(pt) Coordenação Anarquista Brasileira (CAB): Contra a cultura do estupro, a resistência é a vida.

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Domingo, 29 de Maio de 2016 - 11:36:14 CEST


A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), reunida em plenária nacional, quer declarar seu 
completo repúdio e indignação com o caso de estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos 
por mais de trinta homens ocorrido na cidade do Rio de Janeiro. ---- A cultura do estupro 
não é recente em nossa história, pelo contrário, está na gênese da formação social do 
Brasil, pois sob a consígnia da miscigenação cultural existe um país formado a partir do 
estupro colonial de negras e indígenas. ---- A cultura do estupro existe a partir da 
inadmissível ideia que os corpos e as vidas das mulheres servem naturalmente à dominação 
masculina. Reside em nosso meio como permanente lembrança que vivemos em uma sociedade 
extremamente violenta com as mulheres, caracterizando um quadro de guerra civil contra as 
mulheres, em que todos os dias morrem algumas das nossas.

Ainda que antiga, a cultura do estupro se fortalece em momentos conjunturais de negação do 
direito e da existência humana das mulheres. É o momento em que vivemos, quando o o 
patriarcado e a religião, institucionalizados por meio do Estado, cortam possibilidades de 
existência digna por todos os lados: saúde, educação, trabalho, cultura e mobilidade.

Levantamento do IPEA, feito com base em dados de 2011, mostrou que 70% das vítimas de 
estupro no Brasil são crianças e adolescentes; cerca de 15% dos estupros registrados no 
sistema do Ministério da Saúde envolveram dois ou mais agressores; 70% dos estupros são 
cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima. De acordo com dados mais 
recentes, em 2014, o Brasil teve um caso de estupro notificado a cada 11 minutos. Diante 
deste cenário, preocupa-nos a chegada das Olimpíadas no Rio  de Janeiro, pois sabemos que 
o acontecimento de megaeventos contribui para o aumento da exploração dos corpos de 
mulheres e adolescentes, comercializadas como atrativos turísticos.

Reiteramos que devemos permanecer firmes e resistentes contra o avanço sobre os corpos, as 
vidas e os direitos das mulheres, fortalecendo discussões e práticas feministas em nossas 
organizações e nos movimentos sociais em que estamos.  É importante também nos atentarmos 
para a construção da autodefesa como forma de resistência em rede, jamais isoladas.

Mexeu com uma, mexeu com todas!

Estupradores não passarão!

Machistas não passarão!

Fortaleza, 28 de maio de 2016.

Coordenação Anarquista Brasileira


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