(pt) Rio de Janeiro-RJ, Manifesto de criação do Fórum Anarquista e Libertário

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Sexta-Feira, 1 de Abril de 2016 - 17:14:05 CEST


No dia 24 de março de 2016, às 18h30, aproximadamente 150 pessoas de diferentes lugares da 
cidade se reuniram em um prédio antigo na Mangueira, com o objetivo de analisar a atual 
crise política e com a certeza de que existem alternativas para além do binarismo da via 
institucional agora posto pela disputa entre PT x PSDB e seus respectivos aliados. Mais de 
30 pessoas fizeram falas durante as mais de 3 horas de reunião, tendo sido também 
arrecadados R$77,00 para apoiar o ?#?OcupaMendes?. ---- Consideramos mentirosa a ideia 
pelo qual a falência do Estado dito democrático e de direito consistiria em um fascismo. 
Pelo contrário, identificamos na própria instituição, os elementos básicos do fascismo 
agora crescente. Defender o PT hoje é defender o campo de concentração nas favelas, o 
monopólio da mídia manipuladora, a gentrificação em massa nos centros urbanos, as 
políticas ruralistas que abraçam o latifúndio contra as populações indígenas, uma política 
extrativista que visa minar o modo de vida baseado na agricultura dos povos originários. É 
defender um governo que em meio à crise faz ajustes fiscais, impõe medidas de austeridades 
à população, enquanto os lucros dos banqueiros só aumentam, um governo que mantém a 
polícia que mais mata no mundo e que perpetua o maior número de mortes de ativistas no 
campo. Um governo que financia o Estado sionista e genocida de Israel e que invade 
militarmente o Haiti. A democracia que ambos os lados proclamam defender é um sistema de 
valores e práticas que promovem o conformismo e o oportunismo, ao mesmo tempo que sustenta 
uma máquina que beneficia poucos em detrimento da miséria de muitos.

Nesse sentido, como jamais houve um Estado que não fosse de exceção, não se pode dizer que 
há agora um golpe em curso. Não há combate à corrupção, mas a busca pelo seu monopólio. E 
também não há sistema não corrompido do modo como o jogo institucional está posto. O que 
esta crise demonstra é uma continuação daquilo que já vem à tona desde o levante dos 
marginalizados em 2013: a falência do sistema representativo, a qual tenta-se esconder, 
por um lado, com a ideia de que a troca de governantes poderia resolver a situação, por 
outro, com a defesa de um modelo falido que diante de sua tragédia cada vez mais se alia 
ao grande capital para se sustentar e por meio de um discurso do medo e do ‘’menos pior’’, 
que serve a ambos os lados. Os dois lados tentam defender a instituição e esconder que, 
mais do que nunca, não se trata de trocar peças em um tabuleiro, mas, sim, de mudar o jogo.

Tanto as manifestações do dia 13 quanto as do dia 18 foram compostas majoritariamente por 
elementos da classe média, diferentemente do que ocorreu em 2013 quando a favela e a 
periferia tomaram as ruas. A política dos de baixo não toma partido neste binarismo, pois 
entende que será massacrada tanto pelo modelo nacional desenvolvimentista quanto pelo 
grande capital internacional. A atual crise brasileira é uma disputa de elites. O PT 
defende a manutenção da elite local que fomentou através de políticas públicas como a dos 
“Campeões Nacionais”, enquanto o PSDB defende interesses da elite internacional com clara 
intenção, por exemplo, de rifar o pré-sal. Existe também, sem dúvida, uma crise externa ao 
Brasil, que é a “crise do capitalismo”, “provocada” pela disputa por matrizes energéticas, 
principalmente o petróleo. E essa crise externa faz com que a elite internacional se 
interesse em ampliar seu mercado de atuação para o Brasil em segmentos dos “Campeões 
nacionais”. Para muitas das empresas que participaram dessas políticas do PT, os negócios 
“não deram certo”, o que não foi o caso das construtoras, até porque, seu “mercado 
consumidor” é o governo, ou seja, “lucro garantido”. Por isso, fez-se necessário expor os 
esquemas que tornaram esse “sucesso” possível, afim de se legitimar a “quebra” dessas 
empresas, isso é, da razão de seu “sucesso”, para que o mercado se abra a elite 
internacional. Não há uma “crise das instituições”, as instituições são a crise. O Estado 
é a crise.

As conquistas sociais são resultados da luta concreta e contínua dos movimentos 
marginalizados da sociedade e não das políticas populistas do governo do PT, nem de 
qualquer outro governo. Não podemos deixar de lembrar de que no mesmo dia em que houve uma 
manifestação pró-PT (dita pró-democracia), a lei antiterror foi sancionada pelo Executivo. 
Tal legislação abre muitas brechas para que os movimentos sociais sejam criminalizados, já 
que qualquer um que seja visto como um “perigo à ordem’’ pode ser enquadrado como 
terrorista. O regime “democrático” não tolera quem recusa suas regras.

Não é verdade que quem não defende o PT é fascista, até porque o PT é conivente com vários 
elementos fascistas e aplica golpes todos os dias, basta olhar a lei anti-terrorismo. Não 
é verdade que quem não defende o impeachment e os partidos que fazem oposição ao PT é 
favorável à corrupção, até porque os demais partidos são coniventes com a corrupção todos 
os dias, basta olhar, por exemplo, a lista da Odebrecht. Defender o partido que sancionou 
a lei anti-terrorista contra o fascismo e pela democracia é tão contraditório quanto usar 
a camisa da CBF contra a corrupção. É dizer sempre que se quer o direito de não ter 
direitos, como na faixa que foi estendida em frente ao Planalto. A real alternativa não é 
institucional, a verdadeira luta é com os de baixo e não eleitoral

Por tudo isso, consideramos fundamental a construção de um novo espaço de discussão, 
organização e deliberação anarquista e libertário no Rio de Janeiro. Não devemos ter medo 
de nos insurgir e levantar nossas bandeiras negras. Com isso, foi deliberado neste 
encontro o nascimento da FAL – Fórum Anarquista e Libertário, sob os princípios do 
APARTIDARISMO, ANTICAPITALISMO, ANTIFASCISMO, HORIZONTALIDADE e FEDERALISMO.

Convidamos a todos os coletivos, organizações e indivíduos anarquistas, libertários, 
independentes, antifascistas, anticapitalistas e insatisfeitos com a polarização posta 
pelo governismo e sua oposição, com a via institucional e com o sistema representativo a 
virem construir conosco este espaço para as lutas que estão por vir.

NOSSA PRIMEIRA PLENÁRIA ABERTA SERÁ DIA 02/04, ÀS 16H. Rua Visconde de Niterói, 354. – 
Mangueira – Rio de Janeiro.

Mais infos: https://www.facebook.com/events/800113866787756/permalink/800145330117943/


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