(pt) [Grécia] Texto da Rede Libertária de Agricultores sobre as recentes mobilizações de agricultores

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Quinta-Feira, 17 de Março de 2016 - 17:48:28 CET


Nesses dias, nós, os pequenos agricultores (agricultores, criadores de gado, apicultores) 
estamos realizando uma grande luta. Porque nem todos os agricultores são detentores de 
latifúndios, cães que guardam partidos políticos, neonazis ou caciques que exploram 
trabalhadores imigrantes em suas terras (p. ex. em Manolada). Nem todos somos canalhas e 
privilegiados. Há gente decente entre os agricultores. E essa gente é a que luta, por uma 
sociedade melhor, por dignidade, para seguir sendo humanos… ---- Temos aqui algumas 
demandas, como foram expressas pelos comitês coordenadores dos bloqueios de caminhões: 
Isenção de impostos para valores inferiores a 12.000 euros, que não aumentem as 
contribuições dos agricultores, que se apoiem os produtores com um subsídio de petróleo 
livre de impostos, redução do preço da energia elétrica para os agricultores e pequenos e 
médios criadores de gado.

São demandas justas para que possamos seguir cultivando a terra, para que não venhamos a 
desaparecer, para que não acabemos sendo vassalos nas modernas fazendas que são os 
contratos com as chamadas empresas grandes e sãs.

Não esqueçamos que chegamos a esta situação por culpa dos partidos políticos, os 
patrões-banqueiros, os chefes sindicais, os latifundiários, os meios de desinformação 
massivos, os jornalistas, etc… Não esquecemos. Não perdoamos. Que paguem todos àqueles que 
participaram da grande comilança, todos que apoiaram e apoiam este sistema. Porque este 
sistema é o sistema de exploração do homem pelo homem, e da natureza pelo homem.

Para apoiar estas lutas contra a soberania europeia, contra os credores e os seus 
colaboradores locais, queremos que nossa produção chegue às redes auto-organizadas. E não, 
não vamos passar fome.

Esta é a válvula de segurança, o instinto fundamental, para que a sociedade tome 
conhecimento, a nível econômico, político, cultural e sobretudo psicológico, de que 
podemos sem eles, de que não vamos passar fome, não vamos passar frio, não vamos ficar 
doentes.

Por isso, ficaremos na terra que cultivamos, por isso a auto-organização deve se difundir 
no meio agrícola e em outros setores. É a solidariedade que se está criando, é a segurança 
que se está criando quando o cão ladra: “Aonde vai? Vai passar fome!”.

E algumas questões agrícolas:

– Impostos nos produtos importados, para que se ponha fim a especulação dos mediadores.

– Cooperativas autogestionárias ou grupo de produtores em conexão com redes de cidadãos, 
para a disposição direta dos produtos.

– Prestação de contas sobre o escândalo da venda do Banco Rural ao Banco do Pireo.

– Basta da agricultura contratual. Não é solução, nem ela, nem os “cultivos novos”. Basta 
de stevia, ippofaes, trufas e caracóis. Se trata de um comércio de esperança em tempo de 
crise e os que o fazem estão se beneficiando. Na armadilha não caem velhos produtores, 
apenas as pessoas que vivem nas cidades, que estão buscando algo para fazer, já que 
ficaram sem trabalho.

– Reestruturação do campo. A reconstrução de nossos povoados, que foram abandonados ou 
estão se degradando, como uma triste caricatura das cidades.

– Respeito ao meio ambiente, aos bosques, às águas e às terras cultiváveis. São elementos 
de nossa civilização. São elementos de nossa vida. Participemos nas lutas contra a 
privatização das águas.

– Contra os produtos transgênicos e as multinacionais que os estão proporcionando. Contra 
as patentes de sementes e da vida.

– Acesso dos agricultores ao conhecimento, a investigação e a ciência. Que se transmitam 
os conhecimentos de Agronomia das universidades às terras cultiváveis, que deixem de ser 
propriedade de uns poucos “especialistas”.

– E, logicamente, colocar um fim as subvenções europeias, a esta praga que está destruindo 
a produção agrícola, e que converteu a Grécia em um país de importação de produtos 
agrícolas. São o cavalo de Troia que nos mantém devedores, econômica e politicamente.

Não lutamos para voltar ao status anterior. Percebemos que a terra é a base econômica de 
cada sociedade, não abandonaremos nossa terra, nossas águas, Vamos lutar para construir a 
produção agrícola segundo as necessidades de nossas terras.

Rede Libertária de Agricultores

O texto em grego:

https://athens.indymedia.org/post/1555620/

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/texto-de-la-red-libertaria-de-agricultores-sobre-las-recientes-movilizaciones-de-los-agricultores/


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