(pt) Espanha, Proíbem a prisioneira anarquista de ler o livro de Emma Goldman “por razões de segurança” - Oscar Castelnovo (APL Agencia Para la Libertad)

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Domingo, 24 de Abril de 2016 - 12:11:00 CEST


A militante anarquista Noelia Cotelo, reclusa em Topas, Salamanca, leva mais de 8 anos na 
prisão. Foi presa para cumprir apenas 1 ANO e MEIO DE PRISÃO. O tempo restante corresponde 
a causas internas por não ter mostrado submissão perante as brutais violações de direitos 
que apresenta, copiosamente, o fascismo espanhol em todas instituições de reclusão. A sua 
rebeldia e atitude frente aos torturadores geram um vendaval de solidariedade em diversos 
sítios do mundo. Recentemente, os carcereiros proibiram-na de receber o volume “Vivendo a 
minha vida”, de Emma Goldman, nascida na Lituânia e que foi uma mulher adiantada para a 
sua época. Desde a sua chegada a Nova York como costureira, aos 20 anos de idade, 
procedente da Rússia czarista até à sua passagem pelos enclaves socialistas de Lower East 
Side de Manhattan, dedicou a sua vida aos ativismos a à agitação pública.

Teve uma presença influente em acontecimentos políticos distantes, tal como a Revolução 
Russa e a Guerra Civil espanhola. “Vivendo a minha vida” é uma das grandes biografias do 
século e um fascinante relato de uma época de turbulências políticas e ideológicas. Os 
seus escritos e conferências abarcaram uma ampla variedade de temas, incluindo as prisões, 
o ateísmo, a liberdade de expressão, o militarismo, o capitalismo, o matrimônio, o amor 
livre, o controle da natalidade e a homossexualidade, desenvolvendo assim novas maneiras 
de incorporar a política de gênero no feminismo e no anarquismo.

A dispersão conhecida como “calesita”, na Argentina, levou Noelia a estar detida em várias 
cadeias do estado espanhol. Entre elas, Teixeiro, na Galícia; Brieva, em Ávila; Picasent, 
em Valência; Albolote em Granada; Soto Real, em Madrid; Mansilla de las Mulas, em León e 
Topas, em Salamanca. Numa delas, no centro penitenciário de Brieva, um carcereiro 
partiu-lhe o pulso, em 2013. Com o pulso partido, medicada com psicofármacos e algemada à 
cama, durante a madrugada, outro carcereiro chamado Jesus – que tinha participado na 
agressão anterior – tentou abusar sexualmente dela. Noelia denunciou estes acontecimentos 
mas este ao ver-se surpreendido pela revolta das outras internas, fez uma contra-denúncia 
em que assegurava que foi esta que tentou agredi-lo. A denúncia desta violação, não só 
conseguiu que se agravara a sua situação na prisão, submetendo-a a um isolamento mais 
restrito, como levou a que repartissem pelas demais internas a sua roupa e cobertores. Foi 
então que Noelia, pela sua denúncia de violações e torturas foi transferida para a cadeia 
de Albolote (Granada), a mais de 1000 km da sua terra, na Galícia. Começou, em seguida, 
outra greve de fome, como forma de luta ante os ataques que estava a sofrer em Albolote, 
estes relacionados com o tratamento desrespeitoso de uma guarda, problemas com o correio e 
sanções sem sentido.

Perante os ataques seguidos à vida de Noelia através de golpes, da medicação forçada com 
metadona, descuido médico e submetendo-a ao “Ficheiro de Internos de Seguimento Especial” 
(FIES), tortura intensa e isolamento estrito, o coletivo Mujeres Libres da CNT Zaragoza, 
exigiu:

• que se investiguem os abusos sexuais sofridos por Noelia na cadeia de Brieva, assim como 
as lesões e torturas a que foi submetida e que se apurem responsabilidades.

• que não haja carcereiros homens nos módulos e cadeias de mulheres para que não se volte 
a repetir nunca nenhum episódio de violência machista, de humilhação, ou qualquer tipo de 
ataque sexual.

• que se termine com a impunidade e cumplicidades médicxs, de juízxs, psicólogxs, 
assistentes sociais e demais funcionárixs acólitos destas práticas.

• que se termine, de uma vez por todas, com os maus tratos e torturas como instrumento 
sistemático e quotidiano usado pelos carcereiros para fazerem funcionar a maquinaria 
penitenciária.

• que se termina com a dispersão como forma de chantagem da política fascista do Estado 
Espanhol.

• que desapareçam as cadeias e o sistema penal que o sustenta como castigo punitivo do 
Estado ao serviço do regime de dominação e exploração capitalista.

• a imediata libertação da companheira Noelia Cotelo.

O fascismo continua vivo na Espanha!

Sobre a proibição do livro, a mãe de Noelia, Lola Riveiro Lois, afirmou: “Não entendo como 
num estado democrático, como dizem ser a Espanha, proíbem aos/às presxs ter livros para 
ler. Hoje devolveram-me o livro, no qual está escrito “por razões de segurança”. Estão a 
anular totalmente os direitos dxs presxs e eu pergunto-me: isto é democracia, ou é mais 
tortura? Quero agradecer a todxs que com grande esforço me fizeram chegar esses livros. Xs 
carcereirxs estão a querer ser justiceirxs. São a justiça e fazem o que lhes apetece. Eu 
não entendo porque não se pode ler livros, ainda mais livros que fazem parte do depósito 
legal”.

As proibições de aparência absurda; as leis repressivas; a perseguição feita a lutadorxs, 
sindicalistas, jornalistas e as cruéis cadeias espanholas, mostram que o fascismo continua 
robusto e a exercer toda a crueldade com o povo vulnerável. A Noelia é castigada pela luta 
incessante contra o regime monárquico-capitalista, onde os reis, políticos e juízxs 
conformam uma classe parasitária e opressora. Assassinam elefantes e devastam seres 
humanos. Por isto lhes é perigoso o livro de Emma Goldman nas mãos de uma lutadora como 
Noelia. Porque foi Emma que disse: “uma mudança social real nunca foi levada a cabo sem 
uma revolução…

Revolução não é senão o pensamento levado à ação”. Liberdade para Noelia!

Tradução > Ophelia


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