(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra cabn: Retomada do 1º de maio na construção da identidade rebelde em Joinvill ePor Flavio Solomon [1]

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Domingo, 10 de Abril de 2016 - 09:25:58 CEST


“Todos os anos nos deparamos com as tais festas do Primeiro de Maio, promovidas pelas 
grandes centrais sindicais e que enchem praças e avenidas com milhares de pessoas. Com o 
objetivo de atrair o público, em meio aos shows de artistas famosos, sorteiam até carros e 
apartamentos. Esquecemos, no entanto, das origens dessa data tão importante, que marca a 
luta dos trabalhadores e das trabalhadoras contra as mazelas do capitalismo e suas brutais 
consequências sobre homens e mulheres” ---- Organização Anarquista Socialismo Libertário 
(OASL) [2] ---- O anarquismo atual tem uma breve história em Joinville. No contexto 
pós-ditadura civil-militar é possível identificar as agitações anarquistas em meados da 
década de 1990 até 2016. No primeiro momento, o anarquismo era uma expressão de setores da 
juventude urbana ligada ao punk, que foi importante por promover a circulação de jornais, 
informativos e literatura anarquista. Os primeiros anos do século XXI, novamente a 
juventude se mobiliza em torno do anarquismo. Porém, é uma juventude que divide o seu 
cotidiano entre o trabalho e os estudos. Neste segundo momento, o anarquismo é retomado 
por meio das lutas sociais por direito à cidade e do movimento estudantil no ensino médio 
e universitário.

É neste contexto que surge um grupo de estudos e ações da militância anarquista, com 
objetivo de formar de uma organização de intenção revolucionária. Entre os diferentes 
trabalhos realizados, uma das medidas é retomar a relação do anarquismo com o 1º de maio. 
A medida tem por intuito central a construção de uma identidade rebelde do povo oprimido 
inserido nas lutas sociais.
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No informativo do Pró-Coletivo Anarquista Organizado, Palavras de Luta #02 de maio/junho 
de 2010, iniciávamos o editorial sobre o 1º de maio como um:

“…momento trágico, e por isso heroico, da classe explorada, quando no ano de 1886, em 
Chicago (EUA), travaram manifestações por 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas 
de descanso. Os patrões, através do Estado, violentamente reprimiram com assassinatos a 
luta reivindicativa de trabalhadores que aspiravam uma vida digna (…) Passados 124 anos 
desde 1886, a exploração continua ofuscando o sol da liberdade, eclipsando nossa história 
de lutas por dignidade, nossas memórias libertárias. Os exploradores tentam nos fazer 
acreditar que a transformação social não é possível. Ao realizarmos a Iº Feira de Cultura 
Libertária, tendo como tema 1º de maio, uma história de luta, assumimos o compromisso 
político de discutir, escrever e propagandear a nossa memória de luta, identificando a 
exploração capitalista e estatal no presente, trilhando o caminho aberto por todos os 
trabalhadores e trabalhadoras que se dedicaram à revolução social, que se entregaram à 
liberdade”.

A Iª Feira de Cultura Libertária ocorreu na Associação de Moradores do Itaum, na zona sul 
de Joinville. Promoveu manifestações artísticas e narrativas dos movimentos sociais e 
entidades representativas, demonstrando que o dia 1ª de Maio é um momento de memória da 
luta da classe explorada, sustentada na realidade, ainda presente, da exploração 
capitalista e estatal. O evento procurou articular rodas de conversas sobre as lutas 
sociais, banca de livros anarquistas, poesias e filmes curta metragens. A Iª Feira 
aconteceu de modo a atender as expectativas da companheirada envolvida, inclusive 
apontando para um norte de novas atividades com este formato. Depois da edição que 
funcionou bem, infelizmente, em 2011, a militância anarquista não manteve os passos firmes 
para continuar a realizar atividade na data.

Iª Feira de Cultura Libertária, 2010.

