(pt) [EUA] Informe sobre o 1º de Maio em Seattle (en)

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Quarta-Feira, 18 de Maio de 2016 - 15:25:10 CEST


Pelo quinto ano consecutivo em Seattle, foi celebrado e lutado pelo que parecia ser cerca 
de 200 pessoas furiosas que pareciam empenhadas em se manterem nas ruas e negando ordens 
da polícia. Por volta das 17h30, um grupo com cerca de 30 anarquistas black block e 
simpatizantes chegaram em Westlake Plaza para juntarem-se a um pequeno grupo que já se 
aglomerava desde as festividades permitidas ocorridas mais cedo, com bandas punk, com o 
movimento Food Not Bombs e com mesas literárias. Faixas foram levantadas e usadas para 
cobrir-se contra a crescente massa crescente de câmeras e jornalistas, de modo que os 
manifestantes pudessem “compartilhar” materiais tais como pedras, máscaras e bastões. Uma 
faixa bastante grande que conduziu a marcha no dia dizia belamente “(A) SEJA LÁ EM QUEM 
ELES VOTEM, SOMOS INGOVERNÁVEIS (A)”, enquanto outra faixa negra simplesmente permanecia 
sem nada nele escrito.

Durante a hora seguinte, diferentes aglomerações continuavam a chegar em Westlake e 
juntavam-se ao já crescente círculo de faixas, enquanto múltiplos helicópteros pairavam 
acima de nós, jornalistas passeavam ao nosso redor se coçando para captar imagens 
suculentas para suas transmissões ao vivo e uma mobilização massiva de policiais de toda 
Seattle e cidades vizinhas ficavam por perto esperando. Por volta das 18h30 a paciência 
foi abandonada, e sem dizer uma palavra, os bastões e vigas de metal, quase em uníssono, 
começaram a marca a hora da partida, criando um metrônomo enquanto eram lentamente batidos 
no chão. Com as faixas na frente, a multidão movimentou-se ao norte de Westlake Plaza numa 
tentativa de alcançar o leste em Pine St., em direção ao Capitol Hill. A polícia estava 
claramente preparada para esse movimento da multidão, de modo que fomos encontrados no fim 
do quarteirão por uma grossa linha de policiais com equipamento anti-motim, apoiada por 
outra linha de policiais de choque em cada rua fora desse cruzamento. As bravas pessoas 
que carregavam as faixas empurraram a linha de policiais, pedras foram lançadas, mas nossa 
raiva não foi o bastante para atravessar as linhas e o spray de pimenta usado bastante e 
muito de perto durante todo o dia. Com certa confusão, nos viramos e nos movemos do lado 
norte da praça e seguimos para Northbound, na 4ª Avenida, passando o Westlake Center 
Starbucks, o qual recebeu pelo menos algumas janelas quebradas.

Em seguida, começaram as longas horas de marcha em meio às linhas de policiais de choque, 
a pé e de bicicleta, que guiavam a marcha para o bairro de Belltown, ao norte do centro 
comercial do distrito, e então redirecionou a marcha na direção oposta ao longo de uma rua 
paralela, voltando pelo centro comercial de Seattle e para dentro do bairro de SoDo, em 
grande parte desocupado e industrial. Na verdade, essa contenção foi o que criou a maioria 
dos conflitos entre os manifestantes e a polícia. A polícia rodeou a marcha com policiais 
de bicicleta nas calçadas de cada lado da rua, facilmente capazes de acompanharem aqueles 
de nós que estavam a pé e terem a palavra final sobre qual direção a marcha deveria 
seguir. Atrás de nós havia duas formações de policiais de bicicleta e de policiais em 
equipamento anti-motim, que constantemente trocavam de posição a fim de aliviar para cada 
um deles a tarefa de seguir a marcha. Muitas vezes, quando a marcha ia fazer uma pausa em 
um quarteirão, ou para tentar decidir como proceder ou em uma troca de projéteis e spray 
de pimenta com a polícia, uma linha de policiais com cassetetes e bikes aplicavam pressão 
por trás e empurravam os manifestantes para avançarem. Quanto à insana quantidade de 
policiais seguindo a marcha ao longo das ruas laterais em incontáveis vans e SUVs, apenas 
a mídia tradicional pode nos dar uma ideia da contagem real. Há informações de que Seattle 
contratou um terço a mais de policiais nesse ano do que no 1º de maio do ano passado, e 
isso se mostrou real. Se a marcha tivesse quebrado com êxito qualquer linha da polícia de 
choque ou chegado à frente daqueles policiais que nos seguiam pelos lados, haveria outras 
incontáveis vans cheias de policiais prontos para agir para enfrentarmos.

