(pt) Coletes amarelos: entre a raiva legítima, transbordamentos racistas e perda de referências de classe. por ligarj

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Quinta-Feira, 6 de Dezembro de 2018 - 07:48:56 CET


Gilets jaunes: entre colère légitime, débordements racistes et perte des repères de 
classe. ---- Desde o último sábado, que uma onda de coletes amarelos parece ter se 
espalhado pelo Hexágono para denunciar, inicialmente, o aumento das taxas de combustível. 
De acordo com as últimas contas, no momento em que escrevo estas linhas, estes comícios 
reuniram cerca de 290.000 pessoas em todo o país desde sábado. No programa, bloqueios, 
operações de caracol e filtragem, e especialmente muitos excessos racistas, homofóbicos e 
violentos. ---- Movimento com origens bastante vagas, com amplo slogan do ras-le-bol 
fiscal, desde o seu início, soprou conflitos de classe, reunindo no mesmo espírito, 
proletários, pequena burguesia e patrões. Prova disso, é que algumas transportadoras vendo 
no aumento dos impostos sobre combustíveis, uma perda de seus queridos lucros, aderiram ao 
movimento e participaram dos bloqueios neste final de semana. Ao mesmo tempo, a 
extrema-direita rapidamente se uniu a esse movimento de protesto (que, ligado a suas 
ideias liberais, se encontrava totalmente na tipóia antitributação realizada pelos coletes 
amarelos), antes de se juntar a ele,fizeram o mesmo as correntes políticas de todos os 
tipos, direita e esquerda, que obviamente não queriam deixar de existir no âmbito de um 
movimento dessa amplitude.

Além disso, por trás da primeira chamada contra o aumento dos impostos sobre os 
combustíveis parece ter vindo junto raiva e reivindicações de vários tipos. Encontramos 
ente esses coletes amarelos, também pessoas em situação precária, conduzidas até o fim 
pelas políticas de ruptura social de sucessivos governos, como manifestantes com 
afirmações francamente duvidosas, até mesmo claramente liberais, culpando funcionários, 
contribuições e assistência social. Graças a eles, a Macron já há a desculpa perfeita para 
legitimar seus futuros ataques ao que resta dos serviços públicos e dos mecanismos de 
seguridade social, explodindo suas fontes de financiamento.

De qualquer forma, os múltiplos ataques homofóbicos e racistas deste fim de semana 
testemunham a ideologia nauseante que paira sobre vários coletes amarelos. O episódio da 
jovem violentada, convocada para retirar o véu sob a pressão de aprendizes de milícia, ou 
o da agressão racista de uma jovem, enoja-nos. O exemplo mais recente é uma enxurrada de 
coletes amarelos, que depois de avistar migrantes escondidos em um caminhão, chama a 
polícia para prendêl-los. Esses episódios nos mostram que alguns, levando seu colete 
amarelo, estão realmente sonhando em ser o policial, administrando sua pequena justiça 
reacionária, racista e expedita ao redor de uma rotatória. Porque vamos dizer isso com 
clareza: estes coletes amarelos, se eles são a expressão para muitos de uma raiva 
profundamente legítima contra os líderes e o sistema político em vigor, também têm algo 
muito assustador, especialmente quando eles transformam-se em milícias improvisadas, sem 
princípios ou regras claras, às vezes julgando e violando indivíduos à frente do seus carros.

Uma coisa é certa, este movimento de coletes amarelos, mostra-nos que há uma raiva muito 
real e legítima em muitas pessoas, fruto da precariedade organizada por patrões, políticos 
e proprietários. Essa raiva é ainda mais compreensível nos desertos rurais, lugares onde 
anos após anos desaparecem, hospitais, maternidades, estações de trem, ônibus, escolas. O 
surgimento de um futuro movimento social não é, portanto, impossível diante das reformas 
que o governo de Philippe está preparando para nós. Infelizmente, reunindo trabalhadores e 
patrões em slogans comuns, os coletes amarelos também são um sinal do desaparecimento de 
referências culturais e de classe. Portanto, é mais do que necessário hoje massivamente 
disseminar nossos discursos e nossas ideias, recordar nossas oposições de classe e o fato 
de que esse movimento, em sua forma atual e as ideias que ele dissemina cai como sopa para 
extrema direita preparando o caminho para as futuras políticas ultraliberais do governo, 
incluindo a próxima reforma previdenciária. Diante dos problemas de mobilidade impostos 
por este aumento nas taxas de combustível, precisamos trazer slogans e demandas claras, 
exigindo a criação de transporte público em áreas onde eles não existem, a sua gratuidade, 
a taxação do capital, não dos trabalhadores, o aumento de salários e pensões.

Mas não devemos esquecer que essas exigências imediatas, absolutamente necessárias, não 
serão capazes de responder, a longo prazo, à miséria social que o sistema capitalista 
produz estruturalmente. É por isso que nós, anarquistas, defendemos uma sociedade 
federalista livre de exploração de classe, organizada em torno das associações de 
consumidores e trabalhadores, garantindo a produção, a salvaguarda dos ofícios e o 
bem-estar de todos. A revolução que devemos levar não deve ser um movimento de violência 
total, sem princípios ou referências de classe, levando para o inimigo aquele que não 
canta a Marselhesa ou que usa um véu, mas um movimento fundamental de reconstrução da 
nossas instituições sociais apoiadas pelos próprios trabalhadores e que colocam os 
princípios de solidariedade e igualdade no centro de suas operações.

Groupe anarchiste Salvador-Seguí
Paris, le 22 novembre 2018

Le Monde Liberaire

https://ligarj.wordpress.com/2018/12/02/coletes-amarelos-entre-a-raiva-legitima-transbordamentos-racistas-e-perda-de-referencias-de-classe-gilets-jaunes-entre-colere-legitime-debordements-racistes-et-perte-des-reperes-de-classe/


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