(pt) [Black Rose-EUA] Sobre justiceiro social e as necessidades dos movimentos sociais, by FARJ (en)

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Quarta-Feira, 20 de Julho de 2016 - 11:15:30 CEST


Traduzimos uma breve opinião da organização anarquista dos Estados Unidos, Black Rose 
Anarchist Federation/Federación Anarquista Rosa Negra, sobre os recentes casos de 
assassinatos de policiais nos EUA após a morte de homens Negros pela polícia Original: 
http://www.blackrosefed.org/vigilante-justice-blm/ ---- Alton Sterling, assassinado pela 
polícia de Baton Rouge a queima-roupa pelo crime de vender CDs para alimentar a sua 
família. Trabalhador da educação Philando Castile, assassinado pela polícia de Minesota em 
frente à sua namorada e sua filha de quatro anos de idade; alvo da polícia porque ele 
tinha um nariz “largo”[1]. Michael Brown, assassinado na rua pela polícia de St. Louis por 
andar fora da calçada, descrito pelos seus assassinos como tendo um rosto “como o do 
demônio.” Tamir Rice de doze anos de idade, assassinado pela polícia de Cleveland enquanto 
brincava com um brinquedo em um playground.

Sandra Bland, assassinada pela polícia do Texas, morreu na prisão, pra onde a polícia a 
levou por não usar seta pra mudar de faixa. Freddie Gray, assassinado pela polícia de 
Baltimore, que bateu tanto nele que sua coluna foi danificada desde o pescoço. Todo dia 
outra pessoa morta pela polícia e justiceiros. Trayvon Martin de 17 anos de idade parecia 
suspeito. Emmet Till de 14 anos de idade não foi respeitoso o suficiente em seu 
comportamento. Esses assassinatos vêem de décadas atrás, desde os linchamentos e pogroms 
da época do Jim Crow[2], entrando na escravidão, quando os predecessores da polícia 
moderna, as Patrulhas de Escravos, caçavam as pessoas que fugiam da escravidão e 
violentamente exerciam sua autoridade para controlar o movimento do povo Negro.

E apesar de contínuos protestos em massa, oficiais do estado e da cidade acreditam que a 
polícia “agiu apropriadamente,” seguiu o procedimento,” e agiu com “restrição e 
profissionalismo.” Sem responsabilizar ninguém. Sem justiça. Nenhuma mudança mais profunda 
que a superficial. A violência diária, sistêmica contra pobres e comunidades raciais 
continua sem debate. Então, será realmente “aleatório” quando o veterano do Exército Micah 
Johnson, aparentemente atuando sozinho, matou cinco policiais (um deles tinha tatuagens 
supremacistas branca) em Dallas em um protesto contra a violência policial ou quando ainda 
mais recentemente, um atirador matou três oficiais em Baton Rouge, onde a polícia militar 
tem assediado as pessoas na última semana?

Essa violência suicida antipolícia é a consequência trágica inevitável de um sistema 
violento que é impermeável às preocupações do povo que é alvo. Dada a natureza cruel desse 
sistema e a alienação profunda sob a qual as pessoas trabalham e vivem, é impressionante 
que atos suicidas como esses não aconteçam com mais frequência. Se as coisas não mudarem 
significantemente, nós podemos ter certeza que tais atos irão acontecer mais frequentemente.

Nós não celebramos ou encorajamos tais atos, mas reconhecemos que a raiva é justificada. A 
impotência e desesperança da qual esses atos surgem são cultivadas por instituições penais 
violentas e, mais ainda, pela injustiça política e ecônomica sistêmica pras quais tais 
instituições funcionam para proteger. Nós apontamos nossa raiva e condenação para cima, 
nunca para baixo, a hierarquia social. Nós condenamos os empresários, políticos, a mídia 
corporativa e oficiais de estado cujas políticas criam situações nas quais as pessoas se 
sentem tão impotentes que não veem outro jeito a não ser violência antissocial.

Para aqueles de nós que querem viver numa sociedade mais justa e menos violenta, não 
existe um tiro mágico como solução. Nenhum homem armado sozinho, sem um movimento de 
massas emancipatório maior, pode atirar por aí e nos tornar lives e numa socidade 
igualitária. O tipo de mudança revolucionária que nós lutamos requer organizar um 
movimento de pessoas de massa por demandas claras para mudar as relações sociais injustas 
que estão na raiz da violência policial. Dentro do movimento maior antipolícia e do Black 
Lives Matter, a demanda pelo desarmamento, retirada de recursos e a quebra da polícia é um 
começo de esperança que nós apoiamos, mas é apenas o começo. Enquanto anarquistas, as 
questões às quais nos apegamos têm a ver com o que é preciso mudar na estrutura da 
sociedade – social, economica e politicamente – para que a polícia se torne obsoleta, e 
como nós construímos um movimento de massas forte e consciente o suficiente para lutar por 
essas mudanças.

Por Tariq Khan, BRRN

[1] O policial que matou Philando Castile disse no rádio antes de parar o carro que 
Philando possuia um nariz largo que o lembrava de um assaltante de banco.

[2] As Leis de Jim Crow foram leis vigentes nos estados do Sul dos EUA que reforçavam a 
segregação racial e acabaram apenas em 1965.
FARJ | 18/07/2016 às 21:09 | Categorias: anarquismo no mundo, internacional, lutas, nas 
ruas, repressão, solidariedade, Supremacia branca, tradução | URL: http://wp.me/p1JXNu-Xa	


https://anarquismorj.wordpress.com/2016/07/18/black-rose-eua-sobre-justiceiro-social-e-as-necessidades-dos-movimentos-sociais/ 



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