(pt) federacaoan arquista gaucha: A unidade e o federalismo - faguista / 4 dias atrás - Por Neto, militante da FAG

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Domingo, 28 de Fevereiro de 2016 - 17:34:41 CET


“Todos nossos leitores, todos os que nos conhecem, sabem com quanta paixão queremos e 
defendemos a concórdia entre os trabalhadores subversivos: a frente única do proletariado 
contra a burguesia e contra o governo.” ---- Errico Malatesta, “Nós e os Socialistas”, 
Umanitá Nova, 1920. ---- No texto “As frentes, a unidade e os anarquistas” procuramos 
socializar algo da nossa opinião sobre a importância da unidade em um contexto de ofensiva 
dos de cima e resistência dos de baixo. Da mesma forma, dissemos os motivos pelos quais 
não participamos das frentes Povo sem Medo e Brasil Popular. Agora, queremos falar de 
alguns aspectos dessa unidade a que nos referimos anteriormente e aproveitaremos o ensejo 
da rearticulação do Bloco de Lutas pelo Transporte Público de Porto Alegre para 
exemplificar nossa argumentação.

Que unidade mesmo?

Ao contrário de tantas outras cidades do país, Porto Alegre conta com um espaço de unidade 
para articular as lutas contra o aumento das passagens e para fazer a defesa de um 
transporte 100% público desde antes de 2013. Uma frente da qual participam quase toda a 
esquerda porto alegrense: anarquistas, trotskistas, autonomistas, leninistas e 
individualistas. Longe de evitar problemas de ordem ideológica ou mesmo programática, essa 
composição possibilitou amplificar as forças que cada um isoladamente não teria, impor na 
agenda política da cidade a pauta do transporte público, atravessar 2013 sem entregar as 
ruas a uma direita raivosa, protagonizar ações diretas importantes como a ocupação da 
Câmara de Vereadores e servir como lugar de significativa experiência política a mais de 
uma dezena de ativistas e de lutadores sociais.

Contudo, o Bloco é uma frente de partidos, organizações políticas, indivíduos, coletivos 
estudantis, etc., que não consegue se capilarizar no território geográfico da cidade, nas 
periferias e comunidades populares. A estrutura e dinâmica do Bloco de Lutas e seu 
funcionamento como um fórum suprapartidário não é funcional como espaço de 
auto-organização das classes oprimidas. Como uma grande “agrupação de tendência”, o Bloco 
cumpre seu papel dentro de certos limites. Entretanto, se queremos que as lutas 
reivindicativas sejam ensaios para uma luta muito maior e necessária por transformação 
social – e é isso que nós, anarquistas, queremos – com protagonismo popular e organização 
de base, devemos ir além.

Unidade de base implica em organização de base!

Sendo assim, somos contrários à unidade com outros partidos e organizações políticas? 
Achamos que a nossa participação no Bloco de Lutas por mais de 2 anos responde a essa 
questão. Contudo, o critério que aplicamos na nossa atuação cotidiana fala em priorizar a 
unidade entre setores de base organizados e não entre partidos. Mas por “setores de base 
organizados” entendemos o quê? E onde fica a FAG nessa concepção de trabalho?

Quando nos referimos a “base organizada” queremos dizer setores das classes oprimidas 
socialmente organizadas, ou, o que dá no mesmo, grupos de trabalhadores, de moradores, de 
estudantes, de desempregados – na sua diversidade – organizados em suas entidades 
representativas ou em função de reivindicações específicas, como é o caso do direito a um 
transporte 100% público. É esse protagonismo e auto-organização de base que, para nós 
anarquistas, irá definir satisfatoriamente os rumos de um processo revolucionário de 
matriz socialista e libertária; além disso, são essas as condições – os embriões – do que 
chamamos de Poder Popular.

Mas como unir setores geograficamente e setorialmente dispersos? É o federalismo a 
resposta do anarquismo para combater ao mesmo tempo o centralismo de concepções 
autoritárias e a fragmentação autonomista que é contrária à coordenação e à articulação 
entre diferentes unidades relativamente autônomas. É o método da delegação que encarna, na 
prática, o federalismo que organiza de baixo pra cima e que possibilita ampla participação 
nos locais de estudo, trabalho e moradia ao passo que forma múltiplos centros para sua 
coordenação.

No entanto, não temos dúvidas sobre a insuficiência – do ponto de vista do combate ao 
capitalismo – da organização das classes oprimidas sob bases apenas reivindicativas ou 
para lutar por reformas. Também temos certeza da necessidade de uma Organização política 
ideológica, anarquista e de intenção revolucionária. Tanto é assim que não renunciamos ao 
papel ideológico e político que a FAG e outras Organizações podem cumprir no interior da 
auto-organização das classes oprimidas. Isso significa que somos “uma vanguarda 
esclarecida que tem o dever histórico de dirigir e educar as massas ignorantes”? Não! Nada 
tão alheio a nossa concepção!

Somos partidários da teoria das minorias ativas e das Organizações Políticas – de 
Partidos, no sentido que dava Errico Malatesta a essa palavra – enquanto pequenos motores 
que favorecem e contribuem para a auto-organização social dos diversos setores das classes 
oprimidas numa perspectiva de transformação social. Deixando bem claro que não estamos nos 
referindo a Partidos de massas eleitorais, mas agrupações ideológicas com unidade 
programática e estratégica. Como já escrevemos em outros materiais, estamos falando da 
coexistência, complementaridade e articulação de dois níveis: o político e o social.

Construir um Povo Forte!

O limite do Bloco de Lutas, assim como de qualquer fórum em que se articulem 
prioritariamente Organizações Político-Sociais será, assim, os limites de uma experiência 
em que não estão diretamente implicadas parcelas expressivas das classes oprimidas. Isso 
vale para os âmbitos sindicais, estudantis e populares de uma maneira geral. Enquanto o 
conjunto da esquerda não reorientar a maior parte de seus esforços para um trabalho de 
base consequente – e ao mesmo tempo correspondente a uma luta político-ideológica fora das 
eleições burguesas – para projetar e materializar organização própria e autônoma das 
classes oprimidas, não construiremos alternativas concretas.

Sem uma experiência própria de organização e mobilização, consciência alguma sentirá a 
necessidade de abrir caminhos a outra sociedade. Sem auto-organização das classes 
oprimidas, repetiremos velhas dominações travestidas de Socialismo, de ditaduras ditas 
proletárias, de Estados operários que dominam politicamente e reconstroem dominações de 
classe. Porque para construir um Povo Forte, e não em primeiro lugar um Partido Forte, 
precisamos mais do que agitação, propaganda e disputa de aparatos. Criar raízes de luta e 
organização popular, independentes e pela base, ainda é tarefa para muitas mãos!
https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2016/02/20/a-unidade-e-o-federalismo/


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