(pt) avtonom.org: Azerbaidjão, Apelo à solidariedade a Bayram Mammadov e Qiyas Ibrahimov, ativistas anarquistas Por SolFront

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Sexta-Feira, 10 de Junho de 2016 - 17:15:31 CEST


A esquerda do Azerbaidjão apela à solidariedade a Bayram Mammadov e Qiyas Ibrahimov, 
ativistas anarquistas que foram detidos pelas autoridades do Azerbaidjão por pintarem um 
grafite dizendo “Foda-se o sistema” e “Feliz dia dos escravos” no monumento ao falecido 
ex-presidente Heydar Aliyev, num ato de protesto contra as contínuas injustiças 
perpetuadas pelas elites dominantes. Isso foi feito na véspera do aniversário de Heydar 
Aliyev, no dia 10 de maio de 2016, que vem sendo celebrado anualmente pelo governo de uma 
maneira esbanjadora. Dado o culto à personalidade absoluta de Aliyev, tal ato foi 
severamente condenado pelo governo (sob a liderança do seu filho, Ilham Aliyev), e os 
ativistas foram presos no dia 10 de maio de 2016. A polícia plantou drogas com eles para 
evitar acusá-los no terreno do vandalismo.

O vandalismo é punível com aprisionamento de no máximo um ano (o que para o regime de 
Aliyev é uma punição branda demais), enquanto que as acusações de posse ilegal de heroína 
são puníveis em até doze anos de prisão. O fato de que a polícia “descobriu” quase três 
quilos de heroína em posse de cada um dos detidos no momento da prisão atesta o fato de 
que o caso foi fabricado (uma pessoa em sã consciência não estaria andando pela cidade com 
tanta heroína escondida nos bolsos, não é?). Em 12 de maio, um tribunal ordenou a detenção 
deles por um período de quatro meses. Entretanto, se condenados, eles enfrentarão doze 
anos de prisão. Bayram e Qiyas foram severamente torturados tanto antes quanto depois da 
audiência. O advogado deles, Elchin Sadigov, compartilhou no Facebook a declaração 
detalhada de Bayram sobre as torturas continuamente enfrentadas por eles no 12º 
Departamento de Polícia de Baku e no Centro Policial da Cidade de Baku. Segue abaixo a 
tradução da declaração de Bayram:

“Em 10 de maio de 2016, por volta das 14 ou 15h, três pessoas com trajes civis me forçaram 
a entrar num “Jeep” branco e me levaram ao 12º Departamento de Polícia. Eles me levaram 
para o maior chefe dos frios [forças de segurança]. Havia 7 ou 8 policiais frios em trajes 
civis. Eles começaram imediatamente a me dar socos, tapas e chutes. Eles estavam me 
perguntando por que eu tirei fotos do grafite, quem está associado a mim e por aí vai. No 
entanto, eu não fui capaz de responder suas questões, pois fiquei inconsciente. Eles me 
levaram para o Centro Policial da Cidade de Baku em um carro desconhecido. Fui espancado 
novamente e me foi dito para aceitar as acusações de relação com narcóticos. Eu disse a 
eles que eu nunca tinha visto narcóticos na minha vida e que eles não podiam me prender 
por tirar uma foto, e isso fez com que me batessem com ainda mais força e exigissem que eu 
aceitasse as acusações. Eles estavam me xingando e me insultando. Eles tiraram minhas 
calças e me ameaçaram dizendo que usariam o cassetete “imoralmente” em mim, e é por isso 
que eu tive que aceitar as denúncias. E eu tive que “confessar” um testamento que eles 
queriam.

Eles me levaram então ao general dos frios e me disseram que “se você colocar flores na 
frente da estátua e falar com a AzTV pedindo desculpas na frente da estátua, será liberado”.

Eu me recusei a fazer isso, então eles me bateram de novo. Eles me levaram ao Narimanov 
TDC (Centro de Detenção Temporária). Na manhã de 11 de maio, o chefe dos frios me ordenou 
a limpar o pátio e catar as bitucas de cigarro. Me recusei, e então ele começou a me bater 
com socos e tapas. Me recusei novamente, e ele ordenou que seu homem pegasse um cassetete 
e forçasse-o dentro de mim e então tirasse uma foto. Tive que concordar novamente. Eles me 
deram uma vassoura e uma pá e tiraram uma foto de mim. Esses espancamentos passaram a 
acontecer diariamente.

