da queda da monarquia dos Borbones.

Ninguém cita ou parece conhecer Marx, Lenin, a Direcção revolucionária do Partido 
Proletário ou Bakunin, 1917 dos sovietes ou a Espanha anarcosindicalista de 1936.

Um detalhe importante é que 80 por cento dos franceses nas sondagens oficiais aprova a 
luta dos coletes amarelos: no entanto, a televisão estatal mais popular apresenta-os como 
gente violenta, quase terrorista.

Outro detalhe: é graças à incrível teimosia e incapacidade de resposta do Presidente da 
República que o movimento dos coletes amarelos se pôde expandir e continuar a crescer com 
a participação e o apoio diário de novos sectores laborais: bombeiros, maqueiros, 
ferroviários...

Como é que tudo isto vai acabar? Ou levam o Presidente ao manicómio, ou vem outro, mas os 
coletes amarelos saíram à rua para vencerem: espancados pela polícia desde há dois 
sábados, no terceiro (esta semana) qualquer tragédia pode acontecer.

Os coletes amarelos não querem representantes mas apresentam 42 reivindicações no âmbito 
da precariedade, reformas, fiscalidade e banca, transição ecológica, instituições, emprego 
e salário, emigração, saúde e outras áreas.

Selecciono algumas:

Fim à subida do preço dos carburantes
Salário mínimo de 1.300 euros (livres de encargos sociais)
Salário máximo de 15.000 euros
Reforma mínima de 1.200 euros
Reforma aos 60 anos e para toda a gente que tenha trabalhado em profissões de desgaste 
físico (por exemplo pedreiros ou talhantes) o direito à reforma a partir dos 55 anos
Reformas solidárias, ou seja reguladas a nível nacional.
Favorecer o transporte de mercadorias por caminho-de-ferro.
Acabar com as indemnizações presidenciais vitalícias.
Isolamento térmico dos prédios
Incentivar o pequeno comércio nas aldeias e outros centros urbanos.
O mesmo sistema de segurança social para todos
Apoios maiores para a Justiça, a Polícia, e o Exército.
Protecção para os emigrantes estrangeiros.
Salas de aula com um máximo de 25 alunos/estudantes desde o jardim-de-infância até ao 
último ano do bacharelato.
Frank Mintz 03.12.18

aqui: http://alasbarricadas.org/noticias/node/41070

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2018/12/07/frank-mintz-sobre-os-coletes-amarelos/


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