(pt) NOTÍCIAS, RUSGA LIBERTÁRIA: [OPINIÃO ANARQUISTA – RL] SOBRE OS ATAQUES À EDUCAÇÃO PÚBLICA EM MATO GROSSO
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Sábado, 26 de Março de 2016 - 15:28:04 CET
Em audiência na Assembleia Legislativa, o secretário de Estado e Educação, Permínio Pinto,
fez uma avaliação positiva do Processo Seletivo Simplificado, afirmando que aumentou o
nível de qualificação dos contratados. Ainda falou de seus novos planos: uma avaliação
externa que será feita com os alunos do 2º, 4º, 6º e 8º ano do fundamental e 1º e 2º do
Ensino Médio. Ainda tem outra: uma tal escola para gestores que focará na formação dos
diretores das unidades escolares. ---- Segundo o secretário, “a Seduc está trazendo a
expertise de uma instituição que atua em outros 18 estados. Desta forma, Mato Grosso terá
sua própria avaliação”. Quer saber qual é a instituição? A descrição pode ser encontrada
no seguinte endereço http://institucional.caed.ufjf.br/-quem-somos/ .
O Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de
Juiz de Fora, é uma instituição que operacionaliza (elabora e desenvolve) programas
estaduais e municipais destinados a mensurar o rendimento de estudantes das escolas
públicas. A instituição também cria e promove cursos de formação, qualificação e
aprimoramento aos profissionais da Educação de diversos estados do Brasil, além de
desenvolver software para a gestão de escolas públicas (como os projetos SisLAME e SIMADE)
com o objetivo de modernizar a gestão educacional. O CAEd oferece, ainda, apoio para o
desenvolvimento de projetos educacionais promovidos por iniciativas privadas, a exemplo de
algumas ações da Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco e Fundação Oi Futuro.
Está aí! Projetos educacionais financiados pela iniciativa privada! Alguma dúvida de que
caminhamos para um processo
de privatização?
Algumas denúncias feitas onde essa empresa já vem atuando
No Amazonas, houve uma denúncia de cobranças irregulares feitas para que os educadores
APROVADOS EM CONCURSO PÚBLICO tivessem efetivado sua estabilidade. Observem:
obrigatoriedade de realizar curso de formação online, de 2 horas diárias, pelo Centro de
Políticas Públicas de Avaliação e Educação (Caed) da Universidade Federal de Juiz de
Fora/MG, e serem aprovados numa avaliação final como pré-requisito para serem efetivados
na Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
Esses cursos deveriam ser feitos fora do expediente normal de trabalho. Como sabemos da
realidade dos colégios hoje, com o investimento feito na educação, fazer isso na escola é
impossível! Não existe estrutura como computadores nem mesmo acesso à internet. Além
disso, fere as horas estabelecidas no edital do concurso, fazendo com que o trabalhador
extrapole a jornada para a qual se compromissou. Sabemos ainda que haverá pressão, pois a
formação que será dada aos gestores será a de CAPITÃO DO MATO, vigiar e punir os que se
negarem a trabalhar fora de seu expediente.
(http://radaramazonico.com.br/seduc-estaria-fazendo-cobrancas-abusivas-para-naoefetivar-professores-que-passaram-em-concurso-publico/)
Para obter resultados positivos nessas avaliações, vale tudo! Em Minas Gerais, houve
denúncias de fraude nessas avaliações. Cobrados para obter resultados, os professores
aplicadores orientaram os alunos a preencher os cadernos de prova a lápis, sendo que o
preenchimento definitivo seria feito por funcionários do
Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de
Juiz de Fora, que foram contratados pela Secretaria de Estado de Educação para elaborar as
provas.