Depois de uma audiência no tribunal no dia 12 de maio, eles me levaram ao chefe dos frios 
do TDC. Havia duas pessoas em trajes civis, eles me disseram para soletrar alguns nomes e 
acusá-los de trabalharem comigo. Eles me falaram para eu por flores em frente à estátua e 
falar com a AzTV, e assim eles iriam me liberar até que não fosse tarde demais. Eu recusei 
isso, e eles ligaram para alguém dizendo “cuide dele por um instante”. Eles me levaram 
para um dos andares mais baixos, e eu fui então algemado enquanto eles me batiam com 
socos, chutes e cassetetes.

Eles ainda algemaram meus pés e taparam a minha boca para que ninguém pudesse me ouvir 
enquanto eles me batiam.

Eles viram que algemas e grilhões deixaram marcas de tortura em mim, então eles colaram 
com fitas minhas mãos e pernas nas minhas costas. Eles me puseram no chão, um deles estava 
segurando meu pé enquanto o outro estava dando bastonadas [batendo com o cassetete na sola 
do pé]. Então eles me puseram no alto, me soltando de repente, fazendo com que eu caísse 
muitas vezes. Depois de 4 ou 5 vezes, as fitas se esfacelaram, e dessa vez eles começaram 
a pressionar as pernas deles nas minhas mãos. Outro ainda estava me chicoteando nos pés. 
Então eles golpearam meu peito e meus joelhos com a parte de trás do cassetete. Eu estava 
ficando inconsciente, e então eles me colocaram no chão. Eles também estavam cansados. 
Eles puseram um papel branco sobre mim e disseram que se eles vissem esse papel caindo 
eles iam me bater novamente. Foi o que fizeram depois.

Depois de um tempo, exigiram que eu limpasse o banheiro. Quando eu me recusei a fazer 
isso, eles começaram a me bater cada vez mais forte, dessa vez fazendo isso enquanto me 
filmavam com uma câmera.

Fiquei inconsciente depois disso, eles me acordaram derramando água em mim. Eles me 
levaram descalço para a minha cela. Nesse momento, estou cheio de contusões nos meus 
braços, pernas e joelhos por causa da tortura. Estou com feridas abertas nas minhas mãos e 
meu punho. Ainda estou com traumatismo craniano. Estou também com feridas abertas nas 
minhas pernas. Minha urina está com muito sangue, minha boca me causa dor intensa enquanto 
como, meu peito, costelas, braços, pernas… cada parte de mim dói.”

Não é a primeira vez que autoridades exigem de ativistas no Azerbaidjão que peçam 
desculpas por seus atos em frente ao monumentos de Heydar Aliyev e deixem flores nele. 
Como mencionou James Scott, “Remorso, desculpas, pedir perdão e, de modo geral, fazer 
reparações simbólicas, é um elemento mais vital em quase todo processo de dominação do que 
a punição em si… O que todos esses atores oferecem (através das desculpas) é uma 
DEMONSTRAÇÃO da afirmação discursiva vinda debaixo, que é ainda mais valiosa, uma vez que 
contribui para a impressão de que a ordem simbólica é voluntariamente aceita pelos seus 
segmentos menos favorecidos.” Os Aliyevs vêm empobrecendo a nação e explorando o povo e os 
recursos do país para seu benefício próprio há mais de duas décadas. Enquanto isso, eles 
têm sido intolerantes com qualquer dissidência política, oprimindo severamente os 
dissidentes com seu massivo aparato de segurança.

Apelamos aos nossos camaradas na Europa e de outros lugares que se ponham em solidariedade 
a Bayram e Qiyas e protestem contra o aprisionamento e as torturas ilegais feitas a eles 
em frente às embaixadas do Azerbaidjão e aos consulados em seus países, exigindo sua 
libertação imediata. Por favor, espalhem também esse apelo para o maior número de pessoas 
possível.

Fonte: 
https://avtonom.org/news/v-azerbaydzhane-sudyat-anarhistov-razrisovavshih-pamyatnik-alievu

Tradução > Jorge Holanda


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