Entre os anos de 2007 a 2013, a militância anarquista organizava o GEIPA, Grupo de Estudos 
das Ideias e Práticas Anarquistas. O grupo de estudos tinha por objetivo debater a ampla 
tradição anarquista e temas que julgava pertinentes, quando dialogavam de alguma maneira 
com o anarquismo. Foi através dele que realizamos um debate no 1º de maio de 2012.
Em 2012, os trabalhadores e as trabalhadoras em educação de Santa Catarina entraram em 
greve. Uma greve de curta duração, sem grande adesão da base da categoria, quase um 
movimento das direções sindicais, o que indicava os elementos de burocracia que haviam 
tomado conta do sindicalismo do magistério. Estes fatos motivaram o GEIPA a realizar a 
exibição do documentário Um pequeno grão de areia, que aborda a realidade combativa dos 
trabalhadores e das trabalhadoras da educação no México. A exibição do filme foi um 
gatilho para o debate e a reflexão sobre as realidades do trabalho em educação e da luta 
sindical em Joinville. O evento contou com professoras e professoras em sua grande 
maioria, assim como a companheirada solidária de outras frentes.

Em 2013, a necessidade de retomar o 1º de maio estava presente nas discussões do Coletivo 
Anarquista Bandeira Negra. Porém, a realidade apresentava um intenso trabalho de 
construção nas pautas da mobilidade urbana e comunitária. Por conta disso, uma ação de 
agitação e propaganda nas ruas foi a medida para marcarmos a data. A modesta ação 
fortaleceu a convicção da necessidade de realizar de maneira mais efetiva o trabalho. A 
dúvida que pairava era a melhor maneira de realizá-lo.

Conscientes das nossas condições, em 2014 a data não foi retomada do modo que desejávamos. 
A razão era a forte repressão, especialmente por conta das prisões e aberturas de 
processos que companheiros anarquistas sofreriam no contexto pós-jornadas de Junho de 
2013. Isso nos levou a não realizar a atividade com o corte político anarquista, mas de 
articular – junto a nossa militância inserida na luta sindical – uma atividade em formato 
de mesa redonda sobre os rumos das lutas da classe trabalhadora, evento que ocorreu no 
Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz. É perceptível o quanto as conjunturas 
muitas vezes desgastam as intenções militantes. Foi um recuo tático para concentrar as 
energias rebeldes para resistir aos ataques dos patrões e dos governos.

Em 2015 o CABN idealizou o “I Sarau 1º de maio” na tentativa de construir uma identidade 
de organização das e dos oprimidos, combate frente todas as formas de dominação. Afinal, o 
1ª de maio é uma data fundamental na história dos e das trabalhadoras: empregadas e 
desempregados, do campo e da cidade. A atividade foi destinada para cruzar a memória de 
luta com as experiências de hoje, tendo como enredo as diferentes manifestações criativas 
e combativas dos nossos companheiros e companheiras que se dispuseram a construir o ato.
Memoriando após um ano do evento realizado na sede do CDH, afirmamos que foi uma 
importante ação de 1º de maio. Na ocasião, por volta de 80 companheiros e companheiras, 
entre trabalhadores e estudantes, jovens e velhos, de diferentes lutas sociais 
relacionaram o saber, o pão e a poesia com as lutas das mulheres curdas, com a perda do 
escritor latino-americano Eduardo Galeano, a história contada pela compa Grazi, o teatro 
comunitário e as canções de “Eu também sou Zé”. Em nossas memórias vibram sorrisos 
rebeldes daquela noite de 1º de maio de 2015.
Agora, o CABN mantém o projeto de retomar o 1º de maio como um dia de luta e luto, de 
construir uma identidade de luta da classe oprimida. É a forma que encontramos de realizar 
uma proposta diferente dos governos, das entidades assistenciais e as grandes centrais 
sindicais. Sem deixar de esquecer que os enfretamentos ocorrem em diferentes setores, como 
nas memórias e histórias de lutas da classe trabalhadora que não entrega o seu passado aos 
patrões e governantes.

[1] Flavio Solomon é militante do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da 
Coordenação Anarquista Brasileira.

[2] http://www.anarkismo.net/article/25449.

http://www.cabn.libertar.org/retomada-do-1o-de-maio-na-construcao-da-identidade-rebelde-em-joinville/


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