(pt) Organização Anarquista Socialismo Libertário OASL – São Paulo: 99 anos da Greve Geral de 1917

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Segunda-Feira, 18 de Julho de 2016 - 12:06:51 CEST


Em 1917, a classe trabalhadora de todo o mundo sofria com os ecos da Primeira Guerra 
Mundial e com o progresso predatório do capitalismo, que tornava o trabalho nos campos e 
nas indústrias cada dia mais penoso. A insatisfação das trabalhadoras e trabalhadores 
reverberava na intensificação de suas lutas, em especial na forma do sindicalismo 
revolucionário, que se caracterizava como a força mais presente nas lutas da América 
Latina. ---- Na cidade de São Paulo, além da precarização do trabalho, dos baixos salários 
e da ameaça constante do desemprego, também veio a somar uma crise de alimentos que 
multiplicou o preço do pão sem alterar um centavo no salário. Como resposta, a partir do 
mês de maio, os sindicalistas tomaram as ruas se manifestando por melhores condições de 
trabalho e de vida.

José Ineguez Martinez, um jovem sapateiro e anarquista de 21 anos, foi assassinado pela 
polícia de São Paulo no dia 09 de julho. Com um tiro no estômago, foi levado para a Santa 
Casa, onde faleceu no mesmo dia. Os sindicatos e jornais operários de toda a cidade 
espalharam a notícia no dia seguinte, chamando a adesão da classe à greve. Na manhã do dia 
11, cerca de 10 mil pessoas acompanharam o seu enterro.

A organização dos trabalhadores, que já vinha sendo construída pelos anos, mostrou 
resultado no fortalecimento da greve. Estima-se que a greve chegou a ter a adesão de 100 
mil trabalhadores. O fim da greve, que hoje completa 99 anos, ocorreu no dia 16 de Julho. 
Em uma semana conseguiram do poder público, dentre outras conquistas, o compromisso em 
reduzir os preços dos alimentos e em tirar medidas pela defesa de trabalhadores menores de 
18 anos e das trabalhadoras de período noturno. Foi o início de um processo 
revolucionário: boa parte de São Paulo ficou sobre controle dos trabalhadores e a 
patronal, temerosa, foi colocada contra a parede.

A Coordenação Anarquista Brasileira vem reconstruindo, desde baixo, o vetor social do 
anarquismo. No contexto que vivemos hoje, com o crescente corte nos direitos trabalhistas, 
tão arduamente conquistados pela organização popular, é urgente resgatar a história de 
luta das e dos anarquistas e sindicalistas de 1917. Vemos hoje a utilização das 
ferramentas históricas dos trabalhadores, como as ocupações, utilizadas atualmente nas 
lutas dos povos oprimidos. É o caso dos estudantes e educadores da cultura que atualmente 
sustentam as ocupações das fábricas de cultura do governo do estado. Mantendo viva sua 
memória e continuando o seu trabalho, pelas reivindicações, mobilizações e ocupações, é 
que poderemos construir um mundo novo.
Não nos esqueceremos!

https://anarquismosp.org/2016/07/16/99-anos-da-greve-geral-de-1917/


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