(pt) Grécia, Convite político para o congresso de fundação da Organização Política Anarquista (ca, en)

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Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2015 - 18:49:38 CEST


Dois anos depois de apresentada a chamada para a perspectiva de criação de uma Organização 
Política Anarquista por quatro coletivos anarquistas em Atenas ("Círculo de fogo", "Local 
Antipnea", "Na estrada", "Anarquistas Pela Libertação Social"), se concluiu o processo de 
diálogo pré-congressual. ---- A chamada inicial foi acompanhada por uma série de grupos 
que responderam e comprometeram-se em com o marco político plasmado em sete pontos-base. A 
aceitação desses pontos foi a condição para participar do processo de formação 
subsequente: ---- A. O convite é dirigido a grupos políticos anarquistas (não indivíduos), 
que funcionem com procedimentos libertários, se posicionem coletivamente em matéria de 
exploração e opressão, se refiram em suas aspirações à revolução social e encontrem-se 
abertamente contra o Estado e o Capital.

B. Destina-se a coletivos anarquistas que compreendam a dimensão de classe da luta, 
excluindo de seu seio aqueles que obtenham mais-valia em termos materiais.

C. A organização política anarquista deve basear-se em conceitos políticos comuns e 
acordos tão coesos quanto possível, para que seja possível desenhar estratégias de luta de 
longo prazo. A criação de uma organização que cubra o "âmbito" não se encaixa em nossos 
desejos. A Organização política anarquista que perseguimos é parte do movimento 
anarquista/antiautoritário em geral, funcionando dentro deste e interagindo com ele.

D. A Organização Política Anarquista deve intervir continuamente e consistentemente no 
plano político central.

E. A Organização Política Anarquista deverá centrar-se no desenvolvimento de um movimento 
social e de classe emancipado e organizado, com o qual irá interatuar um movimento 
anarquista organizado.

F. A Organização Política Anarquista deve se posicionar de modo a ser capaz de criar um 
programa anarquista que constitua um elo entre a luta diária e as aspirações finais da 
anarquia e do comunismo (libertário).

G. A proposta de uma Organização Política Anarquista não é destinada a reduzir a autonomia 
dos grupos, ou promover a lógica de autodissolução em uma organização de massa. Por outro 
lado, o coletivo anarquista deve ser a célula da organização anarquista.

Ao longo de todo este tempo, a maioria dos coletivos que participaram no processo em toda 
a Grécia apresentaram por escrito as suas posições sobre os princípios, as posições, os 
fins (táticos e estratégicos) e o modo de funcionamento do projeto de organização. Sobre o 
mencionado material político se realizou oito reuniões em nível de Grécia para registrar 
um quadro inicial de acordos e determinar a metodologia pela qual se conformaria um plano 
político, o mais coeso possível, sobre o qual estabelecer a Organização Política 
Anarquista. Assim mesmo, tinham como objetivo definir o processo que seguiria ao debate 
pre-congressual e levaria ao congresso fundacional.

Através de uma inusitada experiência de desenvolvimento e interação entre coletivos 
anarquistas e também em nível de toda Grécia, em muitas questões, se conseguiu conhecer 
largamente as posições e finalidades de cada grupo, as experiências da sua participação 
nas lutas sociais e de classe, a concepção que expõem nelas e a direção que deve seguir a 
luta política anarquista para o horizonte da revolução social. Aprofundaram-se os acordos 
e se cristalizaram as diferenças enquanto surgiram desvios significativos do marco inicial 
dos sete pontos. Durante este longo período de debate, coesão e diferenças, decidiu-se 
tanto a continuação ou não no processo por cada grupo, como a possibilidade de sua 
coexistência em um projeto organizacional.

O produto coletivo composto a partir desses processos é o acervo político e a riqueza de 
toda essa trajetória. Considerando-o a base política elementar, em que a Organização 
Política Anarquista pode se constituir, se apresentando como o texto estatutário a aprovar 
no congresso fundador, uma vez que reflete a mais ampla capacidade de convergência a nível 
dos princípios/posições/efeitos/estrutura organizacional entre todos os coletivos 
anarquistas que participaram desta tentativa de organização - mas sendo ao mesmo tempo 
consequente com a estrutura política inicial dos sete pontos iniciais que marcou desde o 
início a orientação coletiva.

Hoje, em um período de crise global do sistema, o Estado e o Capital estão em um 
permanente processo de reestruturação, tendo feito seu ataque extensível à sociedade com a 
imposição de condições de exploração e opressão cada vez mais insuportáveis, forçando a 
pobreza e a miséria para setores cada vez mais amplos da sociedade e privando-os dos bens 
sociais mais fundamentais; com a destruição e a pilhagem do mundo natural em nome do 
desenvolvimento; com a promoção do papel das forças repressivas e mecanismos de controle e 
supervisão; com a tentativa de calar todas as vozes da resistência, brutalmente reprimindo 
e aterrorizando as pessoas da luta, difamando ou silenciando as lutas e tentando isolar 
aqueles que opõem obstáculos aos planos de poder; com a migração forçada e os milhares de 
assassinatos de migrantes e refugiados nas fronteiras e no interior das grandes cidades 
ocidentais, execuções a sangue frio pelas forças policiais, as mortes de trabalhadores nas 
galés patronais renomeadas de "acidentes de trabalho".

