(pt) Brazil, Coletivo Quebrando Muros - Nota de solidariedade à companheira agredida

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Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016 - 14:56:56 CEST


Ser mulher na sociedade de classes, significa estar constantemente exposta, submetida às 
mais variadas formas de dominação, docilização e exploração. ---- Ser mulher na sociedade 
de classes, significa voltar pra casa espremida no transporte público precário e ser 
gravemente abusada, como foi o caso da companheira. ---- Ser mulher na sociedade de 
classes, é chegar em casa e perceber, que não só foi encochada por um homem no ônibus, 
como este também gozou em sua saia. ---- Significa ter a coragem de denunciar esse abuso e 
ver seu relato ser distorcido, diminuído e ridicularizado! ---- Ser mulher na sociedade de 
classes, significa ter que ouvir que se a história fosse real, deveria ter feito B.O e 
como não fez, acaba sendo tão culpada quanto o abusador. ---- Significa ouvir que inventou 
a história pra pura e simplesmente acusar alguém do sexo oposto, pra se vitimizar, pra 
aparecer.

Ser mulher na sociedade de classes é ser demarcada socialmente e empurrada ladeira abaixo 
na vida econômica, para ser hiperexplorada pela jornada dupla de trabalho (na firma e no 
lar), ganhar salários inferiores aos dos homens e ocupar posições inferiores nos 
trabalhos, na família e na política!

Ser mulher na sociedade de classes, é não ter direitos civis básicos garantidos, como 
direito ao aborto, ao divórcio ou a maternidade!
Ser mulher na sociedade de classes é ser silenciada e assediada diariamente, é ter medo e 
apreensão como sentimentos corriqueiros!

No caso da companheira, é ser constrangida, culpabilizada e oprimida de forma covarde ao 
tentar denunciar esse estado de coisas! Entendemos que casos como esse não ocorrem de 
forma isolada e se expressam no cotidiano das mulheres trabalhadoras. Os comentários que 
tentam desqualificar o relato, são sintoma do quanto a sociedade não está atenta à grave 
realidade da violência e assédio sexual em geral e em particular no transporte público. 
Por isso, declaramos repudio à toda violência gênero e atos machistas, afirmando a 
necessidade da luta organizada e combativa das mulheres, construindo alternativas para a 
superação real das opressões. E sobretudo, declaramos nosso pleno apoio à companheira e ao 
conjunto das mulheres em luta, que tem a coragem de denunciar e trazer à tona seus 
relatos, para que um dia eles não sejam mais do que histórias de terror ultrapassadas. 
Casos que só nos reforçam a importância da luta das mulheres não estar descolada da luta 
por direitos, por transporte público de qualidade, por melhores condições de trabalho, e 
como objetivo finalista, pela transformação radical da sociedade.

Em síntese, nos colocamos firmemente em prol de seu amparo e suporte individual, assim 
como em defesa de um projeto político classita revolucionário que tenha como central as 
demandas das mulheres! Uma vez que ser mulher da classe trabalhadora também é canalizar a 
revolta, é resistir como faz nossa companheira e não se permitir familiarizar com a 
opressão, pois há mulheres que não se deixam ser tratado como adorno ou serem humilhadas e 
desprezadas apenas por serem mulheres, mas que estão organizando e lutando pelo respeito 
que merecem como as mulheres são.

Arriba las e los que luchan!
Firmes!

https://quebrandomuros.wordpress.com/2016/04/10/nota-de-solidariedade-a-companheira-agredida/


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