(pt) São Paulo - Organização Anarquista Socialismo Libertário OASL: Nossa História: O Especifismo no Brasil

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Segunda-Feira, 21 de Março de 2016 - 13:52:25 CET


O anarquismo no Brasil começou a se rearticular com o processo de abertura política nos 
últimos anos da ditadura militar. Em várias regiões do território nacional, rompendo com a 
clandestinidade imposta pelo regime político, foi possível a organização de grupos 
anarquistas de concepções diversas. Alguns destes grupos sentiram a necessidade de 
vincular o anarquismo aos movimentos sociais. Já no início da década de 1990, o grupo 
Mutirão, do Rio de Janeiro, já compreendia que o anarquismo deveria se desenvolver no seio 
do povo para conseguir alcançar seus objetivos finalistas de uma revolução socialista 
libertária. ---- Contatos com a Federação Anarquista Uruguaia (FAU) foram estabelecidos 
ainda em 1994. O aprofundamento desta relação se fortaleceu no ano seguinte com a fundação 
da Federação Anarquista Gaúcha (FAG). A FAU, por defender e praticar uma concepção do 
anarquismo militante organizado e combativo foi sendo interpretada, pelos grupos 
brasileiros em constante contato com a organização uruguaia, como a mais adequada para 
suas aspirações de organizar os movimentos sociais pela base, caminhando lado a lado, sem 
guiar e nem ser guiado por eles. Tendo assim a organização política como espaço de acúmulo 
das experiências conquistadas nas lutas dos movimentos sociais, sem correr o risco de 
perdê-las com as mudanças conjunturais.

Entre o final de 1995 e início de 1996, com o aprofundamento das relações com a FAU, 
realizaram-se debates entre vários grupos ácratas brasileiros. O resultado culminou na 
confecção, pela militância brasileira atuante no Uruguai, do documento “Luta e 
Organização: pela Construção Anarquista Brasileira”. Tinha por objetivo criar, no curto 
prazo, instâncias políticas organizadas em nível local, e a longo prazo constituir uma 
organização anarquista em nível nacional. Para isso, a força política agiria como grupo 
orgânico, reunindo poucas pessoas, no intuito de criar uma organização anarquista. Desta 
forma, o especifismo passou a ser propagandeado no Brasil, adaptado à sua realidade.
Em 1997, fruto deste processo, nasceu a Organização Socialista Libertária, uma organização 
anarquista de nível nacional, fruto de intensos debates por quase dois anos entre os 
grupos e organizações com afinidades ideológicas do anarquismo organizado. Os grupos e 
organizações estaduais se tornaram núcleos da OSL.

A OSL procurou concretizar as propostas da “Luta e Organização”. Em sua carta de fundação 
afirmou ser uma organização com caráter de minoria ativa; em outros termos, propunha atuar 
e propor ideias dentro dos movimentos e tendências em que participava, caminhando juntos, 
sem tornar-se vanguarda ou vir a reboque das organizações populares, objetivando imprimir 
um caráter revolucionário com o objetivo final de implantação do socialismo libertário.

Sua existência durou até o ano 2000, com avanços tanto na organização interna da própria 
OSL como em seus trabalhos nos movimentos sociais. Todavia, realizada uma autocrítica 
sobre o acúmulo da experiência da organização, foi possível perceber que a vontade de se 
organizar em nível nacional acabou sendo precipitada e a construção de uma organização 
nacional só poderia vir depois que as organizações locais estivessem com acúmulo 
organizativo local.

No ano de 1999 ocorreu a fundação da Resistência Popular (RP), um agrupamento de tendência 
que agregou anarquistas e militantes de outras vertentes ideológicas, dentro de uma mesma 
afinidade metodológica, para o trabalho nas diversas frentes em que atuava, a fim de 
potencializar os trabalhos de base. “O projeto nacional dessa tendência se difunde pelo 
Brasil, conseguindo agregar militância no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, 
Pará e ter alguma atuação no Mato Grosso e em Goiás”. Com o processo da RP fortalecido, 
abriu-se novamente a possibilidade de recomeçar a construção de uma organização nacional, 
desta vez, a partir das atuações locais e regionais.