Em nível global está se tornando cada vez mais clara a tendência do poder de impor o 
absolutismo moderno para a completa submissão dos de baixo. Se trata da ofensiva 
antissocial de um sistema político-econômico em falência que não se encontra somente em 
crise, que é uma característica estrutural que lhe é inerente, mas em estado de 
decomposição. Frente a ele se levantam as resistências dos oprimidos, resistência que 
aspiramos que se façam coletivas. Frente à lógica sem saída da delegação, propomos 
socialmente e em termos realistas a perspectiva coletiva do mundo da igualdade, 
solidariedade e liberdade.

Neste contexto, a necessidade de organização da luta política anarquista, melhorando suas 
estruturas e processos, continua a ser urgente e oportuna. O modelo informal tem sido por 
muitos anos o modo fundamental de organização de uma grande parte dos anarquistas. 
Escolhidos em um ambiente social e político completamente diferente, consideramos sua 
proposta organizacional insuficiente, especialmente no que se refere às circunstâncias 
atuais. A colaboração ocasional entre grupos e companheiros anarquistas isolados, a 
improvisação, a combatividade e o caráter decidido são elementos que têm sido dominantes 
no "âmbito" anarquista grego e que por um lado contribuíram para construir um vívido e 
múltiplo espaço político que deu origem a importantes eventos e levantaram respostas 
dinâmicas ao sistema capitalista e ao Estado, mas por outro lado muito claramente 
revelaram suas limitações específicas. A incoerência, a falta de compromisso, a ausência 
nos processos do movimento e o funcionamento do "âmbito", muitas vezes em termos sociais 
de grupos de amigos e não com base em critérios políticos, compõem uma área limitada que 
contribui para o contra-ataque social e de classe, sem ser capaz de superar os limites da 
fragmentação e da denúncia, da revolta e da insurreição. Nosso objetivo é superá-los, a 
fim de traçar uma estratégia de longo prazo, que os efeitos da luta anarquista adquiram 
maior profundidade, podendo criar uma consciência, estabelecendo as condições necessárias 
e apresentando à sociedade uma proposta realista para o colapso revolucionário do Estado e 
do Capital.

A necessidade de definir as diretrizes básicas da luta que servirá tanto para os objetivos 
em longo prazo como em curto prazo constituindo a base sobre a qual somos chamados a dar 
nossas respostas organizacionais. Por isso apresentamos como opção estratégica, o objetivo 
de contribuir para a criação da Organização Política Anarquista, que será um veículo de 
luta nas batalhas da guerra social e de classe em curso. A comunicação-debate estável no 
seio de uma organização ajudará a coordenar e facilitar a organização de movimentos 
massivos e dinâmicos, para reforçar a solidariedade, para elaborar uma estratégia comum 
nas lutas sociais de classe, para intervir com continuidade e coerência no plano político 
tanto da Grécia como em nível local, e criar uma nova proposta política que incluirá o 
horizonte da organização social das pessoas em uma sociedade antiautoritária.

Buscamos, portanto, a criação de uma Organização Política Anarquista de caráter federal, 
cujas células serão coletivos que funcionarão em uma estrutura horizontal. Uma organização 
estabelecida em acordos políticos suficientes e de coesão entre os coletivos anarquistas, 
que conformarão o seu movimento político unitário ao nível da Grécia através de órgãos 
coletivos que coexistam em igualdade. Uma Organização Política Anarquista que pode ajudar 
a criar um movimento radical de caráter coeso. Que ponha freio a qualquer tentativa de 
manipulação, usurpação e mediação de lutas sociais e de classe e qualquer tentativa de 
incorporação pelo reformismo. Que claramente levante a questão da revolução social como a 
única saída realista para os de baixo para livrar-se do poder de uma vez por todas e que 
conecte as lutas parciais com o objetivo revolucionário global do colapso do Estado e do 
Capital.

Nós convidamos aos coletivos anarquistas que sentem a necessidade de participar de uma 
organização política com objetivos e marco político comuns para o congresso de fundação, 
que será realizado em Atenas, em 7 e 8 de novembro. Para uma mais profunda disseminação do 
horizonte coletivo anarquista pela transição para uma sociedade de justiça, igualdade, 
liberdade e solidariedade. Pela contribuição da luta política anarquista de emancipação 
social e de classe. Pela revolução social e a construção de uma ponte entre a luta diária 
e o horizonte da anarquia e do comunismo (libertário).

Nenhum outro mundo é possível enquanto existir o Estado e o capitalismo

Organização e luta pela revolução social, comunismo (libertário) e anarquia

Coletivo pelo Anarquismo social "Vermelho e Negro" (Tessalônica)
Grupo anarquista "Cavalo sem rédeas" (Patras)
Grupo anarquista "Dinamitera" (Patras)
Coletivo anarquista "Círculo de fogo" (Atenas)
Coletivo anarquista "Omicron72" (Atenas)

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1549071/

O texto em grego:

https://ipposd.wordpress.com/2015/09/03/%CF%80%CE%BF%CE%BB%CE%B9%CF%84%CE%B9%CE%BA%CF%8C-%CE%BA%CE%AC%CE%BB%CE%B5%CF%83%CE%BC%CE%B1-%CF%83%CF%84%CE%BF-%CE%B9%CE%B4%CF%81%CF%85%CF%84%CE%B9%CE%BA%CF%8C-%CF%83%CF%85%CE%BD%CE%AD%CE%B4%CF%81/
http://verba-volant.info/es/invitacion-politica-al-congreso-fundacional-de-la-organizacion-politica-anarquista/#more-10197


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