(pt) cnt.es: Espanha, CNT frente à crise dos refugiados. Pela solidariedade de classe internacionalista. (ca)

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Sábado, 28 de Maio de 2016 - 11:44:20 CEST


As repercussões da situação no Oriente Médio seguem chegando até a costa da Europa em 
forma de maré de refugiados, já convertida em crise pela inépcia e falta de vergonha dos 
políticos de todo tipo, de todos os continentes. Por um lado, os estados locais, a partir 
do próprio governo de Al Assad até o Irã ou Arábia Saudita, sem esquecer-se da Turquia, 
recorrem a todo espectro de governos autoritários e que jogam seu xadrez geopolítico na 
zona, de olho sempre na perpetuação de seu domínio doméstico, passando por cima do sangue 
de centenas de milhares de inocentes. Por outro, a intervenção das potenciais mundiais, 
guiadas, novamente, por seus próprios interesses de política doméstica ou geopolítica 
estratégica, desde a intervenção russa até o pânico europeu diante dos milhares de 
refugiados que fogem do massacre. Que se registre que as responsabilidades de uns são 
muito mais graves que as de outros, mas entre eles têm conseguido que a região se afogue 
em um banho de sangue.

Como faríamos todos e todas na mesma situação, centenas de milhares de pessoas fogem da 
forma mais precária de suas casas e cidades, forçadas por um conflito generalizado e sem 
saída aparente ou próxima. Não deixa de ser significativo que sua fuga as leve a 
desembarcar nas costas gregas, no mesmo berço do Ocidente e da democracia que tanto 
apregoam liberais e socialdemocratas, em sua particular concepção da palavra. O vergonhoso 
tratamento que recebem agora aqueles que fogem da morte e do massacre, nos move, na CNT, a 
tomar posição uma vez mais frente a esta iniquidade, como já fizemos em ocasiões 
anteriores. Aqueles que buscam paz e condições mínimas de vida para sua família encontram 
as fronteiras fechadas, com cercas e concertinas (nas quais nosso próprio estado tem 
experiência de sobra) e gases lacrimogêneos. Essas pessoas se viram confinadas em campos 
de concentração com condições de vida sub-humanas e, para completar, a UE concluiu há 
algumas semanas um acordo de expulsão com a Turquia, país fechado em sua própria espiral 
autoritária, cenário de uma guerra civil soterrada e aliado implícito do DAESH (Estado 
Islâmico). Os políticos da UE parecem confiar que este pequeno exemplo de desprezo aos 
direitos humanos os ajudará a limpar suas credenciais democráticas. Não cabe dúvidas de 
que esta solução que se inventa é um custoso adiantamento para o futuro.

Desde então, este acordo com a Turquia para devolver os refugiados que chegaram por mar, e 
a gestão em geral do assunto tem garantido duras críticas à UE. Sem dúvida, muitas destas 
denúncias não deixam de estar ancoradas em uma espécie de idealização do que é, ou dizem 
que deveria ser, a Europa. Deste modo, geralmente se parte de um discurso generalista da 
defesa dos direitos humanos e de uns supostos valores europeus que, à margem do 
centralismo cultural que implicam, buscam principalmente soar bem ao ouvido do “sentido 
comum” cidadanista. Mas, na realidade, a crise em si é muito mais profunda e afeta ao 
próprio discurso herdado do iluminismo que se encontra no mesmíssimo coração do Ocidente e 
em sua defesa de uma suposta democracia. Por isso as declarações que falam de direitos 
humanos fracassam diante da enormidade da tragédia, que já tem dimensões continentais e 
quase planetárias. Assim, os mesmos governos e instituições que firmaram tantíssimas 
declarações, em um momento no qual era algo abstrato, as convertem em letra morta na hora 
de oferecer soluções a problemas concretos como este.

