(pt) Nota pública da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB): 8 de Março, Dia Internacional da Mulher

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Segunda-Feira, 14 de Março de 2016 - 10:50:06 CET


“Somos escravas dos escravos. Exploram-nos mais impiedosamente que aos homens.” Lucy 
Parsons. ---- Resgate histórico sobre 8 de Março, Dia Internacional da Mulher: ---- 
Possuímos uma cultura do esquecimento, de apagamento de nossa memória, somos fruto de uma 
história que gerações antepassadas construíram. Por isso é de suma importância que nós, 
enquanto anarquistas feministas organizadas, façamos o resgate e a preservação cultural da 
história da luta da classe oprimida, das lutas empregadas por grandes mulheres que não se 
submeteram ao regime patriarcal dominador de sua época. ---- Datas importantes e que foram 
históricas na luta de classes, como o 8 de Março e o 1° de Maio, são “comemoradas” sem que 
haja o conhecimento suas origens. Sabemos que a classe dominante tem sua própria versão da 
história, versão essa que apaga deliberadamente as lutas sociais contra a dominação e 
exploração. Ainda mais por isso é que devemos nos apropriar da história de nossa classe, 
valorizar suas conquistas e aprender com seu movimento.

8 de Março:

O Dia internacional de luta das mulheres tem origem em 8 de Março de 1857. Em um episódio 
de muita repressão e violência empregadas contra a luta das mulheres operárias do setor 
têxtil e ao seu movimento grevista. As operárias haviam ocupado a fábrica em que 
trabalhavam, reivindicando redução da jornada de trabalho, equiparação salarial aos dos 
homens, que chegavam a receber três vezes mais pelo mesmo tipo de serviço, e mais 
dignidade no ambiente de trabalho. Na cidade de Nova Iorque, os patrões, em resposta ao 
movimento, trancaram as operárias e incendiaram a fábrica, carbonizando e matando cerca de 
130 tecelãs.

Se vivemos sob a lógica de dominação e exploração, que faz milhares de pessoas viverem 
submetidas às várias formas de opressões, também podemos ter a certeza de que são as 
mulheres as que mais sofrem com toda a desigualdade e a injustiça social do capitalismo. 
Elas já são exploradas enquanto trabalhadoras, o que se intensifica ainda por serem 
mulheres numa sociedade regida pelo machismo.

Conjuntura política de ataques às mulheres:

E hoje, em uma sociedade em que o ascenso da direita conservadora é inegável, vemos os 
ataques às de baixo se intensificarem ainda mais. Um dos ataques é o Projeto de Lei 
5069/2013 de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), que 
trata sobre a prática do aborto, em que “Tipifica como crime contra a vida o anúncio de 
meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto.” 
Prevê pena de prisão de 4 a 8 anos, para quem auxiliar de forma direta ou indireta a 
gestante na prática do aborto. E isso se acentua ainda mais em relação ao auxílio e/ou 
orientação por parte de profissionais, com penas entre 5 a 10 anos de prisão.

Este deve ser um momento de unificação dos setores da classe oprimida para reagir contra 
os ataques dos de cima. Só com muita organização e força social nós, mulheres, avançaremos 
em nossas conquistas econômicas e políticas e arrancaremos das forças do capital e do 
Estado, os direitos que sempre nos foram negados durante a história da luta de classes.

Podemos dizer que o ano de 2015 foi de avanços para a luta das mulheres. Além da 5ª Marcha 
das Margaridas, em agosto de 2015, que reuniu mulheres indígenas, quilombolas e 
agricultoras de todo o Brasil, também em Brasília ocorreu a Primeira Marcha da Mulher 
Negra, que serviu para dar mais visibilidade para quem até então “não aparecia na foto 
carregando o piano”, como disse Juliana Gonçalves, jornalista e uma das coordenadoras do 
movimento em São Paulo.

Curdas e Zapatistas:

Em outros dois pontos do globo terrestre, um tanto quanto distantes do Brasil, estão em 
curso processos muito interessantes de auto-organização e empoderamento feminino, em que 
podemos nos debruçar e atentar um pouco mais, servindo de referência e inspiração.

Um deles é o processo revolucionário curdo, em que as mulheres, em uma região 
historicamente dominada e regida por um machismo perverso, que as impedia de mostrar o 
próprio rosto, vêm protagonizando um papel central na luta contra o Estado Islâmico e o 
Estado Turco, dois grandes inimigos do povo curdo.

Mais próximo a nós, há as Zapatistas, no México, onde desde 1994 as mulheres indígenas vem 
chamando a atenção do mundo todo na luta em defesa de seus territórios e de sua cultura. 
Como se vê na Ley Revolucionária de Mujeres de EZLN, “Noveno: Las mujeres podrán ocupar 
cargos de dirección en la organización y tener grados militares en las fuerzas armadas 
revolucionarias.”

Neste 8 de Março, queremos chamar atenção especial para o assassinato de Berta Cáceres. 
Ela foi coordenadora Geral do Conselho Cívico de Organizações Populares e Honduras 
Indígena (COPINH). Havia repetidamente manifestado-se contra as ações e intenções de ambas 
as atuais concessões governamentais de recursos naturais e empresas transnacionais 
estrangeiras nefastas através da construção de barragens e captura dos recursos dos povos 
indígenas. Foi assassinada em sua casa, em 03 de março. Por ela, nenhum minuto de 
silêncio. Todas nossas vidas de luta!

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem a público dizer que faz parte, com todas as 
mulheres, desta luta contra o sistema capitalista patriarcal e pelo resgate da memória 
histórica das lutas das mulheres. Chamamos todas as pessoas para a luta em defesa da 
mulher trabalhadora, da mulher ribeirinha, da mulher indígena, da mulher camponesa, da 
mulher quilombola, da mulher negra, da mulher LGBT, de todas as mulheres exploradas e 
oprimidas!!

VIVA 8 DE MARÇO!!

VIVA BERTA CÁCERES!!

VIVA AS CURDAS E ZAPATISTAS!!

NÃO AO PL 5069/13 !

Mulheres da CAB, 8 de março de 2016

https://anarquismo.noblogs.org/?p=389


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