Como continuidade do processo organizativo iniciado em meados da década de noventa, foi 
criado, em 2002, num encontro na cidade de Belém, no Pará, o Fórum do Anarquismo 
Organizado (FAO). Propunha fortalecer as bases estruturais de uma organização com aqueles 
que viam a necessidade de se articular politicamente para um trabalho social de 
relevância, se diferenciando de pessoas que se identificam como anarquistas 
individualistas, antiorganizacionistas, ou contrários aos trabalhos nos movimentos 
populares. Também propôs o debate sobre anarquismo organizado no Brasil, tendo como norte 
a construção de uma organização nacional, e apoiou a formação de grupos anarquistas, 
aproximando-os e articulando-os; buscou desenvolver trabalhos e lutas nos diferentes 
níveis e frentes e articular-se com outras organizações, especialmente da América Latina.

Ao agregar grupos e organizações com níveis diversos de experiência no anarquismo e nos 
movimentos de base, o FAO partia do princípio que, para alcançar maior afinidade e unidade 
política entre os grupos, o mesmo deveria acontecer com as suas militâncias sociais e de 
sua construção teórica. Por considerar que o anarquismo é luta, era necessário construir 
uma organização anarquista baseada na unidade teórica e de ação, firmada “a partir de uma 
organização interna com base no federalismo político e na responsabilidade coletiva, o de 
construir uma organização revolucionária anarquista atuante nas lutas”.

Os dez anos de fundação do FAO foram comemorados com o congresso de fundação da 
Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), tornando-se um avanço significativo de 
organicidade. Todo este processo consistiu em vários passos. O primeiro foi a 
reaproximação, durante os anos de 2009 e 2010, para superar um impasse gerado por um 
conflito de 2003, responsável por separar o especifismo do Brasil em duas linhas que se 
desenvolviam em paralelo. De um lado, o próprio FAO e do outro, a FARJ e, mais à frente, 
as organizações que surgiram com seu apoio e influência. Superada esta etapa, a partir de 
2010, avançou para a unificação do processo nacional.

Outro passo foi a mudança nos princípios do FAO, aprovada em 2010, quando os eixos 
organização e inserção social foram aprofundados. Foi decidido adotar o especifismo como 
forma de organização anarquista para os grupos e organizações do FAO, estabelecendo 
princípios políticos e ideológicos que definiam tanto o anarquismo, como essa opção 
organizativa. Com esse objetivo, o Encontro Nacional reformulou a definição do FAO 
estabelecendo seus princípios e a estratégia a ser defendida, revendo seus compromissos. A 
aprovação de uma Carta Orgânica possibilitou regular o funcionamento do FAO, permitindo um 
aprofundamento orgânico, estabelecendo direitos e deveres para os participantes dessa 
instância organizativa nacional.

Obteve-se o aprofundamento orgânico político e social ao estabelecer “um colegiado das 
organizações do FAO, com reuniões deliberativas periódicas a partir de delegações de base. 
Realizam-se visitas e reuniões periódicas entre as organizações, que permitem uma 
aproximação nas relações e um ganho para o projeto nacional. Busca-se fortalecer a 
formação política, com a realização de seminários locais, e a integração dos trabalhos 
sociais, com informes constantes e o início do estabelecimento de coordenações mais amplas 
para o trabalho de base em nível nacional”.

Enfim, no ano de 2012, foi estabelecida a deliberação para os trabalhos que teriam de ser 
realizados no intuito de fundar a CAB no congresso de junho desse mesmo ano. “Em nível 
político, a constituição da Coordenação Anarquista Brasileira, com nove estados sendo 
integrados e com outros em processo de articulação. Aprofundou-se a formação política, as 
relações nacionais e internacionais, a organização e a propaganda. Aprofundou-se a 
discussão de conjuntura e de programa. Em nível social, se estreitaram os contatos entre 
as frentes de trabalho social e se discutem caminhos comuns para a intervenção nos 
movimentos populares”.

A CAB assumiu como sua tarefa pavimentar o caminho para a construção de uma organização 
nacional do anarquismo especifista e no futuro tornar-se uma confederação anarquista 
brasileira. Em sua curta história nestes três anos, consciente dos grandes desafios diante 
de uma conjuntura com sensível aumento de forças reacionárias, continua seu caminho de 
luta lado a lado com as organizações específicas que a integra e com os movimentos 
sociais, rumo ao poder popular.

Para saber mais: https://anarquismosp.files.wordpress.com/2015/06/pmf-caderno04.pdf

Organização Anarquista Socialismo Libertário / Coordenação Anarquista Brasileira (OASL/CAB)
Março de 2016

http://anarquismosp.org/2016/03/15/o-especifismo-no-brasil/


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