(pt) CAB, LUTAS, PUBLICAÇÕES - AS LIÇÕES DE UMA GREVE HISTÓRICA: UM ANO DA OCUPAÇÃO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO PARANÁ (ALEP).

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Segunda-Feira, 15 de Fevereiro de 2016 - 16:59:16 CET


Há um ano o funcionalismo público paranaense nos dava uma lição histórica: se nós, pessoas 
oprimidas, quisermos defender nossos direitos, só conseguiremos fazê-lo com nossas 
próprias mãos. ---- No dia 9 de fevereiro de 2015, iniciava uma das maiores greves da 
história das pessoas trabalhadoras em educação, com adesão praticamente total e com 
decisão unânime na assembleia de Guarapuava, que gritava em uníssono “Greve! Greve!”. A 
categoria se preparava para enfrentar o “pacotaço”, isto é, um conjunto de medidas de 
austeridade impostas pelo governador Beto Richa, representando a política do PSDB – que é 
a política dos banqueiros, latifundiários e grandes empresários. Esse “pacotaço” iria 
precarizar o plano de carreira da categoria, destruindo conquistas de dezenas de anos de 
luta, além de confiscar o fundo previdenciário do funcionalismo público, comprometendo a 
aposentadoria das trabalhadoras e trabalhadores.

No dia 10 de fevereiro, mais de vinte mil lutadoras e lutadores se reuniram em frente a 
Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) para protestar contra as medidas do governo. Os 
deputados mostravam-se dispostos a votar à favor dessa medida, ignorando as milhares de 
pessoas do lado de fora da ALEP. Isso já era esperado: o Estado capitalista tem um lado 
bem definido, e independente de quem esteja ocupando as cadeiras, a máquina funcionará da 
mesma forma, defendendo os interesses dos ricos e dos poderosos, mesmo que para isso tenha 
que pisar em cima de milhares (ou milhões) de pessoas. Não adianta esperar que quem está 
no poder se solidarize com quem não está.

Após a aprovação do regime de comissão geral – mais conhecido como “tratoraço” –, que 
permitia as votações serem realizadas em um único dia, as trabalhadoras e trabalhadores 
ali reunidos tiveram o ímpeto de ocupar a ALEP, impedindo dessa forma a votação do 
projeto. Somente dessa forma, mudando as regras do jogo, é que podemos enfrentar o Estado. 
Esperando que a votação fosse realizada a única coisa que poderíamos esperar era a 
derrota. Uma derrota que custaria muito caro: custaria direitos, custaria dignidade, 
custaria anos de luta. Quando subvertemos a lógica do Estado e atuamos para além dela, 
temos chances de vitória. Foi isso que ocorreu e, ao invés de esperar que “o jogo” 
continuasse nos moldes do Estado capitalista, viramos a mesa, fazendo “o jogo” funcionar 
de modo que o povo tivesse mais força: através da Ação Direta.

Acontece que o governo não se deu por vencido, e no dia 12 de fevereiro, o local da 
votação foi transferido para o restaurante da ALEP. Ao descobrir essa informação, a 
categoria mudou de tática, cercando todas as entradas da assembleia e impedindo a entrada 
dos deputados e deputadas. O então secretário de segurança pública, Fernando 
Franscischini, teve a ideia de levar os deputados para dentro da assembleia usando um 
camburão e a tropa de choque, episódio que se tornou bastante emblemático. Após conseguir 
a entrada (de maneira vergonhosa) dos deputados, prosseguiu o processo de votação. A 
indignação tomou conta das pessoas que cercavam a ALEP. Novamente, sem medo, a categoria 
avançou. Enfrentou a polícia, o batalhão de choque, suas bombas, armas e cães, e ocupou o 
estacionamento da ALEP, cercando o local onde ocorria a votação. Com medo do povo, os 
deputados cancelaram a votação.

Não devemos esquecer as lições desses dias:

1. Não confiar em representantes, pois eles não representam os interesses do povo, da 
classe oprimida, mas sim, os interesses dos ricos e poderosos. São apenas ferramentas do 
Estado e farão o que for necessário para manter seus privilégios e suas posições de poder;

2. Se tentarmos vencer respeitando a institucionalidade, ou seja, as regras do “jogo”, não 
teremos chances. As instituições de poder, isto é, os poderes legislativo, executivo e 
judiciário, funcionam de tal forma que as pessoas oprimidas não têm nenhum poder. Medidas 
são impostas, e, por mais razoáveis que sejam os argumentos a favor do povo, o que 
prevalece é o interesse de classe dos ricos.

3. Precisamos agir com táticas onde nós, pessoas oprimidas, tenhamos mais poder. Esse modo 
de agir é utilizando a Ação Direta, onde não dependemos da representatividade e das 
instituições. Quando agimos diretamente, podemos colocar cada braço, cada ombro, para 
lutar e ter voz. Nesse caso nos tornamos milhares contra uma minoria. Ocupar a Assembleia 
Legislativa foi o que trouxe a vitória nesses dias. Não adiantaria esperar dos deputados 
que os projetos não fossem aprovados, fossem eles supostos “amigos” ou “inimigos” da educação.

Tendo isso em mente, não devemos olhar para o passado apenas para lembrar, mas também para 
trazer os aprendizados das situações que vivenciamos. Não vamos nos esquecer dessas lições 
nas próximas lutas que virão!

Ação Direta é a arma que nós temos para fazer justiça para viver!

A luta não para!

Não tem arrego!

http://anarquismopr.org/2016/02/12/as-licoes-de-uma-greve-historica-um-ano-da-ocupacao-da-assembleia-legislativa-do-parana-alep/


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