Mais ainda, o que predomina neste caso e o que a situação atual destaca é a capacidade das 
classes dominantes de todo o globo em aliar-se entre si como forma de aferrar-se ao poder 
e defender seus privilégios, por cima do sangue e da vida dos despossuídos, que somos o 
resto, em maior ou menor grau. Uma vez depois da outra, as promessas de liberação que o 
discurso ocidental, seja em sua versão liberal ou socialista-marxista, fizeram à população 
do mundo árabe fracassaram diante da aquiescência e tolerância que mostraram países 
desenvolvidos a ditadores e regimes autoritários de toda espécie, sejam de inspiração 
marxista, nacionalista, islâmica ou qualquer outra. Os interesses das elites mundiais 
primam sempre por cima da ânsia de justiça e liberdade das populações submetidas. O caso 
atual é ainda mais grave, se é possível, porque nas retaguardas dos nacionalistas europeus 
e do auge xenofóbico estão os próprios estrangeiros despossuídos que muitas vezes exigem 
de seus líderes a implementação de medidas cada vez mais restritivas. Muitos políticos, de 
olho nas pesquisas de opinião, não duvidam na hora de subir ao carro do discurso 
xenofóbico e racista. A combinação de todos estes fatores revela como é inútil e ineficaz, 
e carece de sustância, qualquer discurso que pretenda servir-se dos clichês cidadanistas 
de direitos humanos e democracia.

Sem dúvida, isto não é novo. Já havíamos visto coisas parecidas com as cercas de Melilla, 
por exemplo, ainda que agora a situação de guerra generalizada no Oriente Médio dê uma 
nova dimensão, quantitativa e qualitativa, à situação. Em outra ordem das coisas, os 
resgates recentes a banqueiros e grandes empresas e a clara vulnerabilidade dos interesses 
daqueles a quem os governantes pretendem representar, não deixa de ser outra instância de 
defesa dos privilegiados. Na prática, esta aliança dos poderosos significa autoritarismo 
para dentro e racismo para fora. Só deste modo se pode entender porque o Estado Turco é o 
cão de guarda da Europa, apesar da clara contradição que isto apresenta para o discurso 
europeísta e que é evidente a todo o mundo.

Na CNT temos um marcado caráter internacionalista. A partir dos acordos que realizamos 
recentemente em nosso XI Congresso, sentimos a necessidade de denunciar o trato desumano e 
vexatório ao que se submetem as pessoas refugiadas. Sejam aqueles que renunciam à guerra e 
escapam para não se verem obrigados a participar na loucura, ao serem chamadas às fileiras 
ou requeridas por alguma milícia local, até as milhares de famílias trabalhadoras, como 
pode ser qualquer um de nós, que fogem da barbárie que assola seus lares, buscando uma 
situação de refúgio político. De novo, as esperanças dos despossuídos do mundo árabe, e do 
mundo inteiro na realidade, chocam contra a dialética das valas e das concertinas, dos 
campos de concentração, que refutam as promessas de liberdade e direitos que mantém o 
discurso oficial ocidental. As vias institucionais, presas a um discurso cidadanista que 
não pode incorporar a solidariedade de classe, voltaram a demonstrar sua incapacidade. 
Frente a isso, só nos resta reiterar as chamadas de união internacionalista da classe 
trabalhadora para poder fazer frente à opressão a que as submetem os Estados a nível 
nacional e as instituições e superestruturas militares e político-econômicas a nível 
internacional, cada qual em seu âmbito. Faz-se necessária uma união internacionalista 
forte e organizada, séria em suas abordagens, práticas e lutas, que sirva para empoderar 
às camadas sociais mais desfavorecidas do globo. No caso concreto dos refugiados, vemos a 
necessidade de fomentar redes de apoio e solidariedade desde fora das vias institucionais, 
tanto a nível local, na medida do possível, como a nível internacional, buscando apoiar 
como organização àquelas inciativas afins sobre o terreno que estejam em situação de 
prestar ajuda direta a aqueles que sofrem as consequências desta barbárie.

Por tudo isso,

Solidariedade com as pessoas refugiadas. Que se abram as fronteiras aos refugiados! A luta 
é o único caminho! Viva a luta da classe trabalhadora internacional!

Fonte: 
http://cnt.es/noticias/cnt-frente-la-crisis-de-los-refugiados-por-la-solidaridad-de-clase-internacionalista

Tradução > Caróu


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