(pt) Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] Greve, Piquete, Marcha e Ocupação! Educadores e Estudantes unidos pela Educação!

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Terça-Feira, 12 de Julho de 2016 - 11:41:57 CEST


Não é de hoje que a educação é vista como uma mercadoria disponível no balcão de negócios 
dos governos e dos patrões ou como um instrumento de dominação política e ideológica dos 
de cima sobre os/as de baixo. De norte a sul no Brasil e em várias partes do continente 
latino-americano, os de cima impõem reformas educacionais, projetos de lei, ajustes 
fiscais e todo o tipo de medidas que visam precarizar e desqualificar ainda mais as 
condições de trabalho, de estudo e colocar por inteiro as escolas e universidades sob a 
lógica hegemônica do capitalismo financeiro. ---- Porém, nesta conjuntura de retirada de 
direitos e deterioração da qualidade de vida (seja pelos péssimos salários ou pelo aumento 
dos preços), no campo da educação, não está ausente a resistência e a luta dos educadores, 
educadoras, estudantes e todos e todas aquelas que defendem uma educação pública, gratuita 
e a serviço das demandas da classe oprimida. São as greves dos trabalhadores e 
trabalhadoras da educação e, mais recentemente, as ocupações de escolas em diversos 
estados do Brasil, as respostas dos de baixo frente a esses ataques.

EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

Do período que vai do neoliberalismo de FHC/PSDB, passando pelo neodesenvolvimentismo de 
Lula/PT e, mais recentemente, com o governo interino de Michel Temer/PMDB, a regra tem 
sido o descaso, quando não o retrocesso nas diferentes áreas educacionais. Guardadas as 
características particulares de cada governo, a tônica tem sido impressa pelos organismos 
econômicos globais, pelo FMI, Banco Mundial e pelas corporações transnacionais. Os 
objetivos são a privatização da educação pública, a busca crescente das matrículas no 
ensino superior pelas grandes empresas privadas, currículos cada vez mais padronizados, 
pragmáticos e acríticos e a formação de profissionais dóceis e despolitizados.

No Brasil, saltam aos olhos as Parcerias Público-Privadas (PPPs), a prioridade para 
programas voltados a fortalecer o acesso à iniciativa privada no ensino superior (como o 
PROUNI e o FIES) em detrimento do ensino superior público, o baixíssimo investimento 
financeiro em todas as etapas do ensino e os recorrentes cortes de verbas. Assim como o 
descaso e desrespeito com a valorização (pra não falar de aumento) dos salários dos 
educadores e as reformas curriculares que de tempos em tempos são realizadas sem a ampla 
participação e debate daqueles e daquelas mais diretamente atingidos.

Também destacamos o Plano Nacional da Educação (PNE) que visa oficializar como política de 
Estado: a precarização e a mercantilização da educação e as investidas em torno da 
terceirização das atividades meio (principalmente no ensino superior) e das atividades 
fins (como o próprio ensino) através das Organizações Sociais/OS (figuras jurídicas de 
direito privado). Sem falar nos projetos de lei que se abrigam sob a alcunha “Escola Sem 
Partido”, também conhecidos como “lei da mordaça”, que visam eliminar das escolas o debate 
sobre gênero e sexualidade, a discussão sobre nossa ancestralidade Negra/Quilombola e 
Indígena; e calar, sob a desculpa da “neutralidade” e do “apartidarismo”, a voz dos 
educadores sobre outros temas importantíssimos que podem ser considerados “doutrinação” e 
propaganda “partidária” ou “ideológica”. Aqui há um novo modelo de dominação cultural que 
visa abafar as possibilidades de resistência dentro dos espaços educativos.

AS BUROCRACIAS SINDICAIS E ESTUDANTIS

Toda essa situação, criada por governos e patrões ávidos por lucro, não se deu sem a 
conivência com setores do movimento sindical e estudantil. Uma burocracia que sempre 
colocou os interesses de seus partidos na frente da mobilização e da organização daqueles 
e daquelas que dizem “representar”. As diversas direções sindicais vinculadas ao PT e 
PCdoB, Centrais Sindicais como CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CTB (Central dos 
Trabalhadores do Brasil) e entidades estudantis como UNE (União Nacional dos Estudantes) e 
UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), são as principais responsáveis por 
botar freios na disposição de luta da base sindical e estudantil e pelas seguidas traições 
às suas bases ao assinar acordos a portas fechadas com os diferentes governos. Transformam 
também, o movimento estudantil num “micro” parlamento, fazendo das lutas estudantis uma 
“escada” para o reformismo.