(http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/
2012/11/28_plenario_denuncia_rogerio_proeb.html)
Por uma rápida passada de vistas, pode-se conhecer os reais interesses de instituições
como o CAEd! Interesses comerciais, já que a instituição lucra e muito com o suposto
trabalho contratado pelos governos e prefeituras. Tal Centro nada mais é do que uma
empresa e seus fins são os lucros. Nesse sentido, não haverá ética ou compromisso real com
a Educação pública e de qualidade. Observamos isso já pelo fato de que o CAEd cria um
pacote completo para os governos: “avaliação” dos alunos; “avaliação” de professores;
elaboração de “cursos” de “formação” para os professores etc. O próprio Centro elabora as
provas e indica o que “precisa” ser “mudado”, elaborando “cursos / medidas” que eles
mesmos vendem para “solucionar” os problemas da Educação. Tudo isso é engolido pelos
governos e vomitado goela abaixo dos estudantes e trabalhadores da Educação por esses
governos. No fim, o CAEd é o que mais lucra com a venda do pacote todo. Por sua parte, os
governos compram uma “justificativa”, uma forma de pressão maior, para aplicar suas
medidas autoritárias e políticas neoliberais. Já os trabalhadores, amargam com a
culpabilização e pressão de cima, sofrendo o arrocho para apresentar mais resultados! O
CAEd representa claramente a tentativa de, cada vez mais, transformar a Educação em
mercadoria; e/ou, sugar dinheiro público às expensas de uma Educação realmente de
qualidade. Dinheiro que poderia ser investido em mudanças reais ou necessidades mais urgentes.
ESSA É A INSTITUIÇÃO QUE TAQUES CONTRATOU PARA AVALIAR OS RESULTADOS DA EDUCAÇÃO NO MATO
GROSSO! COM INTERESSES PRIVADOS E COM O COMPROMISSO DE PROPAGANDEAR RESULTADOS MENTIROSOS!
MUNIDOS DISSO, O GOVERNO PRETENDE ESTABELECER PUNIÇÕES AOS EDUCADORES E ÀS UNIDADES QUE
NÃO OBTIVEREM RESULTADOS POSITIVOS. DIGA-SE DE PASSAGEM, AQUI ENTENDE-SE COMO “POSITIVO” O
QUE ATENDE AOS INTERESSES DO GOVERNO E DO PADRÃO DESSA INSTITUIÇÃO, NEM QUE PARA ISSO SEJA
PRECISO FRAUDES!
A escolha de diretores e coordenadores está prevista e amparada pela legislação
brasileira. A Constituição Federal de 1988 aponta a gestão democrática como um dos
princípios para a educação brasileira e ela é regulamentada por leis complementares como a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional da Educação, em
seu artigo 22. No Mato Grosso, os coordenadores eram escolhidos pela própria comunidade
das escolas, mas a portaria publicada pelo Governo do Estado contém uma mudança, que
impede que eles assumam o cargo. A portaria prevê um processo de eleição que começa com a
inscrição de candidatos nas assessorias pedagógicas para processo seletivo e avaliações de
título, para depois as escolas participarem. Ou seja, para que efetivamente seja exercida
a autonomia das escolas e sua participação na escolha de seus gestores, a comunidade
escolar fica refém do crivo da SEDUC, que escolhe o perfil do coordenador. Impede que a
vontade da comunidade seja posta em prática e, o que é pior, não permite que se construa
uma cultura escolar reivindicativa, selecionando gestores que, aos olhos da SEDUC, sejam
cumpridores exemplares de tarefa, que atendam os interesses da SECRETARIA E NÃO DA COMUNIDADE!
A conclusão para isso é a mesma de sempre: segundo o secretário-adjunto de Política
Educacional, Gilberto Fraga, essas medidas levam a crer que “se o aluno não está
aprendendo é porque também tem alguém que não está ensinando”.
Não levam em consideração que mais de 60% da categoria é contratada e, a cada ano, o
governo tem fragilizado ainda mais a situação da categoria. Exemplo disso é a não abertura
do concurso, que foi um dos compromissos do governo Silval e que foi endossada pelo
governo Taques. Sabemos que isso é desculpa para vender definitivamente a educação para o
setor privado! Muito provável que o modelo adotado seja o mesmo do governo de Marconi
Perillo em Goiás, educação administrada por organizações sociais (OSs), terceirizando a
pasta e estabelecendo uma situação não de exceção, mas de regra, com o fim de concursos
públicos para a educação e contratação de professores sem garantia de estabilidade.
