(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro: [Alternative Libertaire – França] Depois de 20 Anos, o anarquismo se enraíza com a FAG.

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Segunda-Feira, 22 de Fevereiro de 2016 - 10:49:35 CET


Traduzimos nota da Alternative Libertaire, organização anarquista francesa, sobre os 
eventos acontecidos no Rio Grande do Sul em relação aos 20 anos da Federação Anarquista 
Gaúcha. ---- Original: http://www.alternativelibertaire.org/?Bresil-depuis-vingt-ans-l 
---- Depois de 20 Anos, o anarquismo se enraíza com a FAG. ---- Nos dias 21 e 22 de 
novembro, foi realizado o aniversário da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) em Porto 
Alegre. Dois dias de trocas e discussões sobre as práticas desta organização e do 
anarquismo no Brasil. Uma ocasião para voltar no assunto da corrente do Especisfimo na 
America do Sul. ---- No meio de uma pequena praça no centro de Porto Alegre, ergue-se uma 
bandeira rubro-negra onde podemos ler em letras brancas: “Feira Libertária, FAG-CAB, 20 
anos”. É aqui que a Federação Anarquista Gaúcha instalou sua feira do livro e suas 
oficinas, com a participação de vários militantes de Porto Alegre e de várias organizações 
brasileiras e de outros países. Livros, panfletos, cartazes, camisas estampadas de todo o 
continente estavam espalhados pelas barracas e estandes improvisados. Sob uma tenda, 
algumas pessoas sentam em circúlo para escutar e debater com as/os militantes anarquistas 
que vieram apresentar suas reflexões, atividades e/ou a situação de seus respectivos países.

São dois dias de atividades e reuniões (plenárias sindicais, de mulheres e internacionais) 
intensas que culminaram na noite dos 20 anos da FAG. Em seguida, tivemos as falas de 
alguns membros da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), da Federação Anarquista de Rosário 
(FAR), da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) e claro, da FAG. Os/as membros destas 
organizações souberam hábilmente analisar as conjunturas brasileira, latino-americana e 
mundial, podendo ilustrar os desafios, os posicionamentos e as estratégias do especifismo. 
A força dos discursos, a emoção e a exaltação despertada pelos “Arriba lxs que luchan”, 
repetido em coro pela assembleia, levou a uma alegre festa no fim da tarde, com trocas 
cordiais e animadas entre as/os militantes que nunca cansam de debater sobre a sociedade 
atual e sobre o mundo novo que elas e eles sonham em construir.

Uma inserção social em diferentes frentes de luta

A FAG nasce em 1995 em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, e é uma das primeiras 
organizações especifistas do Brasil. Ela se inspira bastante em sua irmã mais velha, a 
FAU, organização fundadora da corrente do especifismo. Hoje, ela (FAG) está presente em 
quatro regiões do estado e está inserida em diferentes frentes de luta. A mais importante 
é a frente de luta comunitária ou territorial, que se define pelo trabalho junto aos 
bairros e às populações mais precárias. Para isso a FAG dispõe especialmente de um ateneu 
libertário onde são organizadas diferentes atividades: educação popular, conscientização, 
formação (tendo como exemplo a biblioteca libertária, onde podemos encontrar livros 
clássicos como “A Conquista do Pão”), aulas de autodefesa, oficinas de costura; também se 
pode ter acesso a produtos da agricultura camponesa, cultivados e distribuídos por um 
assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST)… de fato, vários 
militantes da FAG estão inseridos nas lutas rurais, camponesas e de recuperação das terras.

O Ateneu é também um espaço de coordenaçao das solidariedades e das lutas: aqui se 
encontram alguns coletivos, como o coletivo para a luta da populaçao negra, alguns 
coletivos feministas e também o coletivo da apoio e solidariedade à revolução popular 
curda… Também há encontros dos e das militantes para continuar levando as lutas de bairro, 
eixo da inserção social central para a FAG, cujas primeiras lutas foram as de organização 
das/os catadores de materiais recicláveis de Porto Alegre.
Além disso, a FAG também se insere tanto na frente estudantíl quanto na frente sindical. 
De fato, nestes últimos anos, o Brasil viveu uma radicalização das bases sindicais que 
levaram a numerosas greves que foram além do controle das direções burocráticas, e às 
vezes mafiosas. Em volta da FAG, encontram-se simpatizantes e militantes de diferentes 
frentes de luta numa tendência chamada Resistência Popular, uma verdadeira ferramenta da 
estratégia especifista onde se encontram as lutas convergentes de diferentes setores.
Um trabalho esforçado de convergência das lutas foi o que permitiu, no passado, 
transformar as lutas sindicais em verdadeiras lutas de bairro, como no setor da educação 
por exemplo. Esses 20 anos de construção da FAG foram acompanhados pelo desenvolvimento de 
outras organizações a nível nacional, construindo a Coordenação Anarquista Brasileira 
(CAB), em 2012.

Em um território 16 vezes maior que a França, desenvolver o federalismo não é contudo uma 
pequena coisa. A CAB marca um processo de construção de uma linha teórica e uma prática 
comum, fortalecendo as organizações pela base, inclusive pelo acompanhamento de novos 
grupos e pelo apoio mútuo, uma prática que é também comum entre as organizações 
latino-americanas, com o objetivo de desenvolver a corrente do especifismo no continente.

A estratégia do especifismo

O especifismo é uma corrente anarquista própria a América do Sul. Desenvolvido nos anos 
1960 pela FAU, e tem suas origens principalmente nas teorias e nos escritos de Bakunin e 
Malatesta (sendo este último exilado na Argentina). Dois eixos centrais fundam esta 
corrente: a organização específica dos anarquistas e a prática/inserção social. O primeiro 
eixo insiste sobre a necessidade de se organizar em um nível politico como um grupo 
coerente, para poder atuar no movimento social com uma expressão, uma prática e uma ética 
libertária. O conceito de inserção social, por sua vez, refere-se à história particular do 
Brasil que viveu, em 1930, um declínio do movimento anarquista em “círculos culturais e 
intelectuais”, em detrimento da atividade no movimento social e sindical.
É portanto um retorno à luta de classes das/dos anarquistas organizadas e organizados e 
não uma forma de entrismo, como podem praticar algumas organizações da esquerda autoritária.

A organização deve ser um pequeno motor das lutas sociais a fim de acompanhar a construção 
do poder popular: os especifistas apostam, então, em um povo forte, no lugar de uma 
organização forte. O poder popular se constrói pela base, através do que os especifistas 
chamam de frente das classes oprimidas, reconhecendo então a existência de diferentes 
formas de opressão, sendo elas econômicas, de gênero, de raça, seja também pela categoria 
social (camponeses e camponesas, desempregados e desempregadas, trabalhadores e 
trabalhadoras etc.). Isto se traduz no investimento das/dos militantes, por frente de 
luta, em reivindicações próprias (exemplos: de bairro, estudantil, sindical, rural…) onde 
elas e eles participam no surgimento de espaços onde se constroem as solidariedades e as 
convergências das diferentes frentes de luta.

“Povo na rua pra resistir e pra lutar, povo que avança para o poder popular!”

Tradução: FARJ

https://anarquismorj.wordpress.com/2016/02/17/alternative-libertaire-franca/


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