Apesar do seu absurdo número e das agressivas táticas de rua, ou talvez por causa disso, 
anarquistas e manifestantes responderam à altura com raiva e coragem, conseguindo ferir 
policiais e atacar símbolos do capitalismo ao longo do corredor do centro. Quase todas as 
vezes que a polícia utilizava spray de pimenta, ela se deparava com pedras voando, 
garrafas de vidro e foguetes. Um vídeo de uma fonte de notícias tradicional mostra 
policiais de bicicleta tentando empurrar manifestantes para longe com uma nuvem de spray 
de pimenta, apenas para se depararem com uma chuva de pedras, enquanto percebiam que sua 
força bruta não era o bastante para parar a raiva. Outro vídeo mostra um policial fazendo 
uma careta de dor enquanto corre sangue de um grande corte, necessitando de pontos 
imediatamente. Um policial precisou ser hospitalizado, enquanto correm relatos de outro 
sendo mordido por uma pessoa detida. Também correm relatos de pelo menos um coquetel 
molotov apagado arremessado contra a polícia. Quando a polícia jogava granadas de 
atordoamento, usava spray de pimenta ou inúmeras outras táticas de dispersão de multidão, 
manifestantes tomavam isso como uma oportunidade para contra-atacar. Como no 1º de maio do 
ano passado, estávamos testemunhando uma força e coragem crescentes entre aqueles que 
escolheram tomar as ruas, especialmente tendo em conta que a participação nesse ano foi 
marcadamente menor que no ano passado. No 1º de maio de 2012, um único uso de policiais de 
bicicleta dispersou uma marcha anticapitalista de centenas de pessoas; nesse ano, centenas 
de policiais não puderam nos pacificar; isto é, até marcharmos em direção ao 
estacionamento de Costco no distrito industrial. Nesse momento, muitos manifestantes 
haviam se retirado da marcha, e ao pôr do sol estava claro que as coisas haviam acabado.

Há muitas coisas a se levar em consideração ao se refletir sobre esse dia pensando no ano 
seguinte, que certamente verá mais conflitos nas ruas; mas talvez a localização seja o que 
valha mais a pena ser focado aqui. A polícia tinha bloqueado todo o distrito de Westlake e 
o centro de Seattle horas antes da Marcha Anti-Capitalista mesmo começar, para não 
mencionar que as ruas longas e retas revelaram-se extremamente favoráveis para que a 
polícia contivesse os protestos. Isso, somado ao grande número de câmeras e os sistemas de 
vigilância interligados em cada beco e vitrine de loja, tornou incrivelmente difícil para 
se achar locais mais escondidos para que os anarquistas montassem barricada.

Outra coisa importante de notar é o time de médicos de rua que se disponibilizavam 
rapidamente para mover manifestantes feridos para fora da área de contenção para segurança 
e tratamento médicos. A polícia estava novamente ansiosa para usar balas de borracha esse 
ano, bem como grande quantidade de bastões e sprays de pimenta, e a mídia mostrou pelo 
menos uma imagem de um repórter com ferimentos provocados pelas balas de borracha. Não 
pode ser atribuída muita importância à presença dos médicos de rua, na medida em que eles 
se colocavam voluntariamente em situações perigosas para ajudar aqueles que entravam em 
conflitos violentos com a polícia.

As equipes de notícia estavam demasiadamente presentes novamente nesse ano, mas com algum 
aumento em sua consciência tática. Cada equipe de notícia parecia ser composta de um 
cameraman, um repórter e muitos seguranças. Eles se posicionavam apenas nas beiradas dos 
black blocks, perto o bastante para capturar imagens, mas também próximo aos participantes 
para cuidadosamente atacar sem atingir outros em bloco com projéteis. Elas ficaram em 
grande parte fora do caminho dos black blocks, o que pode se explicar sua relativa 
segurança em nossas mãos durante a tarde. Um repórter, no entanto, viu que as costas de 
sua camisa foi marcada com um A num círculo em algum momento da marcha. As equipes de 
notícia noticiaram a maioria dos ferimentos como vindos das táticas de dispersão de 
multidão da polícia; em um ponto próximo ao fim da marcha, uma linha de policiais de bike 
que vinha seguindo a retaguarda foi vista quase dois quarteirões atrás do último dos 
manifestantes gritando “Recuem!” para uma linha de cameramen que pareciam estar mantendo 
sua própria linha, e então a polícia usou grande quantidade de spray de pimenta e mesmo 
algumas granadas de atordoamento para se livrar das câmeras.

Em revista, a polícia prendeu 9 pessoas e feriu tantas outras. Sabe-se que até o fim da 
semana todos que estavam detidos foram soltos, além de um jovem sobre o qual simplesmente 
não saberemos mais nada. As equipes de notícia assumiram os papéis previsíveis, mas 
conseguiu escapar da maioria dos ferimentos das mãos dos black blocs. O 1º de maio desse 
ano pareceu estar mais focado na violência contra a polícia, apesar do que os cães da 
mídia tentaram postular. Enquanto os supostos escritos do Seattle Weekly e do The Stranger 
salientaram a necessidade de protestos pacíficos e de conteúdo mais digestivo, é 
importante lembrar que a anarquia não se encaixa e não se encaixará em sua agenda 
política. Seja lá em que eles votem, somos ingovernáveis. Por uma tradição turbulenta de 
1º de maio, e que essas lutas nos deem lições para continuar tomando as ruas.

Alguns anarquistas.

Fonte: https://itsgoingdown.org/may-day-2016-seattle-reportback/

Tradução > Jorge Holanda


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