Passariam a trabalhar com o regime celetista, que, como sabemos, atende interesses da
empresa que contrata e não da categoria. Além de fragilizar os direitos trabalhistas,
acabariam com a possibilidade de organização da mesma, pois, ao menor sinal de
descontentamento ou reivindicação de direitos, basta demitir!
Sabemos da urgência de nos organizar! Segundo o Presidente do Sintep-MT (Sindicato dos
Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), “O desafio do segundo ano do Governo
Taques na Educação parece estar claro: o ataque às conquistas da categoria e da sociedade
mato-grossense. Eis que chega a hora de fazermos valer a luta para manter nossas
conquistas! ” (http://sintep2.org.br/sintep/mais_leitura.php?leitura=2), ficou animado?
NÃO FIQUE! Quantas vezes a atual direção passou em uma unidade escolar que você tenha
contato para discutir essas possibilidades? DIZEMOS QUE NÃO PASSARAM E NÃO VÃO PASSAR! A
direção da subsede de Cuiabá, em episódios presenciados por vários trabalhadores da
Educação no recente PSS, FEZ uma defesa desse modelo. Ao invés de fazer a luta e
autocrítica, preferem dizer que “são de luta” e que quem discorda quer fragmentar, dividir
a luta, quando, na verdade, o que falta para a direção é coragem de problematizar tudo que
ocorreu nesse período recente. Ao contrário! Muitos defendem a ideia de que pauta de
interino é concurso e que se reivindicamos direitos para os mesmos estamos fragilizando os
concursados! Aí está! Ao que tudo indica, não haverá mais concursos, então os
privilegiados podem ficar tranquilos, pois todos serão contratados! Quem quer dividir a
categoria? Reflitam!
Façam uma pesquisa nos sites ligados ao sindicato e vejam o que publicaram durante todo o
período! A produção é pífia! O que mostra um total descompromisso com a categoria. Em vez
disso, perdem-se em publicar notas que, sozinhas, não fazem nossa luta, não funcionam como
pressão alguma. Ou, perdem-se em uma defesa cega governista e partidária; que parece ser
mais importante que nossas pautas!
A direção passou um tempo dando ênfase para a chamada greve nacional da educação que
ocorreu de 15 a 17 de março. Greve de três dias? Quando a categoria foi consultada para
discutir isso? Quem disse que queremos três dias de greve? A direção supervalorizou uma
chamada nacional da CNTE, que ocorre todos os anos, mas não aproveitou o momento para
alavancarmos nossas pautas locais ou combatermos todos os ataques sofridos ultimamente.
Tanto a direção do SINTEP/MT quanto a direção da CNTE têm se voltado mais para uma defesa
do governo do que para nossas lutas. Todos os anos, chamam a greve nacional de três dias,
mas a CNTE parece esquecer que a luta continua no restante do ano. Nos demais meses, não
vemos qualquer atuação significativa ou luta real. Vamos dizer a essas direções que o
sindicato somos nós e nossa voz deve ecoar! Queremos uma luta combativa em defesa de
nossos direitos, chega de peleguismo no nosso sindicato!
CHEGA DE SUCATEAMENTO! É HORA DE RESISTIR E COMBATER OS ATAQUES FEITOS PELO GOVERNO! NÓS
SÓ ACREDITAMOS NA ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES PELA BASE, DE BAIXO! OMBRO A OMBRO, NO DIA
A DIA, NA LUTA DIÁRIA! LUTAR, CRIAR, UM PODER QUE EMANA DOS DE BAIXO!
https://rusgalibertaria.noblogs.org/post/2016/03/21/opiniao-anarquista-rl-sobre-os-ataques-a-educacao-publica-em-mato-grosso/
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