(pt) União Popular Anarquista (UNIPA) Causa do Povo nº74 - Revolução e Contra-Revolução no Curdistão

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 27 de Maio de 2016 - 09:54:01 CEST


A luta pelo Auto-Governo do Curdistão entrou numa nova fase no final de 2015. A vitória 
das forças curdas das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) e a sua ala feminina, o YPJ 
em Kobane, Rojava e Shinjar (área de maioria Yazidi), na Síria contra a ISIS-Daesh e a 
ação política do Partido da União Democrática (PYD) aliado do Partido dos Trabalhadores do 
Curdistão, o PKK, demonstraram que os Curdos são a principal força de resistência na 
região. ---- O programa socialista com base no chamado “Confederalismo Democrático”, uma 
proposta de anti-estado, de auto-governo da região, é a principal referência para avanço 
de uma sociedade sem classes, livre e igualitária. São essas organizações curdas que 
conseguem aglutinar combatentes de origem assiíra, yázidis, cristã, armênia, alevis, 
árabes sunitas e xiitas e turcos de esquerda.

O ataque do ISIS em Paris e os interesses imperialistas em jogo

Ao mesmo tempo a vitória dos curdos, que imprimiram as maiores derrotas ao ISIS, provocou 
a reação do Estado Turco comandando pelo AKP (Islâmico Sunita e Neoliberal) de Tacyp 
Erdogan que apoia as forças fundamentalistas sunitas, assim como a Arábia Saudita.

As disputas interimperialistas na região, entre o bloco sino-russo e americano-europeu 
impediram o ataque das forças da OTAN a autocracia do partido Baath, liderado por Assad, 
tal como fizeram na destruição dos estados autocráticos pan arabista da Líbia, de Kadafi, 
e do Iraque de Saddam Hussein. A Guerra Civil na Síria financiada pelos países europeus, 
EUA e Arábia Saudita provocou uma verdadeira crise humanitária, devido ao alto número de 
imigrantes que chegam a Europa e as mortes geradas pela guerra.

O ataque em Paris provocou a ira dos líderes europeus, os mesmos que atacaram e atacam 
milhares de civis em todo norte da áfrica e oriente médio, em prol de seus interesses 
comerciais e energéticos. A reposta dos governantes europeus é uma só: aumentar o Estado 
policial e penal em meio a crise econômica e social que assola grande parte do continente.

O Estado Francês que mantém fortes relações com as monarquias do Golfo e que mais insistia 
na derrubada do Governo Assad se viu confrontado com a posição Russa, Chinesa e Iraniana, 
contrária a queda de Assad, uma vez que isso enfraqueceria a posição do bloco de Moscou e 
Pequim. Teve que em parte ceder para agir contra o ISIS.

A Turquia, que em tese faz parte da coalizão da OTAN, passou a atacar toda a Esquerda 
Curda e Turca, desde o HDP, socialistas curdos que tiveram expressiva votação nas eleições 
turcas, até os anarquistas, como as prisões de militantes da Juventude Anarquista na 
Universidade de Istambul, torturas, atentados, como em Ancara, e assassinatos 
principalmente no sul da Turquia, norte do território do Curdistão.

Além disso, ministro de energia e petróleo do ISIS é justamente o filho do governante 
turco Recep Erdogan, sendo o Estado Turco que opera a infraestrtutura do ISIS, e a 
inteligência Saudita banca diretamente a Al Qaeda na Síria. A vitória em Kobane e Rojava 
demonstrou a possibilidade concreta de vitórias na luta pela autodeterminação do povo 
curdo, o que provocou a resposta Turca.

Enquanto isso, EUA-UE mantém o hipócrita discurso anti-terror e o apoio as ações da 
Turquia e das Monarquias do Golfo, principalmente a Arábia Saudita que financia o sunismo 
wahbita, a base de boa parte do fundamentalismo religioso do Islã.

Na Grécia: o Neoliberalismo do Syriza

Enquanto na Turquia temos o exemplo da resistência revolucionária Curda, através do PKK, 
PYD, YPG e YPG, na Grécia temos o exemplo da política reformista social-democrata do 
Syriza, que depois de vencer as eleições adotou a política de ajuste fiscal e de 
privatizações determinadas pela Troika (UE, FMI, BCE).

Para isso aceitou como legítima a dívida externa; permaneceu dentro da UE, se submetendo 
ao imperialismo franco-alemão, e, por fim, se aliou a extrema-direita do Partido dos 
Gregos Independentes, pró OTAN, xenófobo e anti-imigrantes, garantindo o apoio da Grécia 
as políticas militares da OTAN no Médio Oriente, na Ucrânia e a se aliando a Israel que 
mantém um brutal repressão contra o povo da Palestina.

As trabalhadoras e trabalhadores gregos responderam com uma greve geral no final de 2015 
as políticas de austeridade e privatização do governo social-democrata do Syriza.

A Revolução de Rojava Vencerá!

Morte ao Imperialismo e ao Estado Islâmico!

Pelo Socialismo e Autogoverno das massas!
***
Leia mais em: “Guerra e Revolução nas trincheiras de Rojava: Posição dos anarquistas 
revolucionários” (Comunicado nº44 da UNIPA)

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2016/05/16/revolucao-e-contra-revolucao-no-curdistao/


More information about the A-infos-pt mailing list