(pt) CAB, PUBLICAÇÕES: COMO VOTAM OS ANARQUISTAS? SETEMBRO 20, 2016 CALC

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Segunda-Feira, 26 de Setembro de 2016 - 15:17:56 CEST


- Olá Maria! ---- - Oi Ana! Nossa, que bom que eu te encontrei. Sabe, estou aqui pensando 
em quem eu vou votar. Você, que sempre fica falando de política, pode me ajudar? ---- - 
Você sabe que eu sou anarquista né? ---- - Sim! E eu queria saber isso mesmo, como votam 
os anarquistas? ---- - Votamos nos atos de rua, nas manifestações, nas assembleias dos 
movimentos sociais, nos sindicatos. Votamos na luta! ---- - Mas e nas urnas? Vocês votam 
nulo então? ---- - Na verdade, para nós o voto nas urnas não faz a menor diferença. Não 
importa em quem você vota, nenhuma das mudanças que nós realmente queremos e precisamos 
virá dos representantes. Além do que, as eleições estão definidas muito, muito antes do 
dia em que vamos às urnas. ---- - Como assim? Você está dizendo que elas não são justas?

- Nem um pouco! Para ganhar as eleições, você precisa fazer campanha. Pra fazer campanha, 
você precisa de financiamento, que vem das indústrias, bancos, do agronegócio... Ou seja, 
quem não se vende para os ricos, não tem a menor chance de ganhar! Todos os candidatos que 
tem alguma chance vão defender os interesses de quem os financiou.

- Sim, mas existe uma nova lei de financiamento, que proíbe as empresas de fazerem doações.

- As empresas. Mas os donos das empresas podem fazer doações, assim como os candidatos. 
Além disso, podem pagar laranjas para fazerem mais doações e por aí vai. Mesmo que as 
doações sejam menores, os aliados das empresas continuam sempre em vantagem.

- Ah, mas os candidatos são diferentes... Sempre tem um que é menos pior, não é mesmo?

- São diferentes sim, mas não faz muita diferença para nós, pessoas trabalhadoras. Sabe, 
todos os candidatos que tem alguma chance de ganhar representam os interesses dos 
poderosos, sendo eles mesmo poderosos... Mesmo os que supostamente não representam os 
ricos, ao serem eleitos, ficam em uma posição de privilégio que não permite uma sociedade 
igualitária e que as pessoas decidam tudo o que lhes diz respeito. Os diferentes partidos 
e candidatos só fazem isso de jeitos diferentes. Nenhum deles trata dos problemas mais 
fundamentais da sociedade. Às vezes falam de coisas importantes, mas fazer que é bom, não 
tem como.

- Mas hoje em dia temos um governo federal que está atacando nossos direitos trabalhistas, 
fazendo uma reforma da previdência, privatizando o que é público, não investindo nos 
nossos direitos essenciais, como educação, saúde e transporte... Por isso é importante 
votar no menos pior! Veja o governo anterior era de esquerda e as coisas eram muito melhores.

- Ah, muitos dos ataques começaram no governo anterior! A reforma da previdência estava 
sendo discutida, o projeto de lei 257, que ataca os servidores públicos já havia sido 
encaminhado, a lei antiterrorismo que criminaliza as manifestações e os movimentos sociais 
foi sancionada pela presidenta anterior, assim como o veto à auditoria da dívida 
pública... Pra mim isso não é nem um pouco um "governo de esquerda". Nem mesmo reformas no 
Estado esse partido fez!

- Mas então não devíamos votar em candidatos que realmente fariam essas reformas?

- Nenhum deles faria essas reformas, porque eles têm que obedecer às leis do capital 
internacional. Eles não podem dar o calote na dívida pública, por exemplo. O Estado é todo 
construído pra que isso não aconteça. E sem mexer nisso, nenhuma reforma realmente 
profunda é possível, porque boa parte do dinheiro público vai pro pagamento dessa dívida. 
Ou seja, além de os vencedores já estarem definidos pelo financiamento, o que eles vão 
fazer é limitado pelo poder econômico, tanto dos ricos do país, quanto dos interesses dos 
ricos do mundo todo! Mais do que isso, a política brasileira é dominada por bancadas 
conservadoras, que além de impedir as reformas que garantem direitos para as pessoas mais 
oprimidas, têm colocado em pauta muitos retrocessos!

- Ué, pra que eleições então?

- Elas servem pra legitimar o discurso de "democracia", que de democrático não tem nada! É 
muito vantajoso para as pessoas que estão no poder iludir o povo com a ideia de que temos 
o poder de mudar alguma coisa através do voto, nos distanciando das ações que são 
realmente transformadoras. Dessa forma, legitimam aqueles que estão no poder, governando 
para os ricos, e quando as coisas não vão bem, a culpa é do povo que "não soube votar". 
Mesmo aqueles candidatos "do povo" acabam por legitimar essa ideia ingênua, afirmando que 
eles poderiam mudar algo de muito importante se fossem eleitos, mas na prática, 
conquistamos o que importa em outro lugar, onde os candidatos só passam para discursar e 
não fazem o trabalho duro.

- Mas se não é através do voto, o que podemos fazer?

- Ir às ruas, às lutas de base. Para nós, anarquistas, importa muito mais as lutas 
cotidianas, a construção de uma outra alternativa de fazer política, do que votar ou não 
em um ou outro candidato...

- E desde quando ficar gritando na rua é fazer política?

- Desde muito tempo! Os direitos do povo foram conquistados assim. Quando os trabalhadores 
fazem uma greve e a levam até o fim, eles conquistam melhores condições de trabalho, 
quando os sem-teto ocupam um imóvel, eles avançam no seu direito de moradia e o mesmo vale 
para os sem-terra que ocupam terras. Quando os moradores da periferia fazem um protesto 
organizado, trancam as ruas ao redor da sua comunidade, eles conquistam soluções para as 
necessidades básicas do bairro onde moram; quando os estudantes pressionam os reitores e 
governantes eles conseguem mais assistência estudantil e por aí vai. Em nenhum desses 
casos dependemos dos políticos profissionais! Em todos esses casos quem realmente faz a 
política é o povo. E da melhor forma possível: O povo fazendo política para o povo!

- Ah é? E quando isso aconteceu de verdade?

- Muitas vezes! E nem precisamos ir longe: recentemente houve as ocupações de escola em 
vários estados do país, como por exemplo em São Paulo, onde impediram o fechamento de uma 
centena de escolas. Vimos recentemente várias greves fortes e radicalizadas, atropelando 
as direções pelegas dos sindicatos, saindo com conquistas de direitos, mostrando que a 
organização dos trabalhadores fala muito mais alto do que a voz de qualquer direção! Em 
casos onde empresas demitiram muitos trabalhadores, houve greves capazes de obrigar as 
empresas a recontratar todos que foram demitidos. E esses movimentos não estavam 
dependendo de representantes para nada disso.

- Tá bom, Ana, vou pensar nisso tudo que você me disse...

- Olha, e temos muito o que fazer de política nessa sociedade. E saiba que para os 
anarquistas a política não é feita somente em ano de eleição, para nós ela é feita todos 
os dias. Participando dos sindicatos, dos movimentos de bairro, estudantil, do campo, da 
floresta, da luta pelo transporte, pela saúde, pela educação. Com certeza existe alguma 
coisa na qual você pode se envolver!

- Tá bom, pode deixar. Até mais!

- Até!

https://anarquismopr.org/2016/09/20/como-votam-os-anarquistas-2016/


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