A prática cotidiana dessas entidades tem preparado o terreno para os ataques dos de cima 
ao não organizar e mobilizar uma luta consequente dos estudantes e trabalhadores da 
educação e ao desarmar esses mesmos setores quando eles demonstram disposição de se 
organizar e lutar. É a prática burocrática, vertical, centralizadora e pelega dessas 
entidades que tem produzido o descrédito e a desconfiança tão grande de amplos setores de 
base do movimento estudantil e sindical.

Em contraposição aos pelegos e burocratas de toda ordem, os trabalhadores da educação e 
estudantes de diversas partes do país têm realizado mobilizações pautadas pela organização 
por local de trabalho e estudo e pela ação direta como métodos de luta. As ocupações de 
escolas em São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Ceará são referências para 
todos os lutadores sociais e exemplos de como é possível lutar à revelia das direções 
sindicais e estudantis.

AS OCUPAÇÕES DE ESCOLAS

Estudantes ocuparam (e ainda ocupam) suas escolas em diversas partes do país, 
reivindicando melhorias na infraestrutura, colocando-se contra as “reformas” que visam 
fechar escolas e rechaçando projetos de lei que querem privatizar ou tornar ainda mais 
conservador o ensino em suas escolas. Cada estado teve motivos distintos, mas todos esses 
motivos fazem parte do projeto neoliberal – como já mencionado no início – de avançar com 
as privatizações e destruir os direitos sociais e trabalhistas.
Em Goiás, o governo quer militarizar as escolas e repassar sua gestão para as OS. No Rio 
de Janeiro e São Paulo, a tentativa de fechar mais de uma centena de escolas e neste 
último estado, o desvio de verbas da merenda. Em Porto Alegre, a privatização pela gestão 
das OS, corte de verbas, a imposição do famigerado “Escola Sem Partido” e a solidariedade 
com a luta por melhores condições de trabalho de seus professores. Diferentes 
reivindicações, um mesmo método de luta e uma grande referência para o conjunto da 
esquerda combativa.

A marca das escolas ocupadas foi a auto-organização dos estudantes, o exercício da 
democracia direta, a valorização da participação e da autogestão, e da ação direta como 
tática de luta em que os estudantes são os principais protagonistas do conflito. 
Assembleias em cada escola para que todos os estudantes possam decidir sobre os rumos da 
ocupação; comandos estudantis formados por delegados/as eleitos pelas escolas; organização 
de comissões de trabalho da ocupação; critérios de entrada e permanência nas ocupações de 
pessoas de fora da escola, foram algumas das práticas encontradas que serviram como 
antídoto à tentativa de controle dos partidos eleitoreiros à frente das entidades como a 
UBES e que buscaram garantir outra forma de organizar a luta estudantil contra os ataques 
dos de cima.

As ocupações receberam forte apoio de professores, de mães e pais e, em menor medida, das 
direções escolares. Se não é possível dizer que a aceitação da ocupação como tática de 
luta foi unânime, ocorrendo situações em que setores da comunidade escolar pressionaram 
pela desocupação e para que as aulas voltassem a ocorrer normalmente, as ocupações 
receberam ampla solidariedade do conjunto dos movimentos sociais combativos e deram um 
novo sentido para a escola e para as salas de aula com diversas atividades, debates, 
oficinas, aulas públicas, etc. Nesse sentido, as ocupações não foram apenas uma tática a 
mais na luta pela educação, mas também um exemplo de política feita pelos de baixo e uma 
verdadeira escola de militância de base. Exercitam o controle coletivo do espaço escolar 
(autogestão) e a luta pela base, fazendo da sala de aula uma barricada estudantil.

CONTINUAR A LUTA DOCENTE E ESTUDANTIL

Marchas, piquetes, ocupações e greves são algumas táticas de pressão e ações diretas que, 
na nossa opinião, representam o necessário protagonismo coletivo dos estudantes e 
educadores nessa dura luta que continuaremos a travar contra os opressores. São medidas 
que nós de baixo precisamos ampliar e aprofundar cada vez mais, para fazermos valer nossas 
reivindicações e arrancarmos conquistas. Fortalecer a nossa luta como estudantes e 
educadores é fortalecer os espaços de organização popular autônomas de cada segmento e 
também os espaços de unidade e articulação conjunta, pois a luta é a mesma.
Uma luta por uma educação verdadeiramente pública, de qualidade e sob o controle dos/as de 
baixo. A educação não é mercado e seus alicerces devem ser construídos a partir de uma 
equidade de gênero e de nossas raízes raciais e étnicas visando uma justiça social.
Por uma educação popular que seja instrumento da emancipação dos de baixo!
Greve, marcha, piquete e ocupação!

A educação só muda com luta e organização!

http://www.cabn.libertar.org/cab-greve-piquete-marcha-e-ocupacao-educadores-e-estudantes-unidos-pela-educacao/


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