(pt) [Bielorrússia] Protestos contra a "lei anti-parasitas" By A.N.A.
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Quinta-Feira, 23 de Março de 2017 - 10:24:00 CET
Manifestantes tomaram as ruas de cidades da Bielorrússia para protestar contra uma lei que
pune pessoas que não trabalharem uma carga mínima registrada de dias por ano. A legislação
promulgada pelo presidente Alexander Lukashenko é conhecida como "lei para prevenção do
parasitismo social". ---- A série de protestos ocorreu nas cidades de Orsha, Babruysk,
Brest e Rahachow no último domingo (12/03) e reuniu centenas de pessoas. Uma nova
manifestação ocorreu nesta quarta-feira (15/03) na capital, Minsk. Governado com
autoritarismo por Lukashenko desde 1994, Bielorrússia não via protestos como esses há
anos. O governo reagiu imediatamente e prendeu dezenas de opositores, ativistas[entre eles
dezenas de anarquistas]e jornalistas. ---- A lei que enfureceu a população prevê que
pessoas que trabalharem oficialmente menos de 183 dias por ano estão sujeitas a uma multa
anual equivalente a 233 euros (782 reais). Desempregados não estão sujeitos à punição, mas
eles já são obrigados a realizar serviço comunitário, pelo qual recebem meros US$ 10 (R$
31) mensais.
Os 233 euros representam dois terços da renda mensal média desse empobrecido país do Leste
Europeu. A lei prevê ainda que aqueles que não conseguirem pagar a multa poderão receber
penalidades adicionais e eventualmente parar na cadeia.
A lei foi promulgada em 2015. No final de 2016 teve início a fase de cobrança das multas.
O prazo final para a quitação foi em 20 de fevereiro de 2017. A medida já havia gerado
críticas na época da elaboração da lei, mas a chegada da cobrança foi demais para muitos
bielorrussos. O governo enviou a multa para 470 mil pessoas do país, que tem 10 milhões de
habitantes. Apenas uma em cada oito conseguiu pagar.
Lukashenko chegou a suspender a aplicação da lei na semana passada, provavelmente
antecipando a reação negativa. Agora, os afetados terão mais um ano para pagar. Mas isso
não foi suficiente para acalmar os ânimos, e manifestantes saíram às ruas para pedir a
revogação total da medida. Alguns também pediram que Lukashenko, conhecido como "o último
ditador da Europa", renuncie. No mês passado, um protesto contra a lei reuniu 2 mil
pessoas em Minsk. Manifestantes carregaram cartazes que diziam "o presidente é o principal
parasita".
Críticos afirmaram que a lei imita medidas similares que existiam na União Soviética, onde
o trabalho era visto como uma obrigação patriótica e aqueles que falhavam em conseguir
emprego costumavam ser punidos pelo Estado. Lukashenko chegou a dizer que sua lei é uma
ferramenta "ideológica" e "moral".
Segundo ativistas, a lei pune sobretudo aqueles que estão mais vulneráveis socialmente e
mulheres que dividem o trabalho com tarefas domésticas. Outros críticos apontam que a lei
também serve para coagir pessoas que não trabalham para empresas estatais (que representam
o grosso da economia do país) e, portanto, são mais independentes do poder central, como
trabalhadores freelancers ou não registrados.
Fonte: agências de notícias
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