(pt) anarkismo.net: Venezuela E Outra Tentativa De Invasão Do Império. Brasil: Milicos Na Rua por FAU - Federación Anarquista Uruguaya

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Sexta-Feira, 13 de Abril de 2018 - 07:54:58 CEST


Nota da FAU traduzida ao português. ---- A situação de desabastecimento torna-se cada vez 
mais complexa na Venezuela. Os grandes conglomerados da alimentação (como a Polar), 
juntamente a diversas entidades financiadas pelos organismos colaterais da CIA (como está 
bem documentado em vários estudos e artigos) provocam a escassez de produtos básicos com o 
objetivo de "desestabilizar" a situação social e gerar as condições para colocar um 
governo afinado com os interesses dos EUA e da direita fascista venezuelana. ---- Após as 
últimas eleições, a própria direita nucleada no MUD (Mesa da Unidade Democrática, coalizão 
de partidos políticos da Venezuela que fazem oposição à Revolução Bolivariana do PSUV - 
Partido Socialista Unido da Venezuela) foi se dividindo, e parte dela aceitou o resultado 
eleitoral. A parte mais obstinada do MUD mantém o plano de desestabilização projetado pela 
CIA, muito similar ao empregado para dar o golpe de Estado no Chile em 1973.

Nas últimas semanas, Rex Tillerson, o agora ex-secretário do Departamento de Estado dos 
EUA e empresário petroleiro ligado a Exxon, amigo de Vladimir Putin, esteve em excursão 
por vários países da América do Sul, incluindo Argentina, Peru e Colômbia, com o propósito 
de ajustar o cerco à Venezuela. Conseguiu o compromisso dos governos desses países, 
especialmente do Peru, de impedir a participação da Venezuela na VIII Cúpula das Américas, 
em 13 e 14 de abril. O Peru (país anfitrião) não convidou o governo venezuelano e isso 
gerou tensões em toda a região andina. Vários países da área exigem que as eleições na 
Venezuela sejam adiadas, mas nenhuma foi tão ativa em rejeitar o golpe de Temer, por 
exemplo. A esse grupo de países se soma agora o Uruguai, fazendo as tarefas do império, 
colocando-se totalmente sob sua asa. É o fim da política "mais independente" em relação 
aos EUA que havia sido sugerida no período anterior. Vázquez e Nin Novoa têm linha direta 
com Washington e Almagro.
Por outro lado, manobras e tentativas de implantar forças paramilitares em território 
venezuelano foram denunciadas. Parece que o plano é invadir a Venezuela com as dramáticas 
consequências sociais que isso teria. Os EUA estão voltando a ter o controle de seu 
"quintal" e não toleram qualquer governo que não siga sua partitura. Até mesmo o governo 
sandinista da Nicarágua suspendeu as exportações para a Venezuela devido às pressões dos EUA.

Voltamos a ver novamente os "golpes suaves" ou "parlamentares" do Paraguai e do Brasil, 
uma tentativa de aumentar a presença militar na região, a fim de manter controladas as 
áreas de interesse direto dos EUA, como a Venezuela, uma das maiores reservas de petróleo 
do mundo. Sobretudo, após o fracasso retumbante das aventuras imperiais no Oriente Médio.

São tempos mais complexos para os povos do continente. O império pisa e ajusta os passos, 
não quer perder terreno e quer um controle efetivo e forte das populações e territórios. 
Tem seus aliados e eles jogam pesado também. No Brasil, a intervenção federal no Estado do 
Rio de Janeiro é um laboratório do que virá para todo o país, com uma forte militarização 
da vida social, onde a única coisa que o Estado se propõe a fornecer aos pobres é a 
repressão. O assassinato de Marielle Franco, vereadora do PSOL e que investigava a 
intervenção federal no Rio, assim como tinha denunciado várias vezes a repressão e a ação 
policial nas favelas, é uma prova clara do estado de militarização que está sendo imposto 
no Brasil, para arrasar os direitos dos que estão abaixo e impor um modelo neoliberal puro 
e duro.

São tempos onde avança tudo o que é reacionário. Mas nestes tempos também avança a luta 
popular e propostas de uma sociedade diferente como aquela que proclama o anarquismo e se 
propagam na militância cotidiana. Nossos companheiros da Coordenação Anarquista Brasileira 
(CAB) vêm desenvolvendo uma importante militância e, portanto, o Estado também tem como 
alvo o anarquismo como um "fator preocupante" para seus interesses e os do capital.

Outra etapa se abre na América Latina. No Uruguai, tudo acontece um pouco mais devagar, 
mas esses ventos estão chegando. São tempos complexos; tempos em que devemos enfrentar a 
direita na rua, nos locais de trabalho e estudo, no campo, em todos os lugares onde está 
em jogo a construção de uma sociedade diferente. Vão tensionando a corda... Devemos também 
tensionar a organização popular em todos os níveis, porque estes tempos exigem aumentar os 
níveis de luta e organização.

PELA CONSTRUÇÃO DE UM POVO FORTE!

AVANTE OS QUE LUTAM!

https://www.anarkismo.net/